


Motor de 1,8 litro com alto
torque deixa a Adventure mais rápida, ainda que seja bem mais pesada; a
suspensão é bastante alterada na versão



A unidade de 1,6 litro da X-Gear
precisa de mais rotação para entregar boas respostas, mas a suspensão
sem mudanças cativa pelo conforto |
Mecânica,
comportamento
e segurança
Maior cilindrada ou quatro válvulas por cilindro, qual a melhor opção?
As duas escolas estão em competição aqui, pois o motor Renault de 1,6
litro da Livina recorre a 16 válvulas para obter potência pouco inferior
à do 1,8 de oito válvulas da Idea — também fornecido por outra marca, a
General Motors. São 112 cv com gasolina e 114 com álcool para a Fiat e
104/108 cv para a Nissan, que no entanto perde por grande margem em
torque: 14,9 e 15,3 m.kgf, na ordem, ante 17,8 e 18,5 m.kgf a um regime
mais baixo na oponente.
Essa diferença não fica tão evidente ao dirigi-las por um importante
fator: peso. A Adventure tem nada menos que 132 kg adicionais à X-Gear,
massa demais para um carro que é mais curto (uma das razões pode ser a
altura da carroceria, já que vidros e colunas pesam bastante). Assim,
com relação peso-potência até mais favorável, a Livina anda tão bem
quanto a Idea, mas precisa de mais rotações para acompanhá-la. Ambas
estão em boa medida para carros familiares, em que há potência
suficiente para acompanhar o fluxo em qualquer condição, mas não para
atender a anseios esportivos. Na simulação de desempenho do Best Cars,
a Nissan foi pouco superior em velocidade máxima e a Fiat em aceleração e
retomada, enquanto no consumo a vantagem foi da primeira por
larga margem (veja dados e
análise detalhada). Os dois motores têm níveis de ruído e vibração
aceitáveis, mas na X-Gear uma reverberação na faixa de 2.500 rpm é
sentida nos pedais.
Comando de câmbio é um destaque da Livina, com engates leves e precisos,
mais que os da apenas razoável Idea — até a marcha à ré é mais simples
de usar na Nissan, como se fosse a sexta marcha, enquanto a Fiat requer
uso de um anel-trava que poderia ser eliminado, já que existe trava
interna contra engate indevido. Os freios de ambas mostram
dimensionamento correto e trazem sistema antitravamento (ABS) e
distribuição eletrônica de pressão entre os
eixos, tudo de série. A Livina acrescenta
assistência adicional em frenagens de emergência e volta a cativar
pela direção com assistência elétrica, bem leve em baixa velocidade —
muito apreciada pelas mulheres — e com peso correto em alta. Na
Adventure o sistema é hidráulico e, embora preciso, não oferece o mesmo
conforto nas manobras.
A calibração de suspensão é um ponto alto de qualquer Livina: molas,
amortecedores e os próprios pneus mostram escolha exata, o que pode ter
relação com o fato de ser um veículo projetado na origem para países
emergentes, com precárias condições de piso. Ela toma curvas com
desenvoltura e absorve bem as irregularidades, trazendo um rodar
confortável mesmo em terrenos acidentados. O jeito de andar da Adventure
é diferente de outras Ideas: notam-se bem os pneus grandes e pesados e a
maior altura de rodagem. O conforto é um pouco prejudicado, mas não
chega a incomodar; já a estabilidade até surpreende para um carro com
sua altura e seu vão livre do solo. Os pneus de uso misto não são
ásperos e, ao contrário da
Palio
Adventure Locker, é boa a estabilidade direcional em alta
velocidade. Os dois modelos transpõem lombadas muito bem.
Naturalmente, no uso fora de estrada a Fiat sobressai pela melhor
aderência dos pneus mistos na terra (provavelmente também na lama,
embora nenhuma delas seja adequada para isso), os 20 mm adicionais de
vão livre, com 185 ante 165 mm, e o bloqueio de diferencial Locker (saiba
mais), que ajuda bastante na tração em baixa velocidade em locais
mais difíceis. Mesmo assim, quem precisa apenas de um bom carro apto a
encarar o "fora de estrada urbano", com seus buracos, valetas e
lombadas, e estradas de terra de vez em quando, com vão livre acima da média
e rodar confortável, pode escolher a Nissan sem risco de decepção.
A Idea leva vantagem em iluminação, não só pelos faróis de longo alcance
(com uso vinculado ao do facho alto dos principais), mas também pelas
unidades de duplo refletor, com facho
mais definido mesmo em farol baixo e um facho alto bem superior ao dos
conjuntos de refletor único da Livina. Ambas têm faróis de neblina e
repetidores laterais das luzes de direção, mas não luz traseira para
nevoeiro; os retrovisores externos são amplos e
convexos mesmo do lado esquerdo.
Diferença importante em visibilidade está nas colunas dianteiras: duplas
e mais avançadas na Idea, elas criam enorme e perigoso ponto cego, algo
que espanta por ter sido aprovado no projeto original europeu. Nesse
aspecto o formato mais tradicional da Livina, com colunas simples e mais
recuadas, melhora muito o campo visual e aumenta a segurança — pena que
a vantagem não se estenda à parte traseira, onde as colunas espessas
prejudicam a visão.
A dotação de segurança passiva é
equivalente: bolsas infláveis frontais de série (apenas para o motorista
no caso da X-Gear básica; a avaliada é a SL),
pretensionadores dos cintos dianteiros e
cintos de três pontos apenas para quatro dos ocupantes — a Idea ao menos
vem com encosto de cabeça para o passageiro central atrás, ao contrário
da Livina.
Continua
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