



Os modelos 1997 e 1998, os
últimos da longa história, vinham de frente e traseira redesenhadas;
duas edições especiais fizeram a despedida |
O
motor também reservava disposição extra: com 4,6 litros e duplo comando,
o V8 da família modular da Ford produzia 280 cv. A aceleração de 0 a 96
km/h levava 7,4 segundos. O cupê já oferecia controle de tração, que
podia ser desligado. Por outro lado, as medidas haviam se expandido: de
2,76 m, o entre-eixos agora media 2,87 m. Com 5,25 m, o comprimento
estava 10 cm maior.
A Consumer Reports escreveu que ele "é rápido
na arrancada. O motor é muito suave, tem um ronco
esportivo e traz excelente facilidade de ultrapassar". Freios, direção e
conforto de marcha eram outros destaques, mérito da nova suspensão
independente à frente e atrás.
Pouco mudaria nessa geração. Para 1995 os amortecedores
evoluíram; no ano seguinte o LSC oferecia 10 cv a mais. Para
comemorar os 75 anos da Lincoln, em 1996, o Mark VIII Diamond Anniversary Edition vinha pintado
em cor prata ou vinho e equipado com bancos de couro nessas duas cores,
telefone celular ativado por voz, teto solar,
tapetes diferenciados e até a escultura de um diamante.
O modelo 1997 veio com uma reestilização bem perceptível. A grade
deixava de formar um conjunto com os faróis, ficando mais centralizada e
alta. Os retrovisores vinham um pouco deslocados das colunas dianteiras,
fixos por uma base lateral, e ganhavam repetidores de luzes de direção
com leds. As lanternas trocavam as
lâmpadas tradicionais por neon. Revisado, o coletor de admissão ajudou a
produzir um som mais encorpado no V8, que mantinha a potência.
O ano seguinte seria o trigésimo e derradeiro do modelo. O conceito de
personal car, ou carro pessoal, estava em declínio na época e a Lincoln
não via retorno para o investimento em uma nova geração. Para encerrar a
história com estilo, ela criou as séries limitadas Spring Feature Car e
Collector’s Edition. A primeira tinha cor de champanhe até onde o
acabamento era cromado no modelo básico e pequenos cuidados estéticos.
Foram feitos apenas 116 deles. Já o Collector’s lembrou a série
equivalente do Mark V em 1979.
Baseado no LSC, vinha em cor vinho ou branco perolizado e incluía
detalhes dourados por fora e de nogueira no interior. Um estojo trazia plaquetas com cada uma das seis gerações do
Mark, além do Continental original de 1940 e do Mark II de 1956. Um
total de 1.386 deles foi produzido. Ao sair de linha, o Mark VIII deixou
como último remanescente do segmento o Eldorado, que também não
duraria muito. Por outro lado, o apelo dos concorrentes alemães não se
esvaiu até hoje. Será que não seria o caso de investir em desempenho?
O nome Mark, acompanhado da sigla LT, chegou a identificar o
picape da Lincoln baseado no Ford F-150
e vendido de 2005 a 2008. Não foi uma boa ideia, dada a relevância dos
Marks na história da marca. Até hoje o estilo e a proposta do
Continental de 1940 não inspirou mais nenhuma homenagem direta entre os
Lincolns de produção.
Mais que o próprio Continental, porém, foi o Mark
o maior responsável por manter viva a memória do maior clássico da
divisão de luxo da Ford por três décadas — mesmo sem nunca ter tido uma
versão conversível.
Seu tempo pode ter passado, mas o marco de sofisticação, charme e
carisma que ele representou permanece até hoje imbatível entre os
Lincolns.
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