Em 1986 todo Mark VII vinha com freios antitravamento (ABS); no LSC o motor V8 passava a 200 cv e o painel usava instrumentos analógicos

Séries especiais, como a Limited Edition do SLC 1990, acrescentavam requinte ao acabamento do Mark; a bolsa inflável já estava disponível

O Mark VIII causou impacto em 1993 com o estilo muito suave -- quase futurista --, que se repetia no interior com uma ampla curva no painel

O Mark VII enfrentou o BMW 633 CSi e o Eldorado Touring Coupe, na Popular Science, e se saiu muito bem: ganhou melhores notas em aceleração (superando o Cadillac por ampla margem), estabilidade (acima do BMW!), nível de ruído e conforto de marcha. A revista elogiou o motor V8 302 e a caixa automática, "uma das combinações mais suaves da produção nacional", e considerou o interior um dos mais silenciosos já avaliados. "Se você pensa que molas a ar são moles como balões, será surpreendido pela estabilidade e o conforto de rodagem do Mark. Mais firme que qualquer Lincoln anterior, o rodar é controlado sem ser áspero", explicava o teste. Sobre o alemão, ele ainda tinha a vantagem de custar muito menos, US$ 26 mil contra US$ 40,7 mil.

Em 1985 era acrescido à lista de opcionais um telefone móvel. Além da luz suplementar de freio obrigatória, outra novidade no ano seguinte era que, pela segunda vez, a Lincoln eliminava o nome Continental do modelo, desvinculando-o do menor sedã de sua linha. Sistema antitravamento (ABS) de freios já vinha de série em todo Mark VII, assim como bancos com ajuste elétrico, abertura do carro sem chave, sistema de áudio Premium e comando remoto do porta-malas. O LSC vinha com motor trabalhado para produzir 200 cv, além de  escapamento duplo, instrumentos analógicos, pneus 215/65 R 15 sem faixa branca e revestimento de couro perfurado para os bancos.
 
A Popular Mechanics comparou em 1986 o Mark VII LSC ao Buick Riviera T-Type, o Eldorado Biarritz, o Thunderbird Turbo Coupe, o Mercedes 560 SEC e o Oldsmobile Toronado em um grupo de cupês de alto luxo. O Mark foi considerado "o produto Ford mais impressionante que já dirigimos, um carro norte-americano de US$ 25 mil que pode ser comparado ao Mercedes topo de linha de US$ 60 mil". Ele foi quase tão rápido quanto o 560 na aceleração do quarto de milha (0 a 400 metros), deixando todos os demais para trás, e mereceu o segundo lugar na análise de desempenho e comportamento na estrada e na pista de testes.

"Ainda mais impressionantes são a estabilidade e os freios do LSC", continuava a revista, que também destacou a posição de dirigir, os "bancos que vestem como luvas", a aparência luxuosa do interior e os instrumentos analógicos, preferíveis aos digitais. Para a publicação, o Mark "mantém o tema tradicional de estilo da Lincoln, combinado à classe de um Mercedes. Seria difícil aperfeiçoá-lo". Mas a marca prosseguiu nesse objetivo. Com cabeçotes revistos, taxa de compressão mais alta, admissão e escapamento retrabalhados, o V8 302 ganhou uma versão de 225 cv em 1987. Foi esse motor que passou a equipar o Mark VII LSC de série em 1988, assim como as rodas de 15 pol foram trocadas pelas de 16.

Para 1990 o motorista contava com bolsa inflável, e os passageiros de trás, com cintos de três pontos. Nesse mesmo ano o painel e a parte interna das portas foram redesenhados. Analisado pela revista Consumer Reports, esse Mark VII teve como destaques "a intensa aceleração nas 'decolagens', ao lado da grande capacidade de ultrapassagem em autoestradas". A publicação considerou o comportamento dinâmico "moderno e competente: o LSC cupê faz curvas pouco inclinado e promete uma rodagem estável em velocidade. Infelizmente, quando encontra irregularidades, a suspensão transmite alguma aspereza dos impactos aos ocupantes". O porta-malas modesto para o porte do carro era outro ponto negativo.
 
O Mark VII Bill Blass ganhava para 1991 o mesmo motor do LSC e melhorias na suspensão, com as molas de ar da versão esportiva. Também naquela safra era lançado o LSC SE (Special Edition), todo pintado de preto ou vermelho, até nas peças que eram cromadas — exceto grade e retrovisores, sempre negros. No ano seguinte, fora três desenhos disponíveis de grade, nada mais relevante foi apresentado. Afinal, para 1993 a Lincoln preparava o Mark VIII, geração que levaria ainda mais longe a nova estética introduzida pela anterior.
 
Oitava maravilha   "Em vez de apresentá-lo, nós decidimos lançá-lo", dizia a página inicial da brochura publicitária do Lincoln Mark VIII 1993. Era uma clara referência ao desenho fluido, suave, elegante e imponente da nova geração, que lembrava um foguete. Para um carro que passou tantos anos reconhecido por sua ornamentação, era uma proeza que a Lincoln conseguisse exprimir tamanha limpeza e leveza visual em seu único cupê. O impacto visual só não foi maior entre os carros de Detroit porque na mesma época a Chrysler apresentava os sedãs LH (Dodge Intrepid, Chrysler Concorde e Eagle Vision), rupturas ainda maiores com os produtos que substituíam.
 
A grade com frisos verticais continuava lá, mas os faróis formavam longos e curvos elementos até alcançarem as luzes de direção nas laterais. Pintados na cor do carro, os para-choques uniam as aberturas de roda na frente e atrás. Para-brisa e vidro traseiro estavam bem inclinados, combinando com a suavidade do desenho do capô e da tampa no porta-malas, ainda desnivelada para sugerir a presença do estepe.

Os retrovisores vinham tão embutidos quanto as maçanetas. As lanternas formavam um elemento único, de lado a lado do cupê. Uma resposta à altura e bem norte-americana ao estilo do Lexus SC 400. Dessa vez, o interior conseguiu surpreender até mais que as linhas externas. Em plena coerência com as curvas externas, o painel de instrumentos — agora sempre analógicos — e as laterais das portas se uniam numa única curva.

Projetada para frente, a parte inferior do painel levava ao console central, que possuía comandos voltados para o motorista, numa onda que terminava entre os bancos. A sensação era de acolhimento: o interior parecia abraçar os ocupantes dianteiros. Além do couro forrando os bancos com apoio lombar com ajuste elétrico, havia bolsas infláveis frontais para motorista e passageiro, computador de bordo, áudio JBL e caixa automática de quatro marchas com controle eletrônico. Continua

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