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Houve quem previsse que o
desempenho do GTB/4 levaria anos para ser desbancado; de fato, só 20
anos depois a Lamborghini o superaria |
"Estimulante
projétil"
A reação da imprensa ao GTB/4 não poderia ser melhor. A revista
norte-americana Road & Track considerou-o "o melhor carro
esporte do mundo — ou o melhor grã-turismo". Não menos satisfeita ficou
a inglesa Autocar, que o testou em 1971: "Não temos dúvidas de
que esse é o mais rápido automóvel hoje fabricado. Para nós, é o mais
estimulante projétil que já pudemos dirigir". E explicou as razões de
tanto entusiasmo: "Nunca antes pudemos acelerar um carro de 0 a 240 km/h
dentro dos limites da pista, e em qualquer aspecto o Daytona quebra
todos os nossos recordes anteriores de desempenho", o que incluía o
tempo do AC Cobra para o
quarto-de-milha (0 a 400 metros) de 13,9 segundos, superado em 0,2 s
pelo Ferrari.
Descrevia a revista: "Há um toque de carro de corrida no modo como o
motor sobe de giros, surgindo levemente se você abrir muito o
acelerador, e muito cedo. Ele então o catapulta à frente a partir de
3.500 rpm com um puxão de quebrar o pescoço, que deixa seu estômago para
trás e que parece entrar em frenesi todo o tempo até a faixa vermelha a
7.700 rpm". Quanto ao comportamento dinâmico, era "tudo o que se espera,
com limites de adesão bem além do que seria são e racional em vias
públicas. A atitude neutra é pouco afetada pela quantidade de potência
transmitida à estrada".
A conclusão da Autocar foi: "É difícil descrever
em palavras toda a excitação, a sensação e o entusiasmo desse grande
carro entre os carros de todos os tempos. Seu desempenho surpreendeu-nos
ao superar todas as expectativas por uma margem substancial. Para nós
ele tornou-se o apogeu do mercado de carros velozes". E arriscava uma
previsão que se mostraria muito acertada: "Levará anos até que as marcas
que obtivemos sejam batidas. Diante de tudo isso, o preço de 10.000
libras de alguma forma parece razoável".
Já na avaliação da revista Formula, que testou o 365 GTB/4
em 1970, seus destaques foram "motor potentíssimo e muito elástico,
estabilidade excepcional, direção muito precisa, excelente comando de
câmbio, posição de dirigir e conforto muito bons, e freios potentes e
bem graduáveis". Como pontos negativos, a publicação apontava
"acabamento interno melhorável e consumo relativamente alto". A revista
assim concluiu a avaliação: "Na seleta categoria dos grã-turismos de
dois lugares, o Daytona não tem praticamente concorrência, e parece
impossível encontrar outro carro com um equilíbrio tão perfeito entre
seu desempenho e a possibilidade de efetuar longos deslocamentos em
condições de apreciável conforto", a essência de um grã-turismo
Continua
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