

Conforto de marcha da
suspensão bem acertada é destaque do Frontier, que poderia
melhorar com relação de direção menos desmultiplicada


A seleção da tração
nas quatro rodas, via comando elétrico, é indicada no painel;
falta mais precisão aos engates do câmbio de seis marchas |
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| MOTOR
- longitudinal, 4 cilindros em linha; duplo comando no cabeçote,
4 válvulas por cilindro. Diâmetro e curso: 89 x 100 mm.
Cilindrada: 2.488 cm3. Taxa de compressão: 16,5:1. Injeção direta
de duto único. Potência máxima: 144 cv a 4.000 rpm. Torque máximo:
36,3
m.kgf a 2.000 rpm. |
| CÂMBIO
- manual, 6 marchas; tração traseira ou temporária nas quatro
rodas com redução. |
| FREIOS
- dianteiros a disco ventilado; traseiros a tambor; antitravamento
(ABS). |
| DIREÇÃO
- de pinhão e cremalheira; assistência hidráulica. |
| SUSPENSÃO
- dianteira, independente, braços sobrepostos; traseira, eixo
rígido. |
| RODAS
- 7 x 16 pol; pneus, 255/70 R 16. |
| DIMENSÕES
- comprimento, 5,23 m; largura, 1,85 m; altura, 1,78 m;
entreeixos, 3,20 m; capacidade do tanque, 80 l; caçamba, ND;
capacidade de carga, 1.030 kg; peso, 1.980 kg. |
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Dados do fabricante; ND =
não disponível; desempenho e consumo não informados |
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Em termos de equipamentos, a versão SE nada mais é do que a XE, a
básica, dotada de todos os opcionais. Assim, vem com rodas de alumínio,
travas e retrovisores elétricos, ar-condicionado, freios com sistema
antitravamento (ABS), bolsas infláveis frontais, controle elétrico dos
vidros com função um-toque para o
motorista, rádio com entrada para MP3 e
alarme. Externamente, o SE se diferencia do XE pela grade e o
para-choque traseiro. Esta versão não tem opcionais previstos pela
fábrica, mas a rede de concessionárias oferece os acessórios da versão
avaliada: estrutura tubular de caçamba ("santantônio"), estribos,
protetor de caçamba, capota marítima, barras longitudinais no teto,
sensor de estacionamento traseiro,
frisos laterais e interface Bluetooth
para celular.
Rodar
confortável
Ao volante, o Frontier
impressiona bem pelo motor, cujos níveis de ruído e vibração são
bastante bons para um picape a diesel. O 2,5-litros responde com
vontade, ainda que só depois de 2.000 rpm, quando o turbo passa
realmente a impulsionar o ar para dentro dos cilindros. Outra sensação
positiva: o rodar é agradável para o tipo de veículo, com suspensão bem
calibrada, nem muito dura, nem macia demais. Equilibra muito bem sua
função de ser confortável com a responsabilidade de carregar mais de uma
tonelada, já que tem capacidade de carga de 1.030 kg. Interessante ainda
de se observar é o equilíbrio de compromisso entre a suspensão dianteira
e a traseira. Em muitos picapes (mesmo os de geração moderna, caso do
Toyota Hilux atual) a
suspensão traseira é muito mais dura que a dianteira, trazendo um sério
incômodo para os ocupantes quando o veículo está vazio — o que é
praticamente todo o tempo para muitos usuários. No Frontier isso não
ocorre.
No entanto, o modelo da Nissan apresentou duas características que
comprometem o prazer de dirigir. A primeira delas é o engate das
marchas: tanto pela falta de precisão quanto pelo posicionamento das
marchas, o motorista fica sem saber se de fato engatou aquela que
desejava ou alguma outra que fica ao lado. E sempre fica a sensação de
que a marcha não entrou como deveria. Vale notar que seu câmbio de seis
marchas não convence, pois as cinco primeiras foram encurtadas em
demasia e a sexta faz as vezes de uma quinta em um câmbio convencional.
A sexta, que deveria ser uma sobremarcha,
tem relação semelhante à da quinta de um câmbio convencional. Se fosse
mais longa o motor poderia trabalhar em uma rotação menor, com
benefícios ao consumo e ao nível de ruído.
Na prática, o motor girando à média de 2.000 rpm em velocidades normais
de viagem (metade da rotação de potência máxima) não incomoda, mas
denuncia um investimento desperdiçado na caixa de seis marchas. Ela
poderia ser de cinco e o carro ter o mesmo comportamento. O outro
aspecto negativo é a relação da caixa de direção muito desmultiplicada.
Para se ter uma ideia, para contornar uma esquina comum é necessária uma
volta completa no volante. Isso é muito para qualquer veículo. Rodando
em linha reta essa condição não se manifesta — talvez até torne o picape
mais seguro contra manobras não intencionais —, mas passa a incomodar
quando é necessário mudar de faixa no trânsito ou fazer uma manobra de
emergência. Também traz problemas no fora-de-estrada, condição em que
mudanças de direção podem ser necessárias de repente, como ao desviar de
um obstáculo.
O Frontier vem com pneus muito bons no asfalto, Bridgestone Dueler H/T
em medida 255/70 R 16, que se comportam de maneira exemplar, transmitem
bem a potência e os comandos do volante ao solo e colaboram com os
freios, sem ruído excessivo ao rodar. No fora-de-estrada, por outro
lado, derrapam com facilidade e comprometam as já criticas respostas do
volante. O veículo só não se mostra inadequado a essas condições em
função da tração 4x4, que é acionada por seletor eletrônico no painel,
mesmo em movimento, e inclui redução (esta requer parada para o
acionamento). Mas nesse tipo de terreno o bom comportamento da suspensão
se repete e o conforto continua intacto.
Em comparação com Toyota Hilux (R$ 99.300),
Mitsubishi L200 Triton (R$ 110.170),
Chevrolet S10 (R$ 90.572) e
Ford Ranger (R$ 97.665), todos com motor turbodiesel, o Frontier tem
um dos melhores compromissos entre conforto e desempenho
— que,
mesmo com o motor menos potente, está longe de ser insuficiente. Sua
suspensão está muito bem acertada e o motor é bem dimensionado. Ao preço
de R$ 97.890 na versão avaliada (sem os acessórios), não é barato, mas
se insere bem frente aos concorrentes. Os ajustes necessários — direção
e câmbio — são de fácil resolução pela Nissan, que tem a vantagem de
estar com um dos modelos mais modernos da categoria. |