> O GNV é seguro?
Sim, desde que o sistema seja instalado em uma oficina credenciada
pelo Inmetro — o velho ditado “O barato sai caro” deve ser
lembrado na hora de escolher o kit e a oficina.
> O que ocorre no caso de um vazamento?
Os sistemas homologados pelo Inmetro são bastante seguros e
resistem inclusive ao impacto de alguns calibres de balas. Havendo
vazamento, o gás natural, mais leve que o ar, dispersa-se
facilmente, o que reduz o risco de explosão. No caso de incêndio,
os cilindros não explodirão.
> GNV e gás de cozinha são a mesma coisa?
Não. O gás liquefeito de petróleo (GLP), nome correto do gás
de cozinha, é totalmente diferente e seu uso é proibido nos
automóveis. Tecnicamente, porém, não há impedimento em converter o
motor para GLP, como feito em alguns países europeus. Mas esse
gás, mais pesado que o
ar, se dispersa mal, aumentando o risco de explosão.
É importante destacar que é extremamente perigoso utilizar um
botijão de GLP em carros movidos a GNV. Como o cilindro de GNV é
extrusado e não possui costura, como o de GLP, é muito mais
resistente. A pressão de abastecimento, superior a 200 bar em
vários postos, faria com que o botijão de GLP explodisse, como já
ocorreu.
> Como é feito o abastecimento?
Ao chegar ao posto, o motorista abre o capô do carro. O frentista,
então, conecta uma mangueira em um bico, ligado ao cilindro do
porta-malas. Por questão de segurança, eventuais passageiros devem
sair do carro e a tampa do porta-malas permanece aberta durante a
operação.
O motorista deve saber que o volume do gás natural varia muito com
a temperatura. A capacidade do reservatório só é atingida quando a
temperatura for igual ou inferior a 15ºC. Acima disso não se tem
enchimento completo, o que reduz a autonomia com gás. Por isso,
vale a recomendação de abastecer de preferência à noite ou pela
manhã.
> Rodando com o gás, o carro perde potência?
Sim, pois além de o enchimento dos cilindros ser prejudicado pela
grande expansão do gás, o motor não foi projetado para rodar com o
gás natural, que possui características químicas diferentes da
gasolina e do álcool. O resultado é mais ou menos como, por
exemplo, se o motor 1,8 de um carro passasse a 1,6.
> Qual a economia real com GNV?
Depende do veículo, mas a economia gira em torno de 60% em relação
à gasolina, considerando o consumo e o preço dos dois combustíveis
à época deste artigo. Contudo, flutuações dos preços da gasolina
ou do gás podem afetar esta vantagem para cima ou para baixo.
> Qual a autonomia de um carro usando GNV?
Varia de acordo com o veículo e com o tamanho dos cilindros. Em
média, para uso urbano, a autonomia é de 180 a 200 quilômetros.
Embora seja um número baixo, é preciso lembrar que essa autonomia
está sendo acrescentada ao veículo, que continua com seu tanque de
combustível original.
> É preciso modificar a suspensão para o peso adicional dos
cilindros? |
Não é indispensável, mas pode ser interessante substituir as
molas por outras mais firmes. Embora os cilindros pesem em média
60 kg, menos que um adulto, estão montados praticamente sobre o
eixo traseiro, ou mesmo atrás dele, o que faz o peso incidir bem
mais sobre as molas posteriores do que o de uma pessoa no interior
do carro.
> Posso instalar o kit GNV
em meu carro de motor 1,0-litro?
Teoricamente, é possível. A adaptação, no entanto, não é
aconselhável porque o motor sempre perderá potência usando o GNV,
podendo se tornar fraco demais com o
novo combustível. Outro
problema é que muitos carros dessa cilindrada são hatches
compactos, que perderão boa parte do porta-malas para o cilindro
de gás. Por isso, recomenda-se a instalação em um carro maior e
mais potente.
> É possível adotar GNV em um motor com turbocompressor?
Não há impedimento técnico, mas é preciso que haja um kit adequado
a esse motor, seja original de fábrica (Gol, Marea, etc.) ou
instalado posteriormente. E não se sabe até o momento da
existência desse kit, porque o usuário de gás normalmente deseja o
menor consumo, na contramão do que costuma ocorrer com esses
motores.
> Motores a diesel podem rodar com GNV?
O motor do ciclo Diesel possui características de funcionamento
totalmente diferentes dos de ciclo Otto (gasolina e álcool), como
a queima pela compressão e não pela ignição. Adaptá-lo para uso do
gás natural é possível, mas requer modificações tão extensas que o
custo seria proibitivo.
> A gasolina e o gás se deterioram, caso fiquem muito tempo
no tanque?
Não é aconselhável deixar a gasolina parada no tanque por mais de
seis meses, sob risco de perda de suas propriedades. Já o gás não
apresenta esse problema. É aconselhável usar a gasolina Podium, da
Petrobras, que tem a menor taxa de envelhecimento de todas. Sai um
pouco mais caro mas compensa, pelo menor gasto de manutenção. E,
afinal, pouco se espera usar gasolina em um carro a GNV.
> Meu carro é antigo e usa carburador. Posso convertê-lo para o
gás?
Sim. Para esse caso existem kits específicos. Quando o gás natural
começou a ser oferecido no Brasil, no fim da década de 80, os
carros ainda usavam carburador.
> Qual a rede de postos atual para abastecimento com GNV?
São 840 postos (em maio de 2003), a maioria concentrada em São
Paulo, mas já existe posto em Resende, RJ, o que possibilita ir do
Rio a São Paulo usando gás.
> Quantas oficinas fazem a conversão para GNV?
São cerca de 400 oficinas. Esse número, no entanto, inclui apenas
as credenciadas pelo Inmetro. Certamente há mais oficinas fazendo
esse trabalho no Brasil, mas não se pode garantir que de forma
confiável.
> Como fica a garantia do carro novo convertido para GNV?
Com exceção do novo Santana e do kit da Rodagás para o Astra a
álcool, o carro perde a garantia de fábrica. |