



Grade, detalhes nos
pára-choques, moldura de placa e retrovisores vêm em cinza no MP3, que
de resto se parece muito com os Kas mais simples: não há rodas de
alumínio ou mesmo um logotipo alusivo ao motor 1,6
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Nesse mundo pasteurizado de carros de quatro portas, com posição de
dirigir de minivan e escapamento abafado, que tal um carro pequeno e
baixinho de três portas que acelera como esportivo, faz curvas como
esportivo e ronca como esportivo, bem-equipado por R$ 36 mil?
O Ka sempre foi um carrinho interessante, mas nas versões de 1,6 litro
torna-se algo mais: um daqueles automóveis que convidam a escolher o
trajeto mais longo entre dois pontos, desde que recheado de curvas.
Essas boas sensações, conhecidas desde o lançamento do esportivo XR em
2001, repetiram-se com a versão MP3, apresentada como uma série
especial, mas com a perspectiva pela Ford de que se mantenha em produção
normal.
O preço, porém, está longe de ser promocional. Considerado um pacote de
opcionais do Ka Action (que existe desde 2003), o MP3 acrescenta apenas
o sistema de áudio que deu nome à série, detalhes de acabamento em tom
prata e
comando elétrico da tampa traseira. Por tão pouco cobra salgados R$
1.150, o que leva o valor total a R$ 36.110 — sem bolsas infláveis ou
mesmo rodas de alumínio, que só vêm no XR. Caro ou barato, depende do
ponto de vista. É verdade que se pode ter um Fiesta ou mesmo Focus, bem
mais espaçosos e confortáveis, com a adição de poucos milhares de reais. Por outro lado, na faixa do
Ka não se compra
nada tão divertido.
E a diversão é discreta: ao contrário do chamativo XR, ele tem o visual
de um simples Ka, sem o excesso de adereços do esportivo da linha — nem
um logotipo 1.6 é aplicado. Além de não chamar a atenção dos
amigos do alheio nem da polícia rodoviária, dá o gostinho de surpreender
quem só esperava mais um meio de transporte de garota universitária...
A primeira pista de que este Ka não é apenas isso é o ronco do
escapamento, talvez o mais audível dos carros nacionais de hoje. Audível
e provocante, pode-se dizer, pois convida a acelerar marcha após marcha,
vendo a rápida ascensão do ponteiro do conta-giros (até o limite de
6.200 rpm, que poderia ser mais alto) e a pequena queda de rotação a
cada troca. As relações são tão próximas entre si (saiba
mais sobre técnica), e o carro tão bem-servido de torque em baixa
rotação, que se pode usar só primeira, terceira e quinta sem que os
passageiros percebam. Mas isso seria desprezar uma das coisas que ele
faz de melhor — acelerar.
Continua |