

Mais propostas no estilo flecha:
o Lancia Stratos e o Lamborghini Bravo


O Fiat X 1/9 de motor central
foi desenhado e produzido pela Bertone; também dos anos 70 é o conceito
Navajo, com mecânica Alfa Romeo


O esportivo Ramarro com motor
Corvette, mais um de linhas retas, e a ousada minivan Genesis, de 1988,
com o V12 Lamborghini de 455 cv |
O padrão de estilo retilíneo do Carabo, que lembrava uma flecha,
repetiu-se nos conceitos
Lamborghini Bravo (1970) e
Countach (1971, depois produzido) e
Stratos Zero (1970), este com
mecânica Lancia Fulvia. O
Zero inspirou o Stratos de produção, também obra de Bertone e sucessor
do Fulvia nos ralis. No Maserati
Khamsin de 1972, as proporções mudavam apenas o suficiente para que
coubesse um banco traseiro para duas crianças. Outra criação desse ano
era o Fiat X1/9 de motor central, baseado
no conceito Runabout e produzido por 16 anos. Foi também em 1972 que
Giovanni Bertone morreu.
Os trabalhos da empresa continuaram variados naquela década: carros
pequenos como o Audi 50 e o Innocenti Mini 90, ambos de 1974; médios
como o Fiat 131 Abarth Rally de 1975 e a
versão Cabriolet do Ritmo em 1979; grandes
como o Maserati Quattroporte
de 1974, a perua 264 TE da Volvo (1976) e o
cupê 262 C do ano seguinte, produzido inteiramente na Bertone. Houve
também mais superesportivos: Lamborghini Urraco
e Jarama (1970), Ferrari Dino 308
GT4 (1973) e o conceito Alfa Romeo Navajo (1976). O Ritmo
conversível e o X1/9 passavam a ser vendidos diretamente sob a marca
Bertone, não mais pela rede Fiat.
Nos anos 80 vieram mais projetos de formas retilíneas, alguns de grande
sucesso, como o Citroën BX
de 1982. O grande sedã XM da mesma marca, de 1989, também seria assinado
pela Bertone. A parceria com a Volvo rendeu mais um cupê, o
780 de 1985, produzido na
empresa italiana como seu antecessor 262 C, e acordo semelhante passou a
vigorar com a Opel alemã: era a Bertone que fazia e montava as
carrocerias conversíveis do Kadett
—
mesmo as que equipariam a versão brasileira de 1991 em diante.
Entre os conceitos, o Ramarro de 1984 seguia mais uma vez o desenho de
flecha, agora com mecânica de Chevrolet Corvette. Já o
Lamborghini Genesis (1988)
colocava um motor V12 de 455 cv em uma minivan do futuro.
Outras propostas originais de estilo estreavam na década de 1990,
começando pelo conceito Blitz de 1992, com motor elétrico, e chegando
dois anos depois ao ZER (Zero Emission Record), também elétrico. Esse
estudo em forma de bolha, com excelente aerodinâmica (Cx
0,11), superou 300 km/h. Houve ainda o Nivola com motor V8 de Corvette
(1990), o cupê Karisma com mecânica Porsche (1994), o Kayak com base
Lancia (1995), o cupê Slalom sobre o Opel Calibra e o fora-de-estrada
Enduro, baseado no Fiat Brava. Das linhas de produção da Bertone saíam
mais dois conversíveis, o Opel Astra e o Fiat Punto, com até o conjunto
mecânico montado à carroceria na própria empresa.
Em 25 de fevereiro de 1997, Nuccio Bertone falecia aos 82 anos. Ele
sempre atribuiu a seus desenhistas — Scaglione, Giugiaro, Gandini — a
autoria dos carros mais marcantes que sua empresa projetou, mas teve
inegável importância como maestro, orientando os trabalhos desses
profissionais. Foi um dos precursores no negócio de desenhar e construir
carrocerias especiais de automóveis, prestando um conveniente serviço a
fabricantes ocupados com grandes volumes de produção.
Sempre deu grande valor ao elemento humano: "De início existe o homem,
com sua alma, seus pensamentos, seu espírito profissional, capaz de
intuições que são grandes e frágeis, simples e complexas. Depois vêm o
desenho, os computadores, a produção", disse certa vez. Frustrações?
Talvez uma: "Eu gostaria de ter feito mais pela Ferrari", admitiu —
houve apenas o 308 GT4 e as propostas sobre o 250. "Eles sempre
estiveram bem com a Pininfarina", reconheceu. Também lamentava as crises
pelas quais passou a Lamborghini: "Foi uma grande companhia que sofreu
muito, muito com o tempo, mas nos bons tempos fizemos grandes carros com
eles".
Giugiaro definiu Bertone como um homem que "conhecia maravilhosamente
como unir seu bom gosto nato, seu grande senso de classe e sua paixão
por carros esporte". A Politécnica de Turim, que ele nunca concluiu,
deu-lhe graduação honorária em engenharia. Em 2006 foi indicado à
Galeria da Fama Automotiva de Detroit, EUA, "por sua influência no
desenho de carros, por ter descoberto e encorajado alguns dos melhores
desenhistas do mundo, por ter contribuído com a indústria
automobilística por décadas". A empresa da família continua a
representar um dos maiores nomes da Itália e do mundo em sua atividade.
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