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Faróis elipsoidais equipam os dois carros, mas no CR-V não iluminam tão bem; o RAV4 (embaixo) traz ainda repetidores laterais de direção


 

 
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Em ambos a estabilidade convence; poderiam melhorar a absorção de impactos no Honda (em cima) e os amortecedores firmes no Toyota

Os câmbios automáticos operam bem, mas oferecem pouca interação; o do CR-V (em cima) tem cinco marchas, uma a mais que no oponente

O RAV4 revelou desempenho superior na simulação do Best Cars, mas não por larga margem, caso da aceleração de 0 a 100 km/h em 1,3 segundo a menos (12,4 ante 13,7 s do CR-V), e o mesmo se aplicou a velocidade máxima e retomadas. Ajudaria se a Toyota lhe aplicasse uma quinta marcha, até mesmo para conter a rotação em viagem, pois a 120 km/h seu motor gira 450 rpm a mais que o do concorrente. Esse fator, associado a outros como a menor cilindrada, deixou o Honda claramente favorecido em consumo de combustível (veja a análise detalhada).

O novo CR-V dispõe do programa econômico de direção, ativado pelo botão Econ no painel, que afeta parâmetros como resposta ao uso do acelerador (mais lenta), pontos de troca do câmbio (antecipados), controlador de velocidade (aceita maior perda nos aclives e faz retomadas mais lentas) e ar-condicionado (usa mais a recirculação e menos o compressor). É uma fácil configuração do carro para uma condução mais eficiente, embora o motor já modesto fique parecendo ainda mais. O que precisa ser revisto é o ganho de velocidade quando se aciona a retomada via controlador: é tão lento que se acaba ajudando com o acelerador.

As caixas automáticas funcionam com grande suavidade, mas são escassas em recursos para intervenção do motorista. No Toyota há posições para cada marcha (são quatro), e no Honda, posições para as duas primeiras e um botão para tirar de ação as duas últimas (de cinco). É pouco para situações como descidas de serra, em que pode ser desejada a troca frequente de marcha para proporcionar freio-motor antes de curvas, por exemplo. Um comando sequencial seria ideal.

Ambas as caixas tendem a passar a marchas mais altas quando se desacelera, o que impõe maior uso dos freios, e costumam reduzir antes do esperado quando se abre mais o acelerador (ou se usa o controlador de velocidade), o que aumenta o nível de ruído e o consumo. No segundo aspecto, acionar o modo Econ deixa o Honda mais agradável, pois o motor passa a ser mais explorado em médias rotações. Mesmo assim, manter simples 120 km/h em vias com aclives moderados chega a provocar redução de quinta para terceira com o controlador ativado. Certamente seria possível em quarta.

O CR-V EXL vem com tração integral do tipo sob demanda (saiba mais), recurso útil para situações fora do asfalto, mas limitado em uso mais severo. O uso de modernas suspensões deixa esses utilitários com comportamento de automóvel: absorvem bem as oscilações do piso e contornam curvas com eficiência, respeitadas as limitações de veículos um tanto altos em relação ao solo. Ressalvas: no CR-V os impactos são mais transmitidos do que o desejado, talvez por pneus e buchas muito firmes, e no RAV4 houve exagero na carga de amortecedores, o que sacrifica o conforto em pisos mais ondulados.

Vantagem importante do Honda é vir de série com controle eletrônico de estabilidade e tração (com botão para desativação), item de segurança que deveria se tornar padrão em veículos desse gênero. Seus pneus mudaram na nova geração a fim de obter melhor comportamento em asfalto: passaram do Bridgestone Dueler H/T — usado pelo RAV4 em mesma medida — para o H/P Sport. Como curiosidade, o do Honda tem código de velocidade mais baixo, T em vez de H do Toyota, o que pode ter como objetivo amenizar a aspereza de rodagem.

As direções com assistência elétrica estão bem calibradas, ao deixar o volante macio em manobras e preciso em velocidade. Exclusivo do CR-V é o MA-EPS (saiba mais). Os freios bem dimensionados contam com sistema antitravamento (ABS), distribuição eletrônica entre os eixos (EBD) e assistência adicional em frenagens de emergência, mas no Toyota a resposta ao pedal está muito abrupta. Conveniente no Honda é a retenção dos freios em aclives por alguns segundos, quando se libera o pedal, até que passe ao acelerador.

Embora tecnicamente empatados, com seus refletores elipsoidais para facho baixo e de superfície complexa para alto, os faróis distinguem-se na eficiência: os do CR-V são prejudicados pelo facho simétrico, uma daquelas exigências absurdas da legislação dos Estados Unidos. Seria oportuno se a Honda pudesse trazê-lo com os faróis assimétricos de padrão europeu, como faz com as lanternas traseiras, que aqui usam luzes de direção em tom âmbar e nos EUA em vermelho.

No RAV4, além dos faróis, nota-se a especificação Europa na presença de luz traseira de neblina (ainda que pareça improvisada) e de repetidores laterais das luzes de direção (falta imperdoável no CR-V), mas falta ajuste elétrico do facho dos faróis, a exemplo do concorrente. Retrovisores convexos em ambos os lados auxiliam a visibilidade nos dois modelos, que oferecem bom campo visual para a frente e os lados, mas não para trás. Nesse aspecto a câmera de ré do Honda é um importante aliado.

Em segurança passiva, os dois fabricantes montaram pacotes semelhantes nas versões de entrada e de topo, mas — pela questão preço, já abordada — o CR-V EXL compete aqui com o RAV4 mais barato. Assim, o primeiro sai à frente ao oferecer bolsas infláveis frontais, laterais de tórax nos bancos dianteiros e cortinas laterais para proteção da cabeça à frente e atrás, enquanto o segundo vem apenas com bolsas frontais. O passageiro central do banco traseiro de ambos dispõe de cinto de três pontos e encosto de cabeça, mas falta conexão Isofix para cadeiras infantis.

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