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Conservador, o CR-V não parece mais novo no interior, mas mostra mais capricho nos tons e texturas; "parênteses" ajudam a economizar


 

 

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Embora com acabamento de qualidade como o do oponente, o RAV4 é muito simples por dentro; ambos trazem os mostradores sobrepostos

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Ambos são dotados de variação de válvulas, mas a cilindrada do Honda (em cima), menor em 400 cm3, se traduz em menos potência e torque

Os dois modelos trazem conveniências como ar-condicionado automático de duas zonas de ajuste de temperatura, controlador de velocidade, espelhos iluminados em ambos os para-sóis, comandos do sistema de áudio no volante, porta-luvas com tranca, alças de teto até para o motorista, comando interno para o bocal de abastecimento, alerta para porta mal fechada (mas no Honda informava qual delas; hoje não mais), volante revestido em couro e apoios de braço à frente e atrás.

Vantagens do CR-V em detalhes são teto solar com acionamento elétrico (no concorrente, só em versão 4x4), para-brisa com faixa degradê, porta-óculos de teto conjugado a um espelho convexo para monitorar crianças no banco traseiro, interface Bluetooth para celular, faróis e limpador de para-brisa com acionamento automático, mensagem de voz para o motorista atar o cinto, temporizador de faróis, configuração de funções e destravamento em separado da porta do motorista (fator de segurança). O RAV4 responde apenas com luzes de cortesia no assoalho dianteiro, dois porta-luvas e regulagem de intervalo do limpador de para-brisa.

Alguns itens poderiam melhorar. No Honda, a alavanca que abre o bocal do tanque está no local esperado para a do capô; esta na verdade fica bem escondida, a ponto de ter sido preciso sair do carro, olhar e tatear toda a região até encontrá-la. A tampa de seu porta-luvas bate nas pernas do passageiro, um detalhe mal pensado. No Toyota o capô é pesado ao extremo e falta cobertura no compartimento de bagagem, algo que não víamos por muito tempo. Nenhum deles traz sensores de estacionamento, que a câmera de ré do CR-V supre apenas em parte (até se habituar, é difícil saber quando se está realmente perto do veículo de trás). E deve haver poucos adeptos aqui para a buzina aguda ("bibi"), um padrão japonês.

As amplas dimensões fazem deles carros espaçosos, tanto na frente quanto atrás, com destaque para o espaço a pernas e cabeças — este último ainda mais expressivo no Honda. Em ambos, eventual passageiro no centro do banco traseiro é penalizado por um encosto duro e, no CR-V, sua presença desloca os colegas das laterais para uma região menos ergonômica do banco.

O RAV4 traz ajuste longitudinal do assento, em cerca de 15 cm, e oferece acomodação razoável até com o banco todo avançado para máxima capacidade de bagagem; por outro lado, sua posição baixa em relação em assoalho deixa as pernas mal apoiadas (o CR-V usava ajuste semelhante na geração anterior, agora descartado). O encosto do Toyota pode ser reclinado em seis posições, contra apenas duas do Honda, pois também aqui houve simplificação no novo modelo.

A capacidade de bagagem do RAV4 não é informada no Brasil nem a localizamos no exterior dentro do padrão atual de medição, que é até a cobertura divisória (inexistente nele) ou o topo do encosto traseiro. Como referência, dados dos EUA apontam 1.030 litros até o teto, quase o mesmo que os 1.053 do CR-V declarados no mesmo país. Assim, recebem a mesma nota. Até a cobertura cabem 589 litros no Honda. Nos dois, práticos comandos no porta-malas fazem cada seção do banco traseiro se rebater, sistema que no Honda é ainda mais elaborado. E há mais uma divisão em seu encosto (40:20:40 com assento 60:40), enquanto no concorrente todo o banco é segmentado em 60:40.

A porta do CR-V abre-se para cima, e a do RAV4, para o lado direito, errado para nós (certo no Japão, que segue a mão inglesa no trânsito). Com isso, dá livre acesso pelo lado esquerdo, que em geral está oposto ao da calçada por aqui. Ao menos a Toyota previu três pontos de parada para a tampa: permite abri-la em locais apertados sem risco de que se abra mais e bata em uma parede ou outro carro. Diversidade também quanto ao estepe, guardado sob o assoalho no Honda e preso à tampa por fora no oponente, mas ambos usam roda de alumínio e pneu igual aos de rodagem.

No exterior esses utilitários oferecem motores de 2,4 litros (e também um vigoroso V6 no RAV4), mas o CR-V vem ao Brasil com o de 2,0 litros. Dotada de variação de tempo de abertura e de levantamento das válvulas, essa unidade de quatro válvulas por cilindro obtém maior potência específica que a do RAV4, em que apenas o tempo das válvulas varia (saiba mais sobre técnica), mas a cilindrada mais alta ainda deixa o Toyota à frente: 170 cv e torque de 22,8 m.kgf ante 155 cv e 19,4 m.kgf do Honda.

Com pesos próximos (68 kg a menos no RAV4 por causa da tração em duas rodas) e uma marcha a mais no câmbio do CR-V, a diferença de desempenho pode ser percebida: o RAV4 acelera com mais desenvoltura e não precisa recorrer com tanta frequência às altas rotações. Ponto positivo em comum aos dois é o funcionamento suave e silencioso, sendo que o Honda ganha um som "ardido", típico de motores de alto rendimento, quando levado à faixa de 5.000 rpm na qual a fase mais "brava" do comando de válvulas está em ação. Seu ponto máximo para trocas automáticas, cerca de 6.750 rpm, está bem acima das 6.000 rpm do Toyota.

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