

No interior requintado, opção
entre banco inteiriço ou dois individuais


O LTD Crown Victoria dos anos
80, ainda com estilo conservador, e uma perua das últimas séries LTD, já
com frente de aspecto mais atual |
Ainda com carroceria sobre chassi, ele adotava a plataforma Panther, que
também serviria a modelos Lincoln e Mercury por várias décadas. Suas
linhas eram clássicas, com uma grade larga (e cromada) mais alta em
relação às laterais. De cada lado vinham dois faróis retangulares. De
lado recebia vincos discretos e o interior apostava no painel retilíneo,
com velocímetro na horizontal. O acabamento mais luxuoso, o Landau,
vinha com teto de vinil e opções como ar-condicionado com controle
automático de temperatura e bancos dianteiros individuais.
Sem
esse opcional, o câmbio na coluna de direção liberava espaço para um
banco inteiriço na frente e o entreeixos ainda generoso garantia o
conforto dos passageiros de trás. Com a nova silhueta o LTD ganhava em
dirigibilidade e até em economia de combustível, calcanhar-de-aquiles
dos modelos anteriores. Inicialmente era equipado com os motores de 4,95
litros (132 cv, 31,2 m.kgf) e 5,8 litros (144 cv, 39,4 m.kgf) e os
discos já apareciam nos freios dianteiros.
Um ano depois o nome Crown Victoria ressurgia como uma versão de
acabamento superior do LTD. O carro recebia um contorno cromado que ia
da coluna central até a traseira, como se fosse um teto de vinil, da
mesma forma que no cupê Fairlane de 1955. Em 1983 havia uma separação na
linha: o LTD Crown Victoria reinava sozinho no topo da gama Ford e o LTD
básico ficava com o segmento dos médios, utilizando a plataforma Fox, a
mesma que serviria ao Mustang
até 2004. Este modelo menor, derivado do Ford Fairmont, usava motores de
quatro cilindros e 2,3 litros, seis cilindros em linha e 3,3 litros, e
V8 de 4,95 litros. Mas logo seria substituído por outro sucesso, o
Taurus.
As linhas do LTD Crown Victoria não fugiam à regra daquele tempo, mesmo
porque seu público-alvo era mais conservador. Continuavam retas e os
cromados estavam por toda parte, até na soleira das portas. A frente
ainda era a mesma. Os pára-choques vinham cromados, assim como a enorme
grade quadriculada, frisos, calotas e retrovisores. A lateral exibia
traços limpos, sem terceira janela, e o
balanço traseiro era enorme, o que dava ampla capacidade ao
porta-malas — cuja tampa de caída suave terminava com lanternas simples
e quadradas. Além da perua LTD Country Squire, um cupê completava a
linha, mas ele durou pouco e hoje é disputado por entusiastas e
colecionadores.
O conforto estava garantido com direção assistida, revestimento
do piso em carpete, bancos reclináveis em tecido de qualidade, luzes de
cortesia e rádio AM/FM estéreo. Com o passar do tempo, poucas mudanças
de estilo chegaram ao LTD, mas o conforto aumentou com o ar-condicionado
de série e as opções de volante com regulagem de altura e travas
elétricas das portas. A opção Brougham era a mais completa e requintada.
O LTD Crown Victoria mantinha os motores V8 da linha Windsor, o 302 e o
351, com potências de 132 e 161 cv, na ordem. A caixa de câmbio era
automática de quatro marchas, que aposentou a maioria dos câmbios
antigos da linha Ford, como o Cruise-O-Matic e o C5.
Continua
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