

O SS era também muito mais
leve; logo que foi lançado, a compra pela De Tomaso levou a Maserati a
descartar o câmbio e os freios da Citroën
Foto: RM Auctions


Painel e volante mais
convencionais tomavam o lugar dos cedidos pela marca francesa; a versão
2000 GT evitava a sobrecarga fiscal na Itália |
O
câmbio de cinco marchas vinha da Citroën, assim como o sistema
hidráulico de assistência aos freios. O estepe na mesma posição do Bora
era estreito, de uso temporário, mas alguns carros tinham um ressalto na
tampa para abrigar o pneu de dimensões normais. Uma versão mais leve e
potente aparecia no Salão de Genebra em março de 1975: a SS, em que
carburadores Weber 44 e taxa de compressão
mais alta elevavam o rendimento para 220 cv e 27,5 m.kgf, para um
desempenho muito interessante, com ajuda do peso reduzido a 1.180 kg.
No ano seguinte a Maserati mudava de mãos, passando ao controle da De
Tomaso, o que levou ao abandono dos componentes compartilhados com a
Citroën. O câmbio passou a ser ZF, como o do Bora, e os freios adotaram
a mais comum assistência a vácuo. No Salão de Turim de 1977, em
novembro, era a vez de uma opção de menor cilindrada. Para atender ao
mercado italiano, em que a tributação a motores acima de 2,0 litros era
duplicada, a Maserati fez a versão 2000 GT, com 1.999 cm³ e os mesmos
carburadores Weber 44, para obter 170 cv (a altas 7.000 rpm) e 18,1
m.kgf e alcançar válidos 220 km/h. Como no Bora, uma grade preta foi
acrescentada ao capô dianteiro nos últimos anos.
Já em fim de carreira, o Merak SS era testado pela Autocar em
1981. O desempenho do motor V6 de 3,0 litros foi inferior ao de um
Ferrari 308 GTB ou um
Porsche 911 SC, com 0-96 km/h em 7,7
segundos e máxima de 230 km/h, mas ele revelou outros atributos. Foi
considerado confortável e "surpreendentemente silencioso em velocidade
constante, mas com um ronco delicioso em aceleração que cresce para um
berro de 5.000 rpm em diante".
O comportamento dinâmico permanecia um destaque: "Combina estabilidade
direcional comparável à de bons projetos com motor dianteiro a uma
disposição para responder a manobras repentinas, o que ele cumpre sem
complicações". Entre seus concorrentes mais diretos, segundo os
britânicos, estavam os alemães BMW 635 CSi e
Porsche 928 e o inglês
Lotus Esprit S2, além do Ferrari
e do 911 citados. Para a revista, "os fortes do Merak são o refinamento,
a estabilidade e o espaço interno em relação aos rivais".
Já na norte-americana Popular Mechanics, no mesmo ano, ele
participou de um superteste com 16 grandes esportivos, muito diversos em
desempenho e preço. Segundo a revista, "embora custe US$ 10 mil a menos
que o Ferrari 308 GTSi, ele é quase diretamente comparável em
desempenho. Mas, como no De Tomaso
Pantera, falta-lhe aquele carisma que faz de um Ferrari um Ferrari,
e de um Maserati, o Dodge dos carros exóticos".
Apesar dessa deficiência, o Merak agradou: "Mesmo com 10 anos de idade,
ele ainda tem ótima aparência. O motor é suave e silencioso, o chassi é
tão sofisticado quanto qualquer outro do teste, e a qualidade de
construção iguala-se à do Ferrari". O piloto Phil Hill considerou-o "bem
comportado de modo geral, mas não inspirador. Ele sai de frente nas
curvas, mas há a tendência de sair de traseira quando freado, o que pode
surpreender um pouco a menos que se saiba como controlá-la".
A produção do Merak prolongou-se até 1983, ajudada pelo menor consumo e
o preço mais comedido, em um total de 1.830 unidades, das quais 1.000
foram da versão SS e apenas 200 da 2000 GT; o ano de maiores vendas foi
1973. Depois desses modelos, a Maserati passou mais de 20 anos sem
voltar a usar motor central, que retornaria apenas com o
MC12 de 2004, desenvolvido a partir
do Ferrari Enzo. Por essa razão — e
pelo que representaram em estilo e desempenho naquele período turbulento
—, o Bora e o Merak têm lugar especial na galeria dos carros mais
memoráveis da marca do tridente.
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