Uma grade preta no capô dianteiro, que passou a abrir para frente, foi uma das poucas mudanças externas do Bora durante seus oito anos de produção Foto: RM Auctions

De frente o Merak mal se distinguia do Bora, mas a traseira tinha outro formato, com tampa horizontal para o motor e duas barras de ligação

Não só o motor era Citroën, mas também o volante de um só raio e os instrumentos ovalados; atrás dos bancos havia dois pequenos lugares

No mercado norte-americano, um para-choque saliente e luzes de posição adicionais eram montados na frente para atender às normas locais. O motor 4,9 passava a ser de série também no mercado europeu em 1975, só que com melhor rendimento — 320 cv e 49 m.kgf. Houve ainda leves mudanças visuais, caso do capô dianteiro (antes articulado atrás e depois na frente, considerado mais seguro por ser mantido fechado pelo vento), das coberturas dos faróis (ganharam contorno arredondado) e da adoção de uma grade preta no mesmo capô.

Foram fabricados 530 Boras até o encerramento da linha, em 1979, sendo 1972 o ano de maiores vendas — não parece ser coincidência o fato de que, um ano depois, a crise do petróleo veio tornar menos atraentes os carros de elevado consumo.

Merak, o Bora Júnior   Quando a Maserati recebeu aprovação da Citroën para projetar o Bora, os planos já incluíam o desenvolvimento de um carro esporte de menor potência, o Tipo 122, para competir com Ferrari 308 GT4 e Lamborghini Urraco. Um ano depois do modelo V8, aparecia no Salão de Paris em outubro de 1972 o Merak, denominado como uma estrela da constelação de Beta Ursa Maior e que alguns logo apelidaram de "Bora Júnior".

O batismo não oficial era justificado, pois o novo carro mantinha o desenho do já conhecido, só que associado a um motor V6. E o momento não poderia ser mais oportuno, pois o aumento no preço da gasolina tornava convidativa a opção por uma unidade de menor consumo. Para o grupo francês, era também a oportunidade de ampliar nos carros da Maserati o conteúdo de componentes comuns aos modelos da Citroën.

Se de frente o Merak era praticamente igual ao Bora (mudavam apenas grade e para-choque), a seção traseira tinha novo formato: o capô do motor vinha plano, sem o vidro traseiro quase horizontal ou as janelas laterais, embora houvesse ligações do teto até a extremidade traseira — removíveis em caso de manutenção do motor — para dar a sensação de fastback a quem o visse de lado.

Os carros eram diferentes também por dentro, pois o V6 vinha com o painel de instrumentos ovalados e o volante de um só raio do Citroën SM. Contudo, não demorou para a marca italiana adotar um painel próprio e um volante de quatro raios. As últimas unidades viriam com os mesmos componentes usados pelo Bora. O Merak trazia ainda um pequeno banco traseiro para duas pessoas que, como esperado pela posição do motor, servia apenas para pequenos trajetos ou para levar crianças sem muito conforto. Ainda assim, um carro com sua arquitetura mecânica oferecer mais que dois lugares é um fato raro em toda a história.

Quando se abria o grande capô, a visão era também diversa entre o Bora e o Merak. No lugar do V8 estava um V6 de 2.965 cm³, usado desde 1971 pelo SM de exportação para os Estados Unidos (seria oferecido na Europa mais tarde, associado a um câmbio automático), mas montado invertido em 180 graus em relação ao carro original. A curiosa configuração de 90 graus entre as bancadas — nos V6 é mais comum o ângulo de 60 graus, que resulta em menores vibrações — era explicada pela origem do projeto, um V8 no qual Giulio Alfieri trabalhara em 1965, mas que fora abandonado.

Com bloco e cabeçotes de alumínio e três carburadores Weber 42 de corpo duplo, o seis-cilindros produzia 190 cv e 26 m.kgf (ante 170 cv e 24,1 m.kgf do SM) e levava o Merak à máxima informada de 240 km/h, bastante boa para sua proposta. Em termos de estrutura, mais novidades: para reduzir custos, o chassi tubular do Bora dava lugar a um monocoque com um subchassi mais simples para abrigar o motor. Continua

Em escala
O Bora (foto superior à esquerda) do primeiro ano-modelo, 1972, foi reproduzido com alta qualidade pela alemã Minichamps na escala 1:43. Apesar do pequeno tamanho, a miniatura, disponível nas cores preta, amarela e vermelha e sempre com teto no tom do aço inoxidável, mostra com precisão os detalhes do esportivo. A mesma empresa oferece o Merak 1974 (embaixo) em um tom claro de azul e em vermelho.
Em igual escala, o Bora (ao lado) e o Merak vermelhos da IXO Models também mostram acabamento muito bom, que permite conferir os detalhes desses Maseratis com motores de oito e seis cilindros.
A empresa Sonic produz uma versão especial: o Merak vem em metal cromado, um interessante acabamento para um carro de belas linhas. Feito na escala 1:43, vem sobre uma base de madeira.

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