Além da frente inclinada, o Continental adotava em 1984 molas a ar e amortecedores com controle eletrônico; freios ABS seriam item de série um ano mais tarde

Se o motor V6 como opção de entrada já rompia a tradição, o que dizer de um Lincoln a diesel? Pois ele foi oferecido com motor turbo da BMW

Linhas sóbrias e corretas, tração dianteira e sem oferta de motor V8: o Continental 1988 aproveitava soluções e órgãos mecânicos do Taurus

O motor continuava transversal, mas voltava a ter oito cilindros em "V" no modelo 1995, que aderia de vez à tendência de linhas arredondadas

Seu V8 de 4,95 litros com carburador de corpo duplo produzia 131 cv. Havia também um V6 de 3,8 litros e 112 cv — era a primeira vez em que um Continental saía de fábrica com menos de oito cilindros. A caixa automática de quatro marchas vinha com bloqueio do conversor de torque, para redução de consumo, e a retrabalhada suspensão McPherson na frente e de eixo rígido atrás ganhava eficiência com amortecedores pressurizados. Pesando 1.600 kg, ele tinha uma das melhores relações peso-potência entre os carros da companhia. Se no estilo o Continental corria atrás, no luxo e acabamento ele estava à altura do que se esperava de um Lincoln.

A direção assistida era regressiva, o que aprimorou a precisão das respostas ao volante em velocidade. Havia instrumentos digitais no painel, rádio eletrônico, computador de bordo e comandos elétricos para travas, vidros, antena, retrovisores externos (aquecidos) e bancos dianteiros. Toca-fitas, teto solar e rodas raiadas de alumínio eram opcionais. As vendas do Continental ficaram muito aquém do previsto, ainda que 20% acima das obtidas pelo Seville. O V6 saiu de catálogo para 1983, mas o V8 passou a contar com injeção eletrônica, a exemplo do que equipava o Town Car, e 140 cv. A versão Valentino Designer Series foi acrescida, ressaltando o hábito da Lincoln de associar o prestígio de grifes famosas ao acabamento de seus carros.

Em 1984 o modelo ganhou uma frente inclinada e painel redesenhado. A suspensão passava a adotar controle eletrônico e molas a ar e, além do V8, o Lincoln também estava disponível com um seis-cilindros turbodiesel de 2,4 litros e 114 cv, produzido pela BMW, o mais improvável motor de sua história. Essa opção duraria por mais um ano-modelo. Em 1985, as versões Valentino e Givenchy já contavam com sistema antitravamento de freios (ABS), o que seria item de série em qualquer Continental a partir de 1986. Nesse ano a injeção do V8 passou a ser do tipo multiponto sequencial, o que acarretou mais 10 cv. Em paralelo, o Mark deixava de ser identificado como Continental, oficializando o que sempre foi: um herdeiro desse automóvel, mas como modelo à parte. Assim seguiu a trajetória do Continental até que, no fim de 1987, fosse apresentada uma nova geração.
 
Sob o signo de Taurus   Em sua oitava evolução, o Continental trazia colunas traseiras bem menos inclinadas e um aspecto mais formal. Até a grade formava um conjunto mais harmonioso e horizontal com os faróis. Na traseira, nada de ressalto para o estepe. Lanternas largas e horizontais vinham pela primeira vez. Como não acontecia desde 1980, as medidas do modelo voltavam a crescer, agora para 5,21 metros de comprimento, embora os 2,77 m de entre-eixos fossem praticamente iguais. A plataforma do novo Continental era a mesma tão premiada no sedã médio Taurus, ainda que alongada. Dessa vez, a Lincoln fez bem em sua releitura de uma base mecânica já adotada pela Ford. Isso acarretou mais uma mudança na filosofia até então conhecida e associada ao nome mais tradicional da Lincoln: a tração passava a ser dianteira e não havia mais motor V8, sequer como opção.

Agora, o Town Car cumpria o papel de único sedã de luxo com motor V8 da marca. Em posição transversal e com injeção, o V6 tinha 3,8 litros e 140 cv para levar — com mais esforço do que deveria — 1.645 kg. Parecia uma continuação do V6 de 1982. O modelo herdava, com razão, aprimoramentos técnicos da geração anterior, como a direção com assistência regressiva e o ABS. A suspensão a ar agora tinha duplo nível de amortecimento. Verdade seja dita, a geração anterior foi um divisor de águas do ponto de vista técnico. A oitava arrematou do Taurus não só a tração dianteira como também a suspensão independente nas quatro rodas, dois aspectos inéditos em um Lincoln. Para 1989 o painel e o volante já eram reformulados para que o Continental viesse equipado com bolsas infláveis frontais.

Com preço bem inferior ao dos europeus, as vendas cresceram mais de 50% de 1988 para 1990. Uma nova caixa automática de quatro marchas, com controle eletrônico, vinha em 1991 ao lado de escapamento duplo e injeção sequencial, com o que o V6 entregava 155 cv. Outros refinamentos acrescentaram mais 5 cv à receita em 1992. A Lincoln ofereceu no ano seguinte bancos dianteiros individuais e câmbio montado no assoalho. Uma revisão na suspensão a ar, nova grade e discreta alteração na traseira marcaram o último ano dessa geração. Com a década de 1980 já encerrada, a era do comedimento iniciada ainda nos anos 70 parecia não fazer mais sentido para Detroit — o que hoje cobra seu preço. A última geração do Continental evidenciaria isso.
 
O retorno do V8   Lançado exatamente para o ano do 75º aniversário da Lincoln, o Continental 1995 representou um retorno à tradição em momento oportuno. Sob seu capô, a única opção de motor disponível tinha oito cilindros em "V", como acontecia de 1956 a 1980. Ele estava mais para um Mark VIII de quatro portas do que para os "iates terrestres" norte-americanos, mas a busca por melhor desempenho não significava um completo retrocesso. Uma herança do modelo anterior foi a tração dianteira com motor transversal. Continua

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