> O torque máximo em regime bem elevado (4.900 rpm) do Accord pode
sugerir um motor esportivo e sem força em baixa rotação. Puro engano: ocorre que o
comando de válvulas variável
V-TEC faz o motor funcionar com dois diagramas diferentes para tempo e levantamento das válvulas, de acordo com a rotação. Superado um certo regime, que estimamos em cerca de 4.000 rpm para este motor, o comando mais "bravo" para a atuar -- e é com ele que se obtém o maior valor de torque, 21 m.kgf. Pelo que se percebe dirigindo-o, a distribuição de potência é bastante homogênea por toda a faixa operacional, um mérito justamente do
V-TEC -- que aliás é um comando único, não duplo como na
maioria dos motores de quatro válvulas por cilindro.
> Esse sistema criado pela marca japonesa ganhou projeção em motores de altíssima
potência específica, como o do antigo Civic VTi (1,6 litro, 160 cv) e o do atual S2000 (2,0 litros, 243 cv). No entanto, seus modelos mais tranqüilos têm ficado com potência específica bem inferior, em nome da facilidade de uso e do torque em baixa rotação. No Accord EX-R são medianos 66,5 cv/l, enquanto o C5 chega a 69,1 cv/l
-- sem comando variável.
> Motores de grande cilindrada unitária (563 cm3 por cilindro no Honda, 499 no Citroën) e longo curso de pistão tendem a apresentar
relação r/l desfavorável. No caso do C5 ela atinge
0,316, pouco acima do limite aceitável de 0,3. O comprimento das bielas do Accord não nos foi informado, apesar de diversas solicitações, o que impede o cálculo da r/l --
mas se pode
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esperar que esteja longe do ideal, pelo
longo curso de 97 mm. É por isso que a Honda utiliza
árvore de balanceamento, que
anula em boa parte as vibrações, mesmo assim perceptíveis em altos regimes.
> A suspensão hidropneumática do C5 foi extensivamente analisada no
Comentário Técnico do
comparativo entre sua versão V6 e o VW Passat, cuja leitura sugerimos. Não fosse pelo avançado sistema, que substitui molas e amortecedores, ela não seria superior em concepção à do Accord: este utiliza braços sobrepostos à frente e eixo multibraço atrás, configuração das mais modernas e eficientes, em vez de McPherson e braço arrastado, adotados pela Citroën.

> Como opcional, o C5 oferece um sistema de monitoramento da pressão dos pneus. Consiste em um compacto medidor de pressão (veja foto) instalado junto à válvula no interior da roda que, no evento de um esvaziamento -- súbito ou gradual --, envia um sinal à central eletrônica do veículo. Esta, por sua vez, alerta o motorista pela palavra Service (serviço) no painel e por uma inscrição no mostrador do computador de bordo.
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