

Identificados como 2.4 e 3.4
Litre, os modelos da série Mark I adotavam estrutura monobloco, a
primeira em um Jaguar, e linhas arredondadas


O interior luxuoso seguia a
tradição da marca inglesa; sob o capô da versão de 3,4 litros, os 210 cv
permitiam alcançar mais de 190 km/h |
A
marca inglesa Jaguar, fundada em 1922 como Swallow Sidecar Company —
fabricante de sidecars, carrinhos para acoplamento lateral a motos — por
Sir William Lyons e William Walmsley, usou pela primeira vez em 1935 o
nome do felino, ainda como SS Jaguar. Depois da Segunda Guerra Mundial,
a empresa retomou a produção de sedãs anteriores ao conflito
apresentados em 1936: a série composta pelos modelos 1½ Litre, 2½ Litre
e 3½ Litre (em alusão aos motores com cilindradas próximas a 1,5, 2,5 e
3,5 litros) e mais conhecida como Mark IV.
Eram carros tradicionais em estilo e concepção técnica, com carroceria
sobre chassi, suspensões por eixos rígidos com feixes de molas
semielíticas e motores de quatro e seis cilindros. O último deles, do
modelo 1½ Litre, foi produzido em 1949. Com a mudança para a fábrica de
Browns Lane, em 1951, a empresa ganhava capacidade de produção bem maior
e condições para retornar a esse segmento de sedãs de porte médio,
menores que os grandes Mark V e
Mark VI então em fabricação. Oferecer um carro desse tipo permitiria
ampliar suas vendas no mercado local e reduzir a dependência das
exportações, mais vulneráveis a mudanças no cenário econômico
internacional.
Era apresentado em 1955 o Jaguar 2.4 Litre, que junto à versão 3.4 Litre
passaria à história com a designação não oficial de Mark 1 (assim mesmo,
em algarismo arábico em vez de romano) depois de serem ambos
substituídos pelo Mark 2. O modelo trazia novidades técnicas importantes
como a estrutura monobloco, usada pela
primeira vez em um Jaguar. Suas linhas arredondadas e elegantes
integravam bem os faróis e para-lamas ao corpo da carroceria, enquanto a
grade dianteira trocava a forma retangular do antigo 1½ Litre pela oval.
No conjunto, o carro lembrava o maior Mark VII, mas era bem mais
compacto: 4,60 metros de comprimento, 1,69 m de largura, 1,45 m de
altura e 2,73 m de distância entre eixos. O peso estava em 1.270 kg. No
interior, bem-acabado e confortável como já era habitual na marca, o
painel trazia apenas dois instrumentos à frente do motorista, ficando
outros montados na seção central, o que facilitava a conversão para uso
de volante à esquerda em mercados de exportação.
O primeiro Mark 1, o 2.4 Litre, usava uma versão reduzida do motor de
seis cilindros em linha e 3,45 litros, com duplo comando de válvulas e
câmaras de combustão hemisféricas,
lançado no esportivo XK 120.
O curso de pistões reduzido, que trouxe a cilindrada para 2.483 cm³ —
arredondada para baixo na denominação do carro —, deixou-o com
potência bruta de 112 cv. Para a época
seu desempenho era muito bom, com velocidade máxima de 163 km/h e
aceleração de 0 a 96 km/h em 14,4 segundos pelo teste da revista inglesa
The Motor.
Dotado de câmbio manual de quatro marchas com alavanca na coluna de
direção e a opção de caixa overdrive
Laycock de Normanville (como se fosse uma quinta marcha, só que aplicada
pelo comando de um botão), o modelo usava suspensão dianteira
independente montada em subchassi, com
braços sobrepostos e molas helicoidais, e traseira por eixo rígido com
barra Panhard e molas de quarto de
elipse. Curioso era o arranjo das bitolas: atrás, era 11 centímetros
mais estreita que na frente, o que deixava a aparência um tanto
estranha. Os freios ainda usavam tambores nas quatro rodas, pois os
discos estavam em desenvolvimento, e os pneus
diagonais tinham a medida 6,40-15.
Continua
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