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Comparativo Completo

As 16 válvulas de Picasso (centro) e Scénic (embaixo) compensam a maior cilindrada da Meriva em potência, mas o motor da GM oferece o maior torque

Lidando com pesos próximos (1.306 kg a Picasso, 1.280 a Meriva e 1.250 a Scénic) e aerodinâmica similar, os três motores resultam em agilidade semelhante. Surpreende o bom resultado da Picasso nesta versão menos potente, diante de ser a mais pesada e de menor torque. Um fator está nas relações de marcha mais curtas; outro, em sua grande suavidade de funcionamento. Como entre os três é o motor que menos vibrações produz em alta rotação, o motorista acaba fazendo-o "girar" mais sem ter a sensação de esforço elevado.

A Meriva é o extremo oposto. Se o 1,8-litro da linha Corsa já nos incomoda pela operação áspera desde o lançamento, pareceu ainda pior nesta minivan, talvez pela maior taxa de compressão da versão flexível associada ao peso elevado do carro, que exige rotações maiores para se obter respostas convincentes. A Scénic fica no meio-termo: as vibrações só aparecem nas "esticadas" de marcha, acima de 4.500 rpm. No entanto, a Picasso não se sai tão bem em nível de ruído, indício de pouco uso de forração fonoabsorvente nesta versão.

A simulação de desempenho do BCWS apontou grande equilíbrio nos resultados, apenas com ligeira vantagem para a Meriva nas retomadas. Em aceleração e velocidade máxima as diferenças são bem pequenas, a ponto de ser difícil uma delas se distanciar das outras em uma hipotética disputa. Em geral, os resultados obtidos são adequados a um tipo de veículo sem pretensões esportivas.

Em consumo a Scénic sai à frente, tanto com gasolina quanto com álcool (neste caso sem a Picasso), havendo semelhança entre as outras duas. Claro que ambas as flexíveis levam uma vantagem, que é se poder usar o combustível com menor custo por quilômetro, conforme a região e a época do ano. Digno de nota é o maior tanque usado pela Renault, importante nesta versão flexível, enquanto o da Meriva limita bastante a autonomia. Continua

Comentário técnico
> O primeiro motor flexível em combustível da Renault, lançado no Clio e agora oferecido na Scénic (apenas com câmbio manual por enquanto), decepcionou ao manter a baixa taxa de compressão do movido a gasolina, 10:1. Como referência, a Ford já chegou a 12,3:1 com a mesma cilindrada e a GM a 12,6:1 no motor de 1,0 litro (menor capacidade cúbica permite ligeiro ganho em taxa). A conseqüência da falta de ousadia dos franceses é um menor aproveitamento do potencial do álcool contra a detonação, com desempenho e consumo menos expressivos do que poderiam ser com uma taxa maior.

> A GM também foi pouco ousada nesse aspecto, ao escolher apenas 10,5:1 para seu primeiro flexível, o 1,8-litro. Seu segundo motor com esse recurso, o 2,0 da linha Astra/Zafira, já passou a mais razoáveis 11,6:1. Curiosamente, neste comparativo a maior taxa é do motor da Citroën (11:1)... que roda apenas com gasolina!

> A Picasso tem de longe a melhor relação r/l, 0,23, ante 0,31 da Scénic e 0,34 da Meriva. Isso explica a grande diferença de suavidade verificada no funcionamento dos três motores.
> O uso do propulsor menor pela Citroën levou a um encurtamento médio de 13% na terceira, quarta e quinta marchas em relação à versão de 2,0 litros. A 1,6 é, curiosamente, 2 kg mais pesada que a outra, pois o bloco do motor usa ferro fundido em vez de alumínio (que é também o material do bloco da Scénic).

> A Meriva também teve mudança nessa área (diferencial 6% mais curto, o mesmo da extinta versão de 16 válvulas) por ocasião do emprego de motor flexível. Embora não tenham relação — pelo contrário, pois mais potência e torque permitem câmbio mais longo —, foi uma medida oportuna, já que o antigo diferencial estava longe do padrão a que os brasileiros estão habituados, dando sensação de lerdeza.

> As duas francesas usam uma suspensão traseira que é típica do país de origem, com braço arrastado e barras de torção, ficando a Meriva com o esquema mais simples de eixo de torção e molas helicoidais (saiba mais sobre cada conceito). Além de ter rodas independentes de fato, o sistema da Citroën e da Renault é mais compacto, resultando em menor invasão do compartimento de bagagem.

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