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Carros do Passado
O caçula da Chevrolet


O Kadett da Opel alemã originou em 1973 o Chevette, um sucesso de duas décadas da GM no Brasil

Texto: Francis Castaings - Edição: Fabrício Samahá

A pequena fábrica de Adam Opel começou fazendo máquinas de costura e bicicletas na Alemanha. Era uma empresa familiar que passava de pai para filho. Em 1898 lançou seu primeiro carro, com motor monocilíndrico refrigerado a água. Desde então, não parou mais.

Desde o começo sua idéia era fazer carros espaçosos e baratos, e por isso o sucesso sempre esteve presente. Em 1929 a Opel foi absorvida pela General Motors Corporation e, a partir de então, seus carros passaram a ter nova concepção. A influência dos Estados Unidos no estilo e no projeto sempre esteve presente e era bem marcante até a década de 70. Dizia-se que a Opel fazia carros americanos de tamanho reduzido.

A primeira versão do Kadett alemão de quarta geração, idêntica a nosso Chevette 1973. Só que a brasileira saiu seis meses antes

Em 1935 lançava o Olympia, em alusão às olimpíadas de Berlim que seriam realizadas no ano seguinte, com carroceria monobloco, novidade no mercado de automóveis da Alemanha. Dois anos depois, atingia a produção de 80 mil unidades. Em 1936 era lançada a primeira geração do Kadett, equipada com motor de 1,1 litro.

O sucesso da série se firmou com a segunda geração, lançada apenas em 1962: um compacto de linhas retas, nas versões de duas e quatro portas. Na terceira, lançada em 1965, tinha motores de 1,1 até 1,9 litro, nas versões sedã de duas e quatro portas, fastback e perua, que se chamava Caravan.

Na Alemanha houve renovação frontal que nunca chegou ao Brasil (direita). Já a perua
Caravan seria conhecida aqui como Marajó e fabricada durante a década de 80

A quarta geração foi lançada no Salão de Frankfurt de 1973, na Alemanha -- no Brasil havia chegado seis meses antes, com o nome de Chevette. Foi o caçula da família Opel até o lançamento do primeiro Corsa, em 1982. Os irmãos mais velhos do Kadett (cadete, em alemão) seguiam com nomes de patentes da marinha ou da diplomacia, ou seja, Commodore (comodoro), Admiral (almirante), Kapitän (capitão) e Diplomat (diplomata). Exceção à regra era o Rekord, que deu origem a nosso Opala.

Como na geração anterior, o Kadett IV tinha versões de duas e quatro portas, fastback (a de maior sucesso) e a perua Caravan. Também foi feita uma versão interessante, baseada na carroceria sedã duas-portas, entre 1976 e 1978: o Aero, com teto tipo targa, em que apenas a parte traseira abria-se como num conversível, com motor 1,2 S. Sua receita seria seguida no Brasil, em pequena escala, pela Envemo, empresa especializada em preparação de motores e veículos especiais.

Versão interessante e desconhecida entre nós era o cupê fastback, que serviu de base para o esportivo GT/E

O Kadett, a partir da segunda geração, sempre foi o carro de maior sucesso da Opel. Seus concorrentes diretos na Europa eram o VW Golf, o Ford Escort, o Peugeot 304, o Triumph Dolomite e o Fiat 124. Para concorrer com modelos menores, como VW Polo e Renault 5, foi lançada em 1975 a versão City, igual à nossa Hatch.

O esportivo fastback GT/E tinha concorrentes de peso como o Triumph Dolomite Sprint, o Golf GTI da primeira geração (1976) e o Renault 5 Alpine. Seu desempenho era muito bom e fazia sucesso também nas competições. Foi produzido de 1973 a 1981 na Europa.

Outra derivação muito curiosa: o Aero, em configuração targa, semi-conversível.
No Brasil houve reprodução pela Envemo, fabricante de veículos especiais

O Kadett fazia parte da linha mundial T-Car. Também foram lançados e produzidos no Japão (Isuzu), Inglaterra (Vauxhall Chevette), Austrália (Holden Gemini) e EUA (Chevrolet Chevette e Pontiac T-1000). Havia diferenças regionais de carroceria e motorização (como ocorre hoje com diversos modelos -- saiba mais). No Vauxhall o capô era fechado, sem grade -- a entrada de ar ficava abaixo do pará-choque. No Japão o Isuzu tinha retrovisores sobre o capô, coisas de lá. No americano as linhas eram mais retas, com versão hatch de três e cinco portas, e algumas versões tinham pneus de faixa branca.

A sexta e última geração do Kadett, de 1984 (houve também uma intermediária, a quinta, já com motor transversal e tração dianteira), deu origem ao Chevrolet brasileiro de mesmo nome cinco anos depois. Em 1991 ele daria lugar ao Opel Astra, nome já utilizado no Kadett inglês, passando este à segunda geração em 1997 -- bem conhecida no Brasil.

O esportivo GT/E concorreu com a primeira geração do Golf GTI. Tração traseira era uma vantagem para motoristas habilidosos

No Brasil, o anti-Fusca   Um Olympia, automóvel de número 500.000 produzido pela Opel, chegou ao Rio de Janeiro ainda em 1935 a bordo do dirigível Hindenburg, a primeira vez em que um veículo era aerotransportado. Continua

Caso verídico
Uma senhora que habitava a região parisiense comprava carros Opel desde a década de 50. A fábrica tinha seu nome cadastrado. Em 1991 foi convidada a visitar as instalações da fábrica e depois a testar todos os modelos da linha. A empresa pagou as passagens de avião, ida e volta, e a estadia na Alemanha. É um marketing interessante e revela grande consideração com o cliente.
Adaptados
Alguns proprietários de Chevette colocaram o motor do Opala quatro-cilindros de 2,5 litros e seu conjunto de câmbio e diferencial. O resultado era muito bom, em função do torque bastante elevado, apesar do ganho de potência discreto (veja algumas receitas de "Chepala" no Consultório de Preparação). Alguns chegaram até a colocar o "seizão" de 4,1 litros. Aí o pequeno GM virava bicho.

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