Muito ampla -- quase cinco metros --, a perua XM Break seguia a linhagem das antigas DS e CX, mas as superava em muito na harmonia de estilo

Com teto mais alto que o do hatch, a Break comportava até 1.960 litros de bagagem e desfrutava a suspensão que mantinha constante a altura

 
No Brasil
Importadora de Veículos XM é como se chamavam as primeiras operações comerciais da Citroën por aqui, iniciadas em maio de 1991 depois da abertura do mercado aos estrangeiros. O XM ainda era novidade na Europa e representava o estandarte de tecnologia da Citroën, o que levou a empresa — controlada por Sérgio Habib, que se tornaria seu presidente quando começasse a fabricação de automóveis no País, em 2001 — a usar a sigla do modelo como sua própria marca.

E foi ele o primeiro Citroën a desembarcar no Brasil nessa nova fase, com o motor de 2,0 litros e o V6. Mais tarde, na linha 1993, vieram o Sensation Turbo CT e o Exclusive V6, este oferecido também como a perua Break. Penalizados pelo alto Imposto de Importação, os preços entre US$ 65.800 e US$ 85.200 (em 1993) tornavam-nos concorrentes de BMW 525i, Honda Legend, Mercedes-Benz Classe E, Toyota Camry e os Volvos 850 e 940/960.

Com as vendas restritas e o crescimento da linha Citroën, incluindo o Xantia — também dotado de suspensão Hidractive —, a gama XM era reduzida em 1995, restando disponível apenas o hatch V6, que foi importado até o fim de sua produção na Europa.
 

O motor turbo de 2,0 litros superava o V6 em torque com vantagens em peso e custo; a suspensão Hidractive passava à segunda fase em 1993

Sobre a suspensão, a revista opinou que trazia "uma sensação única. Direção precisa, estabilidade em curvas, modesta inclinação de carroceria e uma excelente compostura. Freios potentes e sensíveis". Outros atributos destacados no Citroën foram espaço e conforto no banco traseiro, os melhores do grupo em empate com o Ford, e facilidade de transporte de grandes volumes, por se tratar de um cinco-portas. Ao fim, a Car colocou-o em segundo lugar, atrás do Jaguar, e explicou: "Impressionou-nos muito. É o carro mais avançado aqui, o precursor de coisas ainda melhores por vir. Tais são as qualidades do Citroën que o teríamos posto em primeiro se ele chegasse ao refinamento de seu similar da Peugeot [o 605]".

A versão turbodiesel também enfrentou numerosos concorrentes — nove — em comparativo da francesa L'Automobile Magazine com os mesmos Alfa, BMW e Ford e ainda Fiat Croma, Lancia Thema, Opel Omega, Renault 25, Volvo 940 e o 605. O XM obteve o primeiro lugar em consumo e o segundo em conforto e equipamentos, mas foi apenas quinto em desempenho e comportamento e o último colocado em valor de revenda. A revista elogiou ainda o nível de ruído e a estabilidade, mas apontou o preço e as retomadas de velocidade como pontos críticos.

Mais potência, mais espaço  
Uma tentativa de melhorar a desenvoltura do XM era feita em julho de 1990 com a versão de 24 válvulas do motor PRV V6, com 200 cv e 26,5 m.kgf, que se traduziam em máxima de 235 km/h e 0-100 em 8,6 s. Como já acontecera com o DS e o CX, a Citroën apresentava em março de 1992 uma perua para essa linha, chamada de Break conforme a tradição francesa.

Seu estilo conseguia harmonia bem maior que os das antecessoras, pois as janelas laterais traseiras seguiam a altura do hatch após a quebra na linha de cintura existente nas portas de trás. Isso evitava a linha contínua na base dos vidros percebida nos antigos modelos e dava à XM Break um aspecto mais dinâmico. O teto era 5 cm mais alto e as lanternas traseiras retangulares tinham a parte interna fixada à quinta porta. A perua era realmente ampla, com 4,96 metros de comprimento (25 cm mais que o hatch), embora com o mesmo entre-eixos do carro.

O compartimento de bagagem acomodava de 720 a 1.960 litros, conforme a posição do banco traseiro. Em seu primeiro contato, a Quattroruote opinou: "O comportamento em estrada é caracterizado pela tradicional segurança da Citroën. A suspensão hidroativa mantém a dirigibilidade indiferente à variação do piso ou da carga e assegura uma estabilidade excelente. Bom também o conforto, embora em regimes mais elevados o motor [de 2,0 litros a gasolina] se faça sentir um pouco".

Outra solução para o baixo desempenho aparecia na linha 1993: o XM Turbo CT, sigla em inglês para torque constante. O motor de 2,0 litros recebia um turbocompressor com ênfase nas baixas rotações, o que resultava em 145 cv e 22,9 m.kgf a apenas 2.200 rpm — isto é, um torque próximo ao do V6 com bem menos giros. O resultado era muito positivo: máxima de 212 km/h, 0-100 em 9,8 s, retomadas muito ágeis e menor peso sobre o eixo dianteiro que na versão de seis cilindros. Além disso, em mercados como Itália e Portugal, que impunham impostos mais altos a carros de maior cilindrada, a versão conseguia um preço competitivo.

A adoção do turbo fez muito bem ao XM, como avaliou a Quattroruote em 1992: "Os técnicos optaram por uma superalimentação leve, com pressão máxima de 0,7 bar, banindo assim o clássico tranco da entrada do turbo em funcionamento, mesmo porque o objetivo não era tanto a potência máxima e sim obter um desfrute ideal em qualquer regime. A Citroën atingiu seu intuito", relatavam os italianos. "O XM perdeu a maior parte das deficiências da versão aspirada, como o ruído em alta rotação e a falta de flexibilidade com baixo número de giros. Graças a uma curva de torque plana e uniforme, o recurso ao câmbio é limitado, permitindo uma condução fluida".

No mesmo ano-modelo 1993 eram renomeadas as versões Séduction e Harmonie para Sensation e Présence, na ordem, e aparecia o acabamento de topo Exclusive. A suspensão passava à segunda fase, Hydractive II, lançada no Xantia. Curiosamente a Citroën nunca adotou no XM o sistema SC.CAR desse modelo, que atuava como estabilizador adaptativo e eliminava quase por inteiro a inclinação da carroceria nas curvas. Continua

Em escala
Poucos fabricantes interessaram-se em produzir miniaturas do XM. A francesa Norev chegou a oferecer o modelo nas cores verde escuro, vinho (versão inicial) e prata (já com a grade lançada em 1995), em escala 1:43.

O bom detalhamento incluía antena de teto, aerofólio e reprodução cuidadosa de diversos itens. Uma pena para seus admiradores que a peça não mais seja produzida.
A empresa Nostalgie tem em catálogo a versão inicial de 2,0 litros na cor cinza, em 1:43. O acabamento é apenas razoável, abaixo do que algumas marcas oferecem no mesmo tamanho.
A chinesa PMC Model oferece em 1:43 uma limusine em prata, cinza ou branco, com entre-eixos bem maior e traseira mais comprida. O detalhamento da miniatura, porém, deixa a desejar.

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