Em vez das retas, curvas: o terceiro Camry vinha todo suave e arredondado, dentro dos padrões de estilo dos anos 90, e estava bem mais comprido

Com ajuste elétrico de bancos, teto solar e muito espaço no confortável ambiente interno, esse Toyota conquistava de vez os Estados Unidos

Apesar de oferecer motores de quatro e seis cilindros e até um banco adicional para duas crianças, a perua fez poucos adeptos pelo estilo

Para atender a vários gostos   Em 1990 o Camry tomava rumos diferentes no Japão e nos mercados dos EUA e Austrália. Na terra do sol nascente a nova geração, denominada V30, apareceu em julho sob o nome Scepter, pois o nome Camry, naquele mercado, era usado em um carro menor. Em 1991 o mesmo carro, mas com frente e traseira mais modernas e outras modificações menores, chegava aos demais países onde fazia sucesso. E mudava bastante. A carroceria estava mais arredondada, com frente baixa e para-choques envolventes na cor do veículo. Faróis e luzes de direção, antes retangulares, agora assumiam um formato arredondado nas pontas. O para-choque era mais protuberante nos EUA, para atender a exigências legais de proteção em impactos, mas esteticamente o efeito era bom.

Nas laterais, nada de vincos: tudo muito limpo com um friso discreto nas portas. A coluna traseira perdia a janela e as lanternas ocupavam toda a parte posterior, para um efeito de bom gosto. A traseira da perua, contudo, tinha lanternas estranhas que não combinavam com o restante do carro. Um cupê também estaria disponível de 1993 em diante, mas com pouco sucesso. Por dentro o carro estava mais agradável aos olhos, com painel envolvente de formas curvas que se repetiam nos painéis de portas. O sedã media 4,77 m de comprimento (a perua tinha 4 cm a mais), 1,77 m de largura, 1,40 m de altura e entre-eixos de 2,61 m. A suspensão era independente nas quatro rodas. Em 1991 o Camry V6 japonês recebia um sistema de esterçamento das quatro rodas, com pequeno ângulo para as traseiras, denominado Prominent 4WS.

Nos EUA o Toyota renovado chegava como modelo 1992, oferecendo apenas caixa automática. Junto às versões DX e LE chegava uma mais luxuosa, a XLE, e outra mais esportiva, a SE. Essa última recebia motor V6, rodas de alumínio, defletor traseiro, retrovisores pretos e a suspensão esportiva do "primo" Lexus ES. O luxo da XLE ficava por conta de revestimento em couro, teto solar com comando elétrico e banco do motorista com ajuste elétrico de posição. A versão perua apelava para o espaço para sete ocupantes e alguns modelos foram produzidos nos EUA com volante no lado direito para exportação ao Japão, em uma inversão do que acontecia antes que os nipônicos montassem fábricas em território norte-americano. O resultado das mudanças deu ao Camry a posição entre os 10 carros mais elogiados da revista Car and Driver nos anos de 1992 e 1993.

Um motor de 2,2 litros e quatro cilindros, que entregava 130 cv e 20 m.kgf, era adicionado à gama. Em 1994 um V6 todo novo, com bloco e cabeçotes de alumínio, estreava nos EUA produzindo 188 cv e 28 m.kgf. Nesse ano um retoque visual era realizado no Camry. A frente mudava pouco, mas na traseira o porta-malas perdia o prolongamento das lanternas em favor de uma peça na mesma cor da carroceria com o nome do modelo em letras espaçadas. O motor 2,2 perdia 5 cv para se adequar às normas de emissões poluentes. O que as novidades significavam?

Em 1993, em meio à análise de opiniões dos donos, a Popular Mechanics acrescentou a sua: "O Camry passou de apenas muito bom para excelente. A qualidade que o destaca é quão pouco estardalhaço ele produz em seu trabalho. O V6 é um motor soberbo — suave, silencioso e potente — que ajuda a fazer do carro uma das melhores companhias de viagem em sua classe. A versão quatro-cilindros não é tão convincente. A aceleração é mediana e o motor demonstra esforço quando o motorista requer mais potência." Continua

No Brasil
Amplo, potente e confortável, o Camry não poderia faltar no catálogo da Toyota assim que o fabricante iniciou suas importações de automóveis, em 1992. De início recebemos apenas o XLE da terceira geração com motor V6 de 3,0 litros em um pacote luxuoso, que incluía caixa automática e fartos equipamentos de série, como era habitual no segmento. Fazia boa oposição a modelos como Honda Accord (embora este ainda não tivesse versão V6), Nissan Maxima e o Chevrolet Omega nacional.

No ano seguinte chegava a versão mais simples LE, com motor de 2,2 litros e 16 válvulas. A perua Camry SW ofereceu ambos os acabamentos e motores, mas apenas em 1993 — além de representar uma categoria de mercado com baixíssimo volume, o estilo estranho da traseira não deve ter ajudado. Depois de receber a quarta e a quinta geração, como as do mercado norte-americano, nosso mercado chegava à sexta geração do Camry (foto) em 2006, quando ele adotava o motor V6 de 3,5 litros e 284 cv como padrão na única versão disponível, XLE.
Para ler
O Camry não desperta interesse nos entusiastas a ponto de merecer um livro de história, mas seu fabricante certamente é alvo de grande curiosidade pelos que analisam a indústria e querem entender os segredos do sucesso da marca japonesa.

The Toyota Way - por Jeffrey Liker, editora McGraw-Hill. Se os japoneses têm a fama de bons construtores de automóveis, a Toyota certamente contribuiu bastante para o fato. Em 330 páginas, Liker esmiúça os detalhes de comando da marca e sua filosofia de trabalho, como a transformação de todo empregado em um inspetor de qualidade ou a eliminação de tempo ocioso.
Claro que alguns de seus produtos mais famosos, entre eles o Camry, são mencionados como exemplos positivos.

Toyota's Supply Chain Management: A Strategic Approach to Toyota's Renowned System - por Ananth Iyer, Sridhar Seshadri e Roy Vasher, editora McGraw-Hill. O trio de autores, entre eles um ex-executivo sênior da companhia, mostram em 240 páginas todo o sistema de produção da marca japonesa, a forma como ela lida com a cadeia de recursos e até mesmo os cuidados com relação aos funcionários. A eficiência é exemplificada em conceitos como variedade de produtos, velocidade da cadeia produtiva e visibilidade dos processos para melhorias constantes.

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