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Fabricantes na
surdina
Em se tratando do GNV, o silêncio não se restringe ao motor. Os
fabricantes nacionais de automóveis são discretos e evitam falar sobre
a possibilidade de carros a gás saírem das linhas de produção, como o
monovolume Zafira CNG produzido pela Opel (veja
boxe). O BCWS fez uma consulta e todos eles deram respostas
parecidas: o gás natural está em análise.
A Fiat, por exemplo, limitou-se a informar que há um projeto para
produção de veículos com o kit GNV de fábrica, sem dar maiores
detalhes. Mesmo a General Motors, que homologou o kit para o Astra a
álcool, é discreta quanto a seus projetos. “A GM acredita no gás
natural, mas por enquanto não temos planos para oferecer esse produto
diretamente na concessionária”, disse um porta-voz da empresa.
Do outro lado, o mercado da conversão já possui até uma entidade
representativa, a Associação Brasileira do Gás Natural Veicular (ABGNV),
criada em fevereiro do ano passado. Segundo Antônio Mendes, consultor
da Associação, atualmente há cerca de 840 postos de combustível que
oferecem GNV, a maioria em São Paulo, Rio de Janeiro e alguns estados
do Nordeste, como Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Sergipe e
Bahia.
Já são 400 as oficinas credenciadas pelo Inmetro para realizar a
conversão, em um ritmo impressionante: são 15 mil por mês. “A frota de
carros convertidos para o GNV no Brasil é de aproximadamente 450 mil
veículos”, revela. Mendes está preocupado. Apesar de todas as
vantagens já provadas, o governo não estaria olhando o GNV como
prioridade energética. |
“O governo federal está preocupado com a
erradicação da fome e a criação de empregos, mas não temos clareza
sobre uma política para os combustíveis. Aparentemente, o álcool foi
novamente privilegiado”, afirma.

A economia do GNV chega a tornar
menos
atraente a compra de um caro motor diesel Apesar da falta de clareza quanto ao futuro dos
combustíveis no Brasil, o País está a caminho de uma nova primazia:
teoricamente, nada impede que um veículo
flexível em combustível utilize também o gás natural. Bastaria que alguma empresa
desenvolvesse uma central eletrônica adequada. Desta forma, teríamos
nas ruas um veículo tricombustível — gasolina, álcool e gás natural. É
esperar para conferir. Continua
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