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Oferecer uma opção mais urbana, sem abandonar seus valores e tradições:
esse parece ser o tom da divisão Jeep da Chrysler com os dois lançamentos que
acabam de ser apresentados à imprensa. De um lado, a linha 2012 do conhecido
jipe Wrangler e do Wrangler Unlimited vem com novos motor e câmbio; de outro
surge o inédito Compass como modelo de entrada da marca.
Longe de ser uma novidade mundial — foi lançado nos Estados Unidos há cinco anos
—, o Compass chega ao Brasil para servir como veículo de entrada da marca Jeep,
embora o preço de R$ 100 mil esteja longe de ser chamado de "entrada". A
previsão é de vender 2.000 unidades este ano em um segmento dos mais disputados,
que conta com Honda CR-V,
Hyundai IX35,
Kia Sportage, Mitsubishi ASX e Volkswagen
Tiguan, entre outros.
Os equipamentos de série abrangem controle eletrônico
de estabilidade e tração, seis bolsas infláveis (duas frontais, duas
laterais dianteiras e duas cortinas laterais), freios com sistema antitravamento
(ABS), pontos de ancoragem para cadeiras infantis, alarme,
controlador de velocidade, ar-condicionado
automático, apoios de cabeça dianteiros ativos,
faróis e lanterna traseira de neblina, rodas de alumínio de 17 pol e teto solar
com controle elétrico.
A remodelação visual para 2011, que lhe deu uma frente parecida com a do
novo Grand Cherokee, deixou mais
atraente esse utilitário de formas retilíneas. Chamam atenção os para-lamas
destacados, as portas traseiras com maçanetas escondidas (estão nas colunas) e
os pilares em forma de triângulo na parte posterior.
O interior não tem desenho muito inspirado e, pelo valor do carro, podia-se
esperar um acabamento melhor. Faltam itens comuns até em veículos menores, como
luz no espelho de cortesia do para-sol e regulagem de distância no volante. A
Jeep também não previu revestimento interno em couro, mas isso é de solução
simples pelas concessionárias. Por outro lado, o teto solar é um item agradável
e o sistema de áudio traz disqueteira de painel para seis CDs, toca-DVDs,
entradas auxiliar e USB, sistema Bluetooth e
comando de voz. Bons detalhes são a lanterna de emergência de
leds, portátil e recarregável, e os porta-copos
dianteiros com iluminação.
O Compass oferece ampla visibilidade, a não ser pelas colunas traseiras, e
posição de dirigir bem estudada. O espaço interno comporta uma família de cinco
pessoas sem desconforto. Ponto negativo é o porta-malas pequeno, que ainda tem
seu espaço prejudicado pelo estepe com a mesma medida dos pneus originais:
apenas 328 litros até o topo do banco traseiro, ampliáveis a 1.269 litros com o
banco rebatido e a carga até o teto. Aliás, até o tanque de combustível é
modesto: 51 litros.
Mesmo trazendo a lendária marca Jeep no capô e a grade de sete elementos, o
Campass não é um 4x4: tem tração apenas dianteira, algo até inesperado para um
veículo da empresa. A estrutura é monobloco, a
exemplo dos principais concorrentes, e ambas as suspensões são independentes,
com uso do conceito multibraço no caso da
traseira. O vão livre do solo, 205 mm, é mediano e confirma a proposta mais
urbana.
Também atual é o motor de 2,0 litros, único oferecido no Brasil, dotado de bloco
de alumínio, quatro válvulas por cilindro e variação
do tempo de abertura das válvulas, tanto de admissão quanto de escapamento.
Assim como o 2,4 usado pelo Fiat Freemont, ele é parte da Global Engine
Manufacturing Alliance, ou GEMA, antiga associação entre Chrysler, Mitsubishi e
Hyundai para desenvolvimento e produção de motores (em 2009 o grupo
norte-americano assumiu a parte dos parceiros).
Potência e torque são adequados para sua cilindrada e a técnica empregada, mas
surgem em regimes bem altos (156 cv a 6.300 rpm e 19,4 m.kgf a 5.100 rpm) e
lidam com um peso importante, 1.424 kg, além da precária aerodinâmica típica dos
utilitários, o que se reflete em desempenho modesto. A única caixa de câmbio
disponível, a automática de variação continua
Jatco CVT2, traz um modo sequencial com a simulação de seis marchas por meio de
pontos de parada das polias.
O conjunto motor-câmbio não se mostrou muito estimulante na avaliação do Compass
na região de Barueri, na Grande São Paulo. É preciso se acostumar com as
características desse sistema, como o crescimento de giros nas subidas, sem que
a velocidade aumente na mesma proporção, ou certa "preguiça" nas retomadas de
velocidade. Em velocidade constante, mas com subidas e descidas, o motor sobe e
desce de giros suavemente e contribui para o conforto.
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