


Esse GTS/4 de 1971 já trazia o
volante de couro; décadas depois, os Daytonas continuam uma referência
em desempenho daquele período
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A céu aberto
O protótipo de uma
versão conversível do Daytona aparecia em 1969 no Salão de Frankfurt,
com a designação 365 GTS/4, para Spyder, termo habitual da Ferrari para
modelos abertos. Dotada de capota de lona disponível em diferentes
cores, como preto, azul e bege, teve produção bastante reduzida — 127
unidades, a grande maioria vendida nos EUA —, mas cerca de 100 cupês
foram transformados em conversíveis por diferentes empresas.
Até que a produção se encerrasse, em 1973, foram construídos 1.411
Daytonas, sendo 1.284 cupês. Ele foi o último Ferrari de 12 cilindros
lançado antes que o comendador vendesse a marca ao grupo Fiat, em junho
de 1969. Foi também seu derradeiro 12-cilindros vendido de forma oficial
nos EUA até que chegasse o
Testarossa em 1984 — no período entre esses modelos, a Ferrari
julgou que o volume de vendas não compensaria os investimentos para
atender às normas de segurança e emissões poluentes daquele mercado.
Tanto tempo depois, o 365 GTB/4 permanece um supercarro muito comentado,
uma referência de seu período. A disputa com o Miura foi reproduzida,
mais de 40 anos depois, pelo site norte-americano Insideline
ao dirigir os dois italianos em 2009. Como eles se comparavam? "Não é
surpresa, mas eles estão separados por milhas, e não há dúvida de que
têm apelo a pessoas diferentes. O carro de Sant'Agata usufrui suas
credenciais de carro esporte, enquanto a oferta de Maranello é uma
criação bem mais sóbria, um grã-turismo capaz de devorar continentes sem
qualquer sinal de indigestão".
No mesmo ano a revista Octane dirigia o cupê ao lado de
duas outras gerações de grã-turismo da Ferrari: o Testarossa dos anos 80
e o F550 Maranello dos anos 90. A publicação descreveu: "No papel,
contra os dois carros mais novos, o Daytona não parece tão rápido quanto
costumava ser, mas nas estradas do mundo real a questão é diferente. Os
seis grandes Webers não fluem muito bem em baixas rotações, e ao
arrancar o carro é um pouco lento, mas levante as rotações e ele se
torna um monstro".
Conceitos do Daytona permanecem em Ferraris modernos, como o
599 GTB Fiorano. Em 2009, o
site MSN Cars colocou-os lado a lado: "O desempenho [do
365] ainda parece visceral. O ronco profundo do V12 está lá, até depois
de 7.000 rpm, e a aceleração não é menos que espetacular: ele empurra
cada vez mais forte enquanto a rotação sobe. Você tem de trabalhar duro
— a direção é pesada ao extremo. Contudo, não demora para se perceber
que esse carro tem alma e, quanto mais rápido você anda, melhor ele
fica".
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