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Maior entre-eixos e motor
horizontal buscavam maior espaço interno na perua Panoramica, que também
trazia o motor mais potente com 22 cv


O utilitário Furgoncino em suas
versões de teto alto (em cima) e normal


"Televisor": o vidro traseiro
emoldurado rendeu tal apelido ao Berlina de quatro (apertados) lugares,
que substituía o Trasformabile em 1962 |
O
Cabriolet era um conversível de verdade (o menor do mundo na época), com
teto de lona como o Trasformabile, mas sem os arcos laterais fixos deste
último. As portas já se abriam em sentido convencional, para frente,
seguindo a tendência da época de abandonar as "suicidas". Quando
desejado, o proprietário podia montar uma capota rígida para maior
conforto no inverno rigoroso. Com preço 10% mais alto que o do
Transformabile, a versão fez sucesso entre os jovens e entre os
abastados que queriam manter um carro pequeno para uso, por exemplo, na
casa de praia.
A Panoramica era uma compacta perua similar à 500 Giardiniera da Fiat,
com distância entre eixos 10 cm maior que a do sedã e outros 10 cm
adicionais na traseira, em total de 3,22 m. Apesar do motor traseiro,
podia transportar cerca de 800 litros de carga quando o banco de trás
fosse rebatido. Com base no mesmo modelo havia também o Furgoncino, ou
pequeno furgão, disponível em duas versões: de teto baixo, com o mesmo
formato da perua mas sem vidros ou banco na parte traseira, e de teto
alto, em que a seção posterior da carroceria era mais volumosa e
retilínea (exceto no topo, arredondado como o de uma antiga Volkswagen
Kombi) para ganho em capacidade de carga. Perua e furgões também tinham
portas comuns, que se abriam para frente.
Todos vinham com motor de cilindrada pouco maior (499 cm³), igual ao do
Fiat 500 Sport, que fornecia 21 cv no Cabriolet e 22 na Panoramica e no
Furgoncino, além de aumento de torque para 3,6 m.kgf — boa medida, pois
a perua pesava mais, 585 kg. Nos dois últimos modelos, para liberar mais
espaço à bagagem ou à carga, o motor tinha montagem horizontal em vez de
vertical. A velocidade máxima chegava a 105 km/h na perua e no furgão. O
mesmo propulsor, mas com 17,5 cv, passava no mesmo ano a equipar o
Trasformabile, que também ganhava uma versão Special com pintura em dois
tons e a unidade de 21 cv.
Essa opção de carroceria dava lugar em 1962 à Berlina Quattro Posti, ou
sedã de quatro lugares em italiano, com teto fixo, cabine maior para
acomodar duas pessoas em um compacto banco traseiro, portas
convencionais e a habitual alternativa do acabamento Special. O Berlina
era a resposta da empresa a um consumidor que, embora precisasse de mais
que dois lugares, via na Panoramica um veículo com aspecto comercial e
sem atrativos estéticos. Como o comprimento e o entre-eixos eram iguais
aos do Trasformabile, o conjunto ficou mais equilibrado em termos de
aparência pela traseira mais curta. Por outro lado, a posição quase
vertical do vidro traseiro — para obter relativo espaço para cabeças no
banco de trás — e sua inserção em uma moldura renderam à versão o
apelido de "televisor".
No mesmo ano surgia a Panoramica Normale, de acabamento mais simples,
enquanto a versão já existente da perua ganhava teto de lona retrátil e
o nome Decapottabile. Discretas alterações de estilo e um painel
redesenhado vinham em 1965, ano em que as versões Berlina, Cabriolet e
Panoramica recebiam o motor do 500 F e melhorias em dínamo, embreagem,
semi-árvores de transmissão e espaço de bagagem. A potência de 21 cv não
mudava, mas representava ganho de 3 cv para o sedã básico, que agora
oferecia o mesmo desempenho do Special. A última novidade foi o
acréscimo da versão Lusso (luxo) para sedã e perua, em 1967, com melhor
revestimento, apoio de braço no banco traseiro e novo sistema de
ventilação interna.
Depois de cerca de 275 mil unidades, o Bianchina saía de produção em
1969. Chegou a ser fabricado com volante à direita para os mercados
inglês, australiano e sul-africano, que dirigem em padrão inverso ao
nosso (saiba mais), e teve exemplares exportados até para
os Estados Unidos, por mais curioso que seja imaginá-lo no país dos
carros enormes. Seu fim abriu caminho ao A112,
este sim um Autobianchi peculiar, pois serviu de balão de ensaio para a
configuração mecânica de motor transversal e tração dianteira que
apareceria nos Fiats 128 e 127.
No ano anterior a marca já havia passado integralmente às mãos da Fiat,
que mais tarde produziria em Desio alguns de seus modelos, como
Panda e
126. A perua 500 Giardiniera e sua versão
furgão também foram feitas lá entre 1969 e 1977 com o logotipo
Autobianchi, o que de certo modo estendeu a vida da Panoramica e do
Furgoncino. Com a desativação da unidade em 1992, seu único modelo na
época — o pequeno hatch Y10 — foi transferido para a fábrica da Alfa
Romeo em Arese. No mercado italiano a Autobianchi foi mantida até 1995,
mas o Y10 era vendido desde 1989 sob a mais prestigiada marca Lancia em
mercados de exportação.
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