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Como
já havia ocorrido com o Fiesta (leia
avaliação), a Ford adicionou ao EcoSport o tempero de poder rodar
com gasolina ou álcool, puros ou misturados em qualquer proporção. Para
isso lançou mão de sua plena capacidade de engenharia, o que resultou no
motor mais próximo do ideal entre todos os flexíveis até agora.
A decisão de escolher a versão de motor 1,6-litro para ser
"flexibilizada" deve-se tanto ao fato de ser a versão mais vendida (70%)
quanto já existir em outro modelo, o que facilita a produção no pólo
industrial de Camaçari, região da Grande Salvador, Bahia. A linha de
montagem é compartilhada com o Fiesta, cuja versão flexível, sedã e
hatchback somados, já superou a marca de 10.000 unidades.
A mudança implicou tão-somente o motor, pois o resto do EcoSport
permanece igual a antes, em características gerais e itens de série e
opcionais. As três versões — XL, XLS e XLT — continuam a existir. A
única alteração externa em todas elas é o novo emblema-palavra Flex
na tampa traseira, lado direito. Pela novidade o consumidor paga em
média mais 10,1%, provando novamente que alguém está bancando a
capacidade flexível, e esse alguém a fábrica é que não é.

O "flex de entrada", o XL, aumentou de R$ 43.590 para R$ 47.080, 8%
mais. Já o XLS foi de R$ 44.790 para R$ 50.510 — 12,7% mais, ultrajante
—, enquanto o XLT foi para R$ 53.640, salto de 9,5% sobre R$ 48.990. Por
outro lado, quem já apreciava a versão 1,6-litro anterior, somente a
gasolina e que deixa de existir, agora tem motivos para apreciá-la ainda
mais: a potência do motor Zetec RoCam subiu de 98 para 105 cv quando
abastecido com o combustível de origem fóssil, ganho nada desprezível. E
passa a contar com 111 cv se resolver abastecer com álcool.
Muita tecnologia
Se o
consumidor vai ter de pagar mais pelo EcoSport Flex, por outro lado
haverá recompensa. A Ford adiantou-se bem à concorrência no quesito taxa
de compressão, elevando-a substancialmente, medida essencial quando o
combustível é o álcool, em razão de sua excelente resistência à
detonação. No 1,6 flexível essa taxa é
de nada menos que 12,3:1 (supera por um ponto a mais alta até então, do
2,0-litros da Chevrolet). |
Todos os demais situam-se abaixo de 11:1, chegando à inadmissível taxa
de apenas 9,7:1 do Renault Clio Hi-Flex. Sempre é bom lembrar que a
eficiência térmica de um motor, que é a conversão de energia em
trabalho, e a taxa de compressão caminham juntas.
Como 12,3:1 é uma taxa muito alta para motores a gasolina, e o EcoSport
(e o Fiesta Sedan 1,6) foi previsto para esse combustível, de
especificação comum ou aditivada, a Ford resolveu adotar controle
individual de detonação. Dessa maneira, cada cilindro funciona com seu
avanço de ignição ideal com qualquer dos combustíveis, o que resulta em
desempenho máximo sem risco de danos ao motor. Outra medida de grande
importância é a válvula termostática do circuito de arrefecimento
controlada eletronicamente.

Identificado apenas
pelo logotipo, acima, o motor flexível de até 111 cv traz mais agilidade
ao EcoSport 1,6
O
item, inclusive, é um desenvolvimento da própria empresa, que já
requereu patente. A peça, que responde em grande parte pela temperatura
do líquido ao regular seu fluxo entre o motor e o radiador, permite o
funcionamento em temperaturas diferentes e ideais segundo o combustível
usado, impossível com válvula mecânica. Com
álcool a temperatura do líquido fica 6° C mais alta.
Há inúmeros outros detalhes que denotam trabalho cuidadoso. Caso, por
exemplo, da liga metálica dos pistões, para reduzir ao máximo a
dilatação, e a do cabeçote, tornando-o mais resistente diante da alta
taxa de compressão e da elevada pressão média de trabalho resultante —
cerca de 26% maior do que a do motor a gasolina anterior. A elevada taxa
de compressão foi conseguida mediante desenho especial da cabeça dos
pistões, que além de tudo melhoram a eficiência da combustão.
Válvulas receberam blindagem especial de Stellite F no contato com as
sedes e estas são de cromo-molibdênio-vanádio, pois o
álcool é bem menos lubrificante do que a gasolina. As tubulações de
combustível e o sistema de escapamento são de aço inoxidável, para
proteção contra o ataque químico do álcool. Como resultado de tudo isso,
a Ford garante mais de 240.000 quilômetros ou 10 anos de vida útil para
o motor.
Continua |