Interior mais confortável, freios a disco e chassi reforçado eram melhorias da terceira série do Seven, que continuava a ganhar motores mais vigorosos

Além dos motores Ford de 68 e 84 cv, o Series III podia receber o Lotus Twin Cam de 125 cv no Super Seven SS, que teve apenas 13 unidades

Com linhas mais retas e opção de capota rígida, o Series IV não teve a mesma aceitação dos anteriores: diziam que tinha muito jeito de bugue

 
Versão argentina
Em 1969, Jorge Mutio, Richard Vignoles e Edgardo Boschi conseguiram, pelas amizades que tinham dentro da Lotus, o licenciamento para produzir o Seven na Argentina. A licença exigia que os carros tivessem componentes locais, que deveriam seguir um padrão mínimo de qualidade.

O motor escolhido foi então o Fiat de 1,6 litro, com câmbio também Fiat de quatro marchas — ambos usavam bastante alumínio na construção, o que facilitava manter o baixo peso do carro. Mike Warner, então diretor da Lotus, foi para Buenos Aires e aprovou o protótipo, que passou a ser oficialmente um produto da marca Lotus, com direito de uso de seu logotipo, aprovado pelo próprio Colin Chapman.

O carro foi vendido apenas montado, tendo como única diferença externa para o inglês o escapamento mais escondido. A potência variava, dependendo da versão, entre 75 e 100 cv e havia opção de câmbio de cinco marchas. Um total de 51 carros foi produzido antes de Mutio e Vignoles saírem da sociedade. Boschi ainda construiu mais alguns exemplares, mas, como os responsáveis pela técnica eram os outros dois, a queda na qualidade levou à perda da licença. Vignoles e Mutio resolveram transferir a produção para o Uruguai, em paralelo ao uso de motor e caixa de quatro marchas do Renault 12.

O motor dianteiro era ligado à caixa traseira por um transeixo, já que no Renault a tração era dianteira. A potência ficava em 75 cv, mas a suspensão traseira tornava-se independente, um avanço em relação ao original inglês. Devido a algumas dificuldades o projeto não saiu do protótipo, mas Vignoles voltou a se envolver com o Seven cerca de 20 anos depois quando, morando nos EUA, construiu uma réplica com motor Lotus 907, o mesmo do luxuoso Elite dos anos 70.

Com isso, a aceleração de 0 a 100 km/h podia ser feita em 10 segundos. Os freios eram a disco da Girling. Havia ainda duas versões com o Ford 116E, de 1,5 litro, original ou com preparação Cosworth. No fim da produção, essa série passou a ser oferecida apenas em kit ou montada pela autorizada Caterham.

Lançada em 1968, a Series III foi produzida até o ano seguinte em total de 350 unidades, tanto em kit como montadas, sem contar as versões produzidas fora da Inglaterra. As rodas de aço passaram a ser de 13 pol, com a opção de serem de liga leve, e o chassi foi reforçado. O interior foi melhorado com bancos com mais estofamento — a falta de conforto dos assentos era um dos pontos negativos das séries anteriores —, assim como novos instrumentos no painel, e a capota passou a ter maior área transparente para melhorar a visibilidade. Os freios a disco na dianteira tornavam-se padrão para todas as versões.

O motor era o do Ford Escort 1,3 de fluxo cruzado, que produzia 68 cv, e havia opção pelo do Ford Cortina 1,6 com 84 cv. O Super Seven agora vinha em duas versões: S e SS. A primeira vinha com esse 1,6 modificado pelo preparador Holbay; já no SS estava o motor Lotus Twin Cam de duplo comando de válvulas, construído com base em um motor Ford, com preparo de Holbay. Com 125 cv, era o suficiente para o carro fazer de 0 a 100 km/h em 7 segundos e atingir 160 km/h. Apenas 13 unidades do SS foram feitas.

Havia ainda a versão Seven S (sem o prefixo Super), mais luxuosa, cujos bancos eram mais almofadados e revestidos em couro como o volante. Tinha ainda capota branca, carpete, rádio, suspensão cromada, vidros escurecidos e pintura — mas apenas na cor marrom. O motor era o Ford 1,6 com preparação Holbay, designado CFR, que fornecia 120 cv. Foram produzidas só 12 unidades. Essa série também foi feita na Argentina sob autorização da marca inglesa (leia ao lado).

A última versão do Seven produzida pela Lotus foi o Series IV — que, de tão diferente das anteriores, também recebeu o nome de Tipo 60. Tinha novo chassi e carroceria de plástico e fibra de vidro, feita com cinco peças. Os para-lamas dianteiros agora eram mais longos, estendendo-se até os para-lamas traseiros. A capota de tecido vinha com janelas deslizáveis em Perspex, um plástico leve e resistente, sendo que uma capota de fibra de vidro era oferecida como opcional. Ele foi produzido até 1973 em cerca de 1.000 unidades.

Os motores eram um Ford 1,6 de fluxo cruzado e o Lotus Twin Cam. O câmbio vinha do Ford Corsair 2000 E. A suspensão dianteira foi cedida pelo Lotus Europa, enquanto a traseira tinha eixo rígido de Escort. Os bancos estavam mais confortáveis, havia estrutura de proteção atrás da cabeça dos ocupantes, um novo painel de fibra de vidro que incluía cinzeiro e luz de leitura e, mais importante, espaço para ocupantes mais altos, o que aumentava o potencial leque de consumidores.

Apesar da evolução em relação ao anterior e do sucesso da Lotus na Fórmula 1, que trazia  ampla publicidade para a marca, o carro teve menor aceitação — os admiradores achavam a carroceria de fibra de vidro muito com jeito de bugue. Além disso, mudanças na legislação fiscal britânica aboliram a diferença de taxação entre os carros em kit e os automóveis prontos, o que tornou os primeiros pouco atraentes em termos de preço e levou, em 1973, a Lotus a desistir de produzir o Seven. Continua

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