


A plataforma de Astra passa
despercebida nas novas formas do Vectra, que ficaram muito atraentes; a
linha do teto "de cupê" e as belas rodas só contribuem



Com nova traseira (cujas
lanternas usam LEDs) e retoques na frente para 2006, o Accord permanece
tradicional, bem ao gosto do mercado americano |
Concepção e
estilo
A trajetória do Vectra
é bem conhecida. A primeira geração, lançada na Europa em 1988, chegou
ao Brasil em 1993; a segunda veio bem mais rápido, em 1996, seis meses
depois de mostrada lá (leia história).
Só que agora a GM brasileira deixou de seguir os passos da Opel alemã,
alegando que o terceiro Vectra deles, inserido em 2002, teria preço
inviável aqui diante dos custos de produção. Então, recorreu a uma
reformulação do Astra Sedan, que teve o entreeixos ampliado em 9 cm
(para os mesmos 2,70 m da Zafira) e ganhou uma nova carroceria,
inspirada na do novo Astra europeu, para a mesma plataforma. Um Astra
com o nome Vectra? Isso mesmo, por estranho que pareça.
O Accord tem muito mais a contar, pois surgiu em 1976 como um hatch e já
está na sétima geração (leia história).
Lançada em 2003 nos Estados Unidos, desembarcou aqui no ano seguinte,
trazida do México — país que atende o mercado americano e com o qual
temos acordo de isenção do Imposto de Importação. Na linha 2006 a
traseira foi reformulada, junto de pequena alteração na frente.
O desenho de ambos é plenamente atual, com linhas "limpas" e recursos em
voga como os amplos faróis e o perfil suave do teto, como em um cupê.
Mas o Vectra transmite um ar mais esportivo, enquanto o Accord parece
mais conservador. Curiosamente, a traseira é o ponto menos elogiado nos
dois modelos, com formas muito retilíneas no carro da GM e um aspecto
bem tradicional no da Honda, mesmo após a reestilização (que incluiu
belas lanternas compostas por LEDs). Em
termos de aerodinâmica há equilíbrio: a Honda divulga
Cx de 0,30, o mesmo do Vectra com pneus
mais estreitos, podendo-se estimar 0,31 com os opcionais. Mas a área
frontal do Chevrolet é menor.
Conforto e conveniência
A redução de preço do
Accord envolveu a remoção do revestimento dos bancos em couro, que traz
um ar mais requintado ao Vectra, mas o acabamento do Honda está longe de
desapontar: os bancos vêm em tecido agradável e, por onde quer que olhe
ou se toque, o interior cativa com a qualidade dos materiais. O mesmo
não pode ser dito do carro nacional, em que os plásticos estão aquém do
esperado em sua faixa de preço. O Elite vem com apliques que simulam
madeira, que não agradam a todos, mas ao menos ocupam menor área que na
mesma versão do Astra.
Apenas o Vectra tem ajuste elétrico do assento (não inclui o encosto) do
motorista, mas em ambos se encontra muito boa posição de dirigir, com o
auxílio das regulagens de altura e profundidade do volante. No Accord o
ajuste do encosto é por alavanca em pontos pré-definidos, não o ideal,
mas seus bancos são excelentes — muito amplos e com densidade de espuma
perfeita. Os dianteiros do oponente, duríssimos e com apoio lombar
excessivo (apesar de ajustável no do motorista), mostraram-se cansativos
para as costas em percurso mais longo, o que não ocorria na geração
anterior. Ao volante revestido em couro do Vectra o japonês responde com
o melhor formato de quatro raios.
A
Honda usa, mesmo nesta versão básica, um belo painel com iluminação
permanente e lente escura, de melhor aspecto que o da GM (embora esta
tenha, felizmente, abandonado no Vectra o criticado fundo branco). Mas o
Elite possui computador de bordo, entre vários equipamentos que o
oponente não tem: ajuste automático do ar-condicionado, recolhimento
elétrico dos retrovisores externos, teto solar, limpador de pára-brisa
automático (no Accord há ajuste do intervalo entre varridas) e controle
elétrico dos vidros com função um-toque
para todos (apenas no do motorista no Honda),
sensor antiesmagamento,
temporizador e fechamento automático
ao trancar o carro (que não inclui o teto solar, uma falha).
Continua
|