


Motores de 1,0 e 1,2 litro
equipavam-no nos primeiros anos; o raio X mostra a posição segura do
tanque de combustível, logo atrás do banco


Além de sedã e cupê, a linha da
Opel contava já no início com a perua Caravan; embaixo, o Kadett City,
opção mais curta e com terceira porta |
Parte desse sucesso deve-se a mercados de exportação, nada menos que 120
países, que já em 1966 respondiam por metade da produção do modelo. Até
a África do Sul, que usa o volante do lado direito, recebeu esse Kadett.
Entre os compradores estavam também os Estados Unidos, onde a GM o
vendeu de 1965 a 1972 pelas concessionárias Buick, justamente para
enfrentar o avanço do Volkswagen.
E foi lá que a Popular Mechanics comparou, em 1970, a perua
Kadett a oito modelos: Citroën DS21,
Datsun 510,
Fiat 124,
Renault 16 Sedan-Wagon, Saab Wagon, Simca 1204,
Toyota Corona e
Volkswagen Squareback. Em versão de 1,9 litro com caixa automática,
a Opel mostrou um "motor áspero e ruidoso, mas que empurrou o carro de 0
a 96 km/h em rápidos 12,1 segundos". A revista elogiou o acabamento
interno e os freios "excelentes em todos os aspectos", mas considerou a
estabilidade apenas razoável em pisos lisos e "imprevisível em curvas
onduladas, sendo o salto do eixo traseiro o principal problema".
Da
Alemanha para o mundo
Um gradual
crescimento em tamanho e cilindrada, mas com muitas opções de motores,
carrocerias e acabamentos para atender a todos os gostos e bolsos:
parecia que a Opel havia encontrado a fórmula do sucesso para o Kadett.
Assim, nada mais natural que a manter na geração subsequente, a C,
apresentada em agosto de 1973 com as carrocerias sedã, cupê fastback e
perua. Os brasileiros logo a reconhecerão com outro nome, pois aqui ela
foi lançada antes, em abril, como
Chevrolet Chevette.
A consagração mundial do modelo B fez com que a GM concentrasse na Opel
o desenvolvimento de um ambicioso projeto, o do carro T, destinado a
atender mercados de todo o globo com pequenas variações. Além da fábrica
de Bochum, ele era feito pela Chevrolet
norte-americana, a Vauxhall inglesa (ambas as versões também
chamadas de Chevette), a Isuzu japonesa (com o nome Gemini), a Opel
argentina (como K-180) e, claro, a Chevrolet brasileira. Houve ainda
outros nomes em mercados de exportação (leia
boxe).
O desenho do Kadett C mostrava um perfil mais baixo e por isso parecia
mais longo, mas na verdade não o era: media 4,12 m de comprimento, 1,57
m de largura, 1,37 m de altura e 2,39 m entre eixos. O peso variava de
765 a 800 kg. No conjunto mecânico, os motores iniciais eram de 1,0
litro, com 40 cv e 7 m.kgf, e de 1,2 litro, com 52 cv e 8 m.kgf ou, na
versão S, 60 cv e 9 m.kgf. O mais potente podia vir com câmbio
automático. As suspensões mantinham os conceitos de braços sobrepostos à
frente e eixo rígido atrás, sempre com molas helicoidais.
Motor longitudinal, tração traseira, tudo permanecia como antes, apesar
das tendências em contrário seguidas por alguns concorrentes, como o
VW Golf que logo chegaria às ruas.
Para que mexer em time que ganhava? Isso não significa que o modelo C
não trouxesse avanços. Um deles estava nos cintos de segurança de três
pontos nos bancos dianteiros; outro, na posição bastante segura do
tanque de combustível, que ficava de pé atrás do banco traseiro (apenas
no sedã e no cupê), bem menos vulnerável que a colocação abaixo do
porta-malas, então frequente. A solução exigiu um bocal de abastecimento
em local não usual, na coluna traseira direita.
A Motor inglesa testava em 1973 o Kadett 1200 S Coupe, que foi
descrito como "fácil e seguro de dirigir, silencioso, econômico, de
estabilidade muito boa e grande porta-malas". Os pontos fracos foram o
alto preço, comparável ao de um Vauxhall
Magnum 2300, e o equipamento de série. O comportamento dinâmico
ganhou nota máxima: "É um exemplo de quão seguro e desfrutável um carro
com tração traseira e eixo posterior rígido pode ser. Normalmente ele
sai de frente, mas é possível induzir o
sobresterço em curvas rápidas, e o carro permanece deliciosamente
controlável nessas situações. Seria difícil 'perder' esse carro",
explicava.
A linha C crescia em 1975 com a chegada de duas opções. Na base
da oferta, o Kadett City vinha com dois volumes e três portas, ou seja,
o primeiro hatchback na história do modelo. A traseira encurtada em 23
centímetros reduzia a capacidade de bagagem, mas ela podia ser ampliada
pelo rebatimento do banco traseiro.
Continua
|