Sem perder o jeito retilíneo, o Camry de segunda geração estava com linhas mais suaves; nessa fase ele ganhou "cidadanias" australiana e norte-americana

Com interior espaçoso e bem-equipado, esse Toyota ganhava motores mais potentes, como o de 16 válvulas e seu primeiro V6, com 2,5 litros

Se não havia mais o dois-volumes, uma perua atendia aos que queriam mais espaço; a tração integral All-Trac foi oferecida para a versão V6

Naturalizado nos EUA   O ano de 1986 marcava a estreia da segunda geração do Camry. Desta vez o hatch desaparecia, cedendo lugar a uma versão perua. As linhas estavam um pouco suavizadas, embora os traços retos predominassem. Frente mais baixa, faróis afilados, para-choques proeminentes e mais envolventes, lateral discreta, grande área envidraçada, linha de cintura bem baixa e colunas finas, que criavam ar de amplidão no interior, eram a marca registrada dos japoneses da época. As lanternas traseiras continuavam horizontais e davam classe ao conjunto. A traseira da perua era bastante reta, com grande vidro e bom espaço para a bagagem.

Por dentro o painel era amplo, com um ressalto apenas à frente do motorista. Podia haver apoio de braço dianteiro e, como em outros carros do mercado norte-americano, a faixa diagonal dos cintos de segurança vinha presa às portas — ao fechá-las ela automaticamente se ajustava ao corpo dos ocupantes, ficando a faixa abdominal por ser colocada. E as medidas mudavam pouco: comprimento igual para sedã e perua (4,52 m), altura 1 cm maior para a segunda (1,38 m), 1,69 m de largura e entre-eixos de 2,60 m. O peso crescia mais, sendo 1.240 kg para o sedã e 1.295 kg para a perua. No ano seguinte o primeiro Camry produzido fora do Japão saía da fábrica australiana de Port Melbourne.

O motor básico era o 1,8 com 86 cv, mas havia também um 2,0 com quatro válvulas por cilindro e câmbio manual de cinco marchas ou automático de quatro. Podia receber carburador ou injeção eletrônica e nesse último caso entregava números um pouco melhores, 118 cv e 17,4 m.kgf. Em 1988 um novo motor estreava na gama: um compacto V6 de 2,5 litros e 158 cv com injeção e 24 válvulas, além de duplo comando. Já o quatro-cilindros de 2,0 litros passava a 129 cv. Outra novidade bem-vinda era o sistema de tração integral All-Trac oferecido nos carros com motor V6. No Japão existia ainda a versão GT, que usava o antigo 2,0 do Celica e trazia rodas de 15 pol e painel de instrumentos digital. Esse ano marcava também o início de produção do Camry na unidade de Georgetown, no Kentucky, EUA. Na Austrália o motor 2,5 V6 chegava em um Camry importado do Japão, bastante caro e que vendeu poucas unidades.

A Popular Science comparou o Camry DLX 1988 ao Accord LXi, ao Nissan Stanza GXE e ao Renault Medallion. Com o novo motor de 2,0 litros e 16 válvulas, o Toyota saiu-se melhor em aceleração e consumo. O texto descrevia-o como "tão suave que estaria em casa em um Porsche", com um "comportamento relaxado normalmente encontrado só em carros com motor V6". Ele esteve entre os piores em frenagem e estabilidade, o que a revista relativizou: "Claro, compradores de Camry não estão à procura de comportamento de Porsche. Considerado como um sedã familiar, o Toyota é quase perfeito. Bancos dianteiros largos e confortáveis, assento traseiro que realmente acomoda duas pessoas e o maior porta-malas do grupo. Como em todo Toyota recente, a qualidade dos materiais e da construção é excelente." A maior crítica foi aos cintos com a faixa diagonal automática. Ao fim, o comparativo deu a vitória ao Accord.

Em 1989,  com o motor V6, era a vez de enfrentar concorrentes norte-americanos na mesma Popular Science: Dodge Spirit, Chevrolet Corsica e Ford Tempo. Dessa vez o Camry destacou-se pelos freios e a direção e foi mediano em estabilidade, mas apenas o terceiro em aceleração. Para a revista, suavidade ainda era o ponto alto do Camry: "Seu trem de força estabelece o padrão do grupo em facilidade de operação. (...) Seu motor jamais faz um murmúrio e a suspensão faz a estrada parecer pavimentada com creme. O interior é confortável e silencioso, mas falta caráter ao carro: seu estilo é genérico e a suspensão foi suavizada às custas do comportamento."

Nos EUA o Camry estava disponível nas versões básica, DX e LE. A mais luxuosa, com o V6 e caixa automática, servia de base para o Lexus ES 250, primeiro modelo médio da nova divisão de prestígio da Toyota, que havia começado pelo grande LS 400. Em 1991 os freios com sistema antitravamento (ABS) se tornavam opcionais no V6, no LE e na perua. Essa segunda geração, bastante popular nos EUA, reforçou a boa imagem que os carros japoneses já desfrutavam naqueles tempos. Continua

Nas telas
Um dos carros mais vendidos nos EUA e sucesso também em outros países, não é de se espantar que vemos tanto o Camry nas telas do cinema ou da TV. Quando não é o carro típico da classe média norte-americana, ele está bem inserido na paisagem urbana, aparecendo de relance como bom figurante.

Nos EUA um modelo 1983 é visto em uma das cenas do ótimo seriado A Gata e o Rato (Moonlighting, 1985-1989) com Cybill Shepherd e Bruce Willis. Outro de mesmo ano atropela um pedestre no filme Gonin (1995), um violento longa de Takashi Ishii, espécie de Quentin Tarantino do Japão. Mais atropelamento na comédia Cara, Cadê Meu Carro? (Dude, Where's My Car?, 2000).

O Camry parece um carro ideal para as noivas. Um 1986 aparece no curto seriado The Worst Week of My Life (2004-2006) e no filme Será que Ele É (In & Out, 1997), comédia que traz Kevin Kline e Joan Cusack, a noiva em questão que sai dirigindo seu Camry paramentado depois de ser deixada no altar.

Um modelo 1987 aparece em cenas de ação em A Décima Primeira Hora (The Eleventh Hour, 2008), longa que mostra a vida de um ex-fuzileiro da marinha que tem a esposa sequestrada. Com uma bomba implantada na cabeça dela, ele é obrigado a matar um senador em menos de 12 horas.

O seriado All Saints (1998-2009), da Austrália, usa e abusa do Camry em vários episódios. A história é mais um drama médico que se passa no fictício All Saints Western General Hospital. Nos episódios vemos alguns modelos estacionados ao acaso ou ainda como carro de algum personagem. Destaque para um 1987 que é incendiado em uma das cenas. Em outro seriado daquele país, The Sleepover Club (2003-2007) ou Clube dos Pijamas em Portugal, um grupo de rapazes lava uma perua da geração lançada da Austrália em 1993.

Podemos ver vários outros modelos nos seriados Miami Vice (1984-1989), Veronica Mars (2004-2007), Without a Trace (2002-2009), Crossing Jordan (2001-2007), Família Soprano (The Sopranos, 1999-2007) e Donas de Casas Desesperadas (Desperate Housewives, desde 2004), onde inclusive um Solara conversível aparece com uma das personagens.
The Worst Week of My Life Gonin
Cara, Cadê Meu Carro? Será que Ele É
All Saints Veronica Mars

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