Em 1953, Jacques Bernard — diretor da Bernard Moteurs, fabricante de caminhões — era chamado para gerir a Salmson. Contratou Eugène Martin, o autor das belas linhas de um cupê baseado no Peugeot 203 e apresentado no Salão de Paris de 1952. Bernard queria que o novo funcionário desenhasse um cupê de prestígio de média cilindrada, categoria pouco explorada na Europa naqueles tempos. No Salão de Paris de 1953 era revelado o Salmson 2300 S (Sport).

Em 1953 estreava o 2300 Sport, um cupê com capô longo, 2+2 lugares e bom desempenho: atingia 176 km/h

Com linhas simples e curvas e ampla área envidraçada, o 2+2 media 4,61 metros de comprimento, 1,64 m de largura, 1,35 m de altura e 2,58 de entreeixos. A carroceria em chapas de aço estava apoiada num chassi com longarinas. O peso era de 1.230 kg. Na frente havia dois faróis circulares e dois auxiliares retangulares, luzes de direção com desenho simples e grade com frisos horizontais e formas oblongas. Recebia pára-choques cromados, mas visto de lado era notável a ausência desse tipo de acabamento, à exceção dos contornos das janelas. Atrás as lanternas eram embutidas e o discreto emblema da marca ficava sobre a parte central do porta-malas. Não era de uma beleza ímpar, mas diferente e discreto.

Com bancos e forrações em couro de ótima qualidade, o interior acomodava muito bem quatro passageiros. Os instrumentos estavam inseridos no painel em chapa e, entre o velocímetro e o conta-giros, ficava um mostrador que agrupava nível de combustível, temperatura da água, pressão do óleo e amperímetro. Contava ainda com relógio. O volante de madeira, com três raios metálicos, ficava à direita apesar de ser um carro puramente francês. Como em quase todo Salmson, esta posição era adotada por puro modismo dos anos 20 e 30: era mais elegante o motorista sair já pisando na calçada. Mas nas ultrapassagens criava muitas dificuldades na Europa, exceto na Inglaterra (saiba mais sobre volante à direita).

O motor de 2,3 litros fornecia potência de 105 cv e o câmbio, com comando eletromagnético, facilitava bastante as mudanças

Debaixo do capô estava o bom e velho quatro-cilindros em linha com duplo comando de válvulas e câmaras hemisféricas, herdado da linha S4. Com bloco e cabeçote de liga leve, 2.320 cm³ e carburador de duplo corpo da marca Solex ou Weber, desenvolvia potência de 105 cv a 5.000 rpm e torque máximo de 20 m.kgf a 3.500 rpm. O câmbio de quatro marchas tinha comando eletromagnético, da marca Cotal: bastava um leve toque na pequena alavanca na coluna de direção para fazer as trocas. A tração era traseira.

O esportivo fazia de 0 a 100 km/h em 14 segundos e chegava à máxima de 176 km/h, números muito bons para a categoria e para a época. Sua suspensão era clássica: na frente, rodas independentes com barras de torção longitudinais; atrás, eixo rígido e molas semi-elípticas. Usava pneus na medida 165-14 em belas rodas raiadas. Seus concorrentes eram o francês Talbot T14 LS e os britânicos Jaguar XK 120, Bristol 403 e Alvis TD 21, todos muito exclusivos e com preços para poucos.

Além do cupê com alterações como os pára-lamas, Chapron fez uma versão de quatro portas e um conversível com base no 2300 S

Uma versão especial, denominada GS, era destinada às competições. Pesava 980 kg e chegava a 185 km/h. Brilhou nas pistas da Europa, tanto em circuitos como em ralis. Especialista em carrocerias especiais, Chapron fez um cupê diferente, um conversível e uma versão de quatro portas. Outra empresa que propôs carrocerias interessantes foi a Pichon e Parat, também francesa.

Em 1957 a atividade automobilística da empresa era encerrada, justamente no ano em que um modelo 2300 S vencia a 24 horas de Le Mans na categoria GT. Foram ao todo produzidos 243 unidades do 2300. Mas a Salmson ainda existe, fabricando peças para o setor aeronáutico e também no setor de bombas especiais de alta tecnologia.

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