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O perfil esportivo, que o
diferenciava bastante do Golf, impunha espaço limitado no banco traseiro
para duas pessoas, como no modelo antigo


Scirocco temperado: a versão R
chegava em 2009 com o motor turbo de 2,0 litros modificado para 265 cv
-- de 0 a 100 bastavam 5,8 segundos |
Na
avaliação da revista inglesa Autocar, a versão GT com motor 2,0
turbo foi elogiada pela "excelente relação custo-benefício, conforto e
estabilidade de primeira classe e praticidade", enquanto a visibilidade
traseira e o visual que não agradava a todos foram os pontos críticos. A
matéria descrevia: "Seu ótimo desempenho é plenamente competitivo com o
de rivais como o BMW 125i Coupe
e o Volvo C30 T5. Pela
calibração da suspensão, as bitolas mais largas, o
centro de gravidade mais baixo ou a
combinação dos três, uma das coisas mais gratificantes que você
descobrirá sobre o Scirocco é que, apesar da plataforma e do trem de
força em comum, ele não transmite a sensação de um Golf. Você se senta e
guia o carro com as pontas dos dedos, apreciando o tato da direção e o
adorável acerto do chassi sensível ao acelerador. Ele é sempre
confortável, razoavelmente firme, mas nunca áspero, mesmo no uso
urbano".
Outra britânica, a Evo, colocou o Scirocco turbo de 2,0 litros
lado a lado com BMW 123d, Mazda RX-8 e o C30 T5. As impressões foram
boas: "Ele se sente bem desde o início, com a posição de dirigir baixa e
as bitolas largas dando tranquilidade, o motor e a caixa DSG nervosos e
alertas. Mas o que causa a maior impressão inicial é o conforto de
rodagem. Nosso carro tinha os amortecedores adaptativos e os três modos
— Conforto, Normal e Esporte — fazem exatamente o que prometem. Em
Esporte o pequeno cupê pode ser colocado em curvas com precisão e
confiança, mesmo sem ter a direção mais comunicativa aqui. Alterar para
o modo Conforto muda o caráter do Scirocco, deixando-o mais
descontraído. Sua unidade com turbo ganha rotações rapidamente — você
até percebe um leve ronco de aspiração."
A revista admitiu que o VW "é o mais 'redondo' dos quatro" e deu a
vitória ao Mazda pelos atributos de seu chassi, mas o jornalista não
teve dúvidas: "Eu ainda ficaria com o Scirocco, é claro". Uma versão de
alto desempenho com o motor V6 de ângulo estreito (15 graus) e 3,2
litros do antigo Golf R32 chegou a
ser estudada, mas a necessidade de conter as emissões de
CO2 levou a VW a trabalhar na unidade de
2,0 litros para oferecer o mesmo patamar de potência. Em configuração
semelhante à dos Audis S3 e TT-S,
o motor entregava 265 cv e 35,7 m.kgf no Scirocco R, lançado em 2009, e
resultava em máxima limitada a 250 km/h e 0-100 em 5,8 s com caixa DSG.
Novas rodas de 18 pol, anexos aerodinâmicos e tomadas de ar mais
pronunciadas davam um ar intimidador que combinava com seu desempenho.
No mesmo ano, também em nome das baixas emissões, a linha ganhava a
versão BlueMotion, em que o motor 1,4 turbo vinha associado a melhorias
na aerodinâmica, câmbio mais longo e pneus de baixo atrito para reduzir
o consumo. A versão turbo a gasolina de 2,0 litros passou em 2010 a
render 211 cv, sem aumento de torque, por adotar
variação do tempo de válvulas.
Depois de uma longa hibernação, o Scirocco retomou o papel ocupado pelas
duas primeiras gerações na linha Volkswagen: o de opção mais esportiva
ao Golf, em que uma concessão em espaço interno é feita em favor de
linhas mais dinâmicas e um jeito mais jovial. Se os tempos mudaram, esse
hatch com aspecto de cupê soube se adaptar às transformações ao avançar
em desempenho, segurança e conforto, sem perder a identidade e o charme
que atraem o público-alvo desse tipo de carro.
Aquele vento que começou em 1974 e deixou de soprar por 16 anos voltou
com o ímpeto de um tornado.
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