O Mark nunca rejuvenesceu tanto quanto na série VII de 1984, que a imprensa considerou competitiva ao Mercedes Classe S de mais que o dobro do preço

O prenome Continental voltava a acompanhar o cupê de luxo, que vinha só com o motor V8 de 4,95 litros e caixa automática de quatro marchas

Além do aspecto mais moderno por fora e por dentro, o Lincoln ganhava em estabilidade com a suspensão com molas a ar e controle eletrônico

"Os EUA desafiam a Europa" foi o tema de um comparativo de 1980 da Popular Science, que colocou lado a lado o Mark VI, o BMW 528i, o Cadillac Seville Elegante, o Chrysler LeBaron Fifth Avenue e o Mercedes-Benz 300 SD a diesel. O Lincoln foi bem avaliado em aceleração, facilidade de manejo e conforto de rodagem, mas recebeu notas baixas em freios, estabilidade, consumo e nível de ruído o motor era tão barulhento quanto o do Mercedes a diesel.

Em 1981, o V8 351 carburado saía de catálogo. Nesse ano o Continental foi rebatizado de Town Car, modelo ainda hoje em produção. O lendário nome só prosseguiu como prenome do Mark VI até a chegada de uma nova geração do Continental. O Town Coupe duraria só aquele ano-modelo, devido à demanda maior pelo Mark VI de duas portas. Finalmente, depois de 14 anos de uma identificação um tanto confusa, em 1982 o Mark VI perdia — pela primeira vez — o prenome Continental, que passava a identificar um sedã compacto para os padrões norte-americanos da época, substituto do Versailles.

Boa novidade era o aumento da potência do V8 302, agora 145 cv. Essa geração seria mantida sem maiores novidades até 1983. Além de marcar o fim da versão de quatro portas, o Lincoln Mark VII traria a primeira verdadeira renovação estética do modelo, que até então só apresentava uma evolução gradual e discreta das ideias originárias dos anos 60.

Marco aerodinâmico   Por razões de marketing que só a Lincoln poderia explicar, a geração seguinte começou identificada como Continental Mark VII 1984. Embora dividisse a plataforma com o Continental da época, derivava mesmo é do Thunderbird e do Mercury Cougar lançados um ano antes. Os cantos arredondados da carroceria proporcionavam um salto visual em relação aos Marks anteriores. A grade, pouco mais larga que o habitual, vinha ladeada por um jogo de três peças de faróis e luzes de direção, sem qualquer cobertura.
 
Contrariando a tendência mundial, os para-choques não eram envolventes. Bem inclinadas, as colunas traseiras ainda eram largas, mas as janelas laterais junto a elas acompanhavam o desenho. Era o fim das janelas ópera. A traseira inclinada guardava a tradicional protuberância que sugeria o estepe. Em formato de "L", as lanternas tinham uma parte vertical e outra horizontal. O acabamento ainda era cromado, mas havia pneus sem faixa branca. No geral, o aspecto do Mark nunca rejuvenesceu tanto.
 
Ainda que largo e mais comedido que o exterior, o painel formava um elemento mais coeso, com instrumentos reunidos num retângulo superior. Em dia com o que havia de mais moderno na Europa, o Continental Mark VII parecia em casa entre o Mercedes-Benz SEC e o BMW Série 6. De 140 cv, o V8 302 vinha acompanhado do câmbio automático ZF de quatro marchas. Mais que a aparência, porém, dirigir um Mark VII também era uma experiência mais próxima da de um cupê de luxo europeu.

No fim daquele ano-modelo chegava a opção de motor BMW de seis cilindros em linha turbodiesel, de 2,4 litros e 114 cv, que só durou um ano. Controlada por computador, a suspensão a ar equilibrava desníveis entre os eixos e entre os lados do carro. Discos de freio equipavam as quatro rodas e havia um computador de bordo. Dos já tradicionais pacotes do modelo, eram oferecidos o Bill Blass, o novo Versace e o LSC (Lincoln Sport Coupe). O último dispunha de relação final mais curta e suspensão recalibrada para maior firmeza. Continua

Os conceitos
Encerrada a produção do Mark VIII, a Lincoln se aventurou duas vezes ao imaginar como seria uma geração seguinte de seu clássico por meio de carros conceituais.

Em 2001 foi apresentada no Salão de Nova York a primeira ideia, o Mark IX. Com 3,10 metros de entre-eixos, o longo cupê negro tinha mecânica V8 tradicional, mas o desenho interno exibia bancos de couro vermelho e acabamento polido dos instrumentos, console central e batentes das portas.
O Mark X surgiu em 2004 e era mais ousado. Seu V8 entregava 280 cv, mas não era a atração do conceito. Em vez de cupê, a Lincoln pensou num conversível de teto rígido, mas panorâmico e rebatível. O interior era todo revestido em couro da cor de sorvete de limão, segundo a Lincoln... O desenho da dianteira e da traseira não indicavam, mas o perfil lateral entregava o Thunderbird que lhe serviu de base – por sua vez, derivado do Lincoln LS. O painel mais reto tem sido adotado por modelos de produção desde então.

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