

O Pathfinder inicial, com três
portas, motores de 2,4 e 3,0 litros e opção de tração integral,
conquistou seu espaço entre o público mais jovem


O anúncio destacava robustez,
desempenho e estilo, este preservado na carroceria de cinco portas pelas
maçanetas traseiras pouco visíveis |
A
japonesa Nissan está entre as marcas pioneiras, em âmbito mundial, a
produzir picapes compactos: foi em 1955 que lançou o modelo inicial da
marca Datsun, exportado com êxito a regiões variadas como os Estados
Unidos, a Austrália e países da Europa e do Oriente Médio. Por outro
lado, a empresa demorou a ingressar no mercado de utilitários esporte,
tipo de veículo cuja criação é atribuída em parte à Jeep, com os modelos
Wagoneer e Cherokee, e em parte
à Land Rover com o Range Rover.
É verdade que a linha Datsun 220 já contava, na década de 1960, com um
furgão em forma de perua, mas sua proposta básica era de transportar
carga e não passageiros. Ainda levaria muito tempo para que, já com a
marca Nissan aplicada aos produtos de exportação, a empresa
desenvolvesse um verdadeiro utilitário esporte — robusto, mas com
estilo, conforto e conveniência adequados ao que os consumidores,
sobretudo os norte-americanos, desejavam desses "jipes urbanos". Seu
nome: Pathfinder, traduzível como aquele que encontra o caminho.
Lançado em maio de 1986, o Pathfinder seguia a concepção tradicional de
carroceria sobre chassi, usada pela maior parte dos concorrentes, como
os japoneses Toyota 4Runner, Isuzu Trooper e
Mitsubishi Pajero (Montero em mercados como os EUA) e o
norte-americano Chevrolet S-10 Blazer,
ainda em geração anterior à que seria feita no Brasil (o
Ford Explorer, também com chassi,
chegaria ao mercado só em 1990). Outro adversário, o Cherokee, preferia
a estrutura monobloco. A opção pelo
chassi separado permitiu à Nissan aproveitar muitos componentes de seu
picape médio, chamado de Hardbody Truck nos EUA, com evidente redução de
custos.
A primeira versão disponível tinha apenas três portas, assim como parte
da concorrência, pois o foco desses utilitários estava mais no público
jovem que nas famílias. Linhas retas formavam o desenho do Pathfinder,
que trazia como particularidades três vãos para tomada de ar no capô,
para-lamas dianteiros e traseiros abaulados e uma interessante
disposição das janelas laterais traseiras: os dois vidros eram separados
por uma estreita coluna inclinada, fazendo lembrar um picape que tivesse
recebido uma capota rígida sobre a caçamba. O estepe vinha em montagem
externa na traseira, dentro do espírito do tipo de veículo. Os
acabamentos eram XE e SE, este mais luxuoso.
Da linha de produção de Kyushu, no Japão saíam Pathfinders com
diferentes motorizações, das quais duas chegaram aos EUA: o motor de
quatro cilindros e 2,4 litros, com potência de 106 cv, e o V6 de 3,0
litros da série VG, com injeção monoponto,
145 cv e torque máximo de 24,8 m.kgf. Havia também opções a diesel de
2,7 litros, com aspiração natural e 84
cv ou com turbocompressor e 99 cv (mais
tarde com 113), mas os norte-americanos não as tiveram porque a economia
desse combustível, naquele país, não costumava compensar o maior custo
do propulsor e a desvantagem em desempenho.
Ao lado da caixa de câmbio manual de cinco marchas havia a automática,
com três marchas no início e quatro de 1987 em diante; trações traseira
e integral (temporária) estavam disponíveis. A suspensão dianteira
independente usava braços sobrepostos e barras de torção; na traseira
vinha um eixo rígido com molas helicoidais — preferíveis a feixes de
molas semielíticas, usadas em alguns utilitários esporte, quando o
objetivo é conforto e baixo ruído na rodagem — e havia opção por um
controle eletrônico de amortecimento, ajustável por botão no painel
entre os modos Conforto e Esporte. Os freios a disco estavam nas quatro
rodas, mas apenas as traseiras contavam com sistema antitravamento
(ABS).
Também para os pais
À medida que os
utilitários ganharam espaço nas garagens como carros de pais e mães e
não só dos filhos, a falta de uma versão de cinco portas passou a
incomodar os compradores do modelo da Nissan. A fábrica então lançou em
1990 essa opção, desenhada por seu estúdio de estilo em San Diego,
Califórnia, nos EUA — uma forma de atender melhor ao gosto ocidental.
Sem alteração nas dimensões, o Pathfinder manteve a criatividade no
estilo ao disfarçar as maçanetas traseiras, montadas nas colunas em
preto fosco atrás das novas portas.
Num relance a percepção era de haver apenas duas portas, pois
só as maçanetas dianteiras estavam no local habitual.
Continua
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