

O aspecto interno evoluiu
bastante em relação ao antecessor, com dois tons no acabamento do
Privilège, e os instrumentos têm fácil leitura


Ar-condicionado automático de
duas zonas e rádio/CD são de série; no banco traseiro, espaço só mediano
na classe e desconforto no acesso

Exclusivo da versão de topo,
o navegador Tom-Tom traz tela de 5 pol integrada ao painel e controle
remoto que facilita comandar as funções |
No interior, outro ganho expressivo em aparência, seja no desenho ou na
combinação de materiais e cores, em que os detalhes em estilo aço
escovado dão um toque refinado. É pena que a Renault tenha optado por
plásticos sem a aparência agradável e o toque suave de alguns
concorrentes. Alguns itens um tanto discutíveis do Mégane, como as
"orelhas" no volante e os "botões de fogão" para ajuste de ventilação,
desaparecem sem deixar saudades. Fica para depois o interior do
Dynamique, pois só foi possível ver e dirigir o Privilège na breve
avaliação.
Se o Mégane havia trazido itens charmosos ou curiosos, como a
chave-cartão e a alavanca de freio de estacionamento em forma de manche,
pecava por dar mais atenção à forma que à função. O cartão só aumentava
o trabalho de dar partida, pois era preciso inseri-lo no painel e então
usar um botão, e o freio exigia certo esforço para acionamento pela
posição diferente em 90 graus das alavancas convencionais.
Mais uma vez, não ficam saudades: no Fluence, a presença do cartão é
identificada pelo veículo quando se acionam as maçanetas internas
(ocorre o destravamento automático, a exemplo do Sentra) e quando se usa
o botão de partida. A chave pode ser mantida, por exemplo, no bolso ou
na bolsa o dia todo, já que ao deixar o carro as portas também se travam
de modo automático. E o freio de mão agora é convencional, sem falsas
modernidades — mas poderia ser sido preservado o bocal de tanque de
combustível sem tampa, que o antecessor usava.
Inédito em um Renault por aqui é o navegador por satélite Tom-Tom da
versão Privilège, com tela de 5 pol integrada ao painel. Ela não é
sensível ao toque, mas um controle remoto facilita muito o comando, como
ao inserir um novo endereço; há ainda sinalização de radares de
velocidade, comutação automática entre modos de iluminação diurno e
noturno (usa para isso o sensor que faz acender faróis) e atualização
gratuita por um site da marca. Na avaliação em São Paulo, mostrou boa
atuação, embora ainda não contivesse recentes alterações nas vias, como
as novas pistas da Marginal do Rio Tietê.
O novo Renault acomoda bem o motorista, embora pudesse ter mais apoio
lateral no banco. O quadro de instrumentos é bem legível e o computador
de bordo inclui consumo instantâneo, além de informá-lo em nosso padrão
(km/l). O sistema de áudio, com alta qualidade no Privilège, tem
conexões USB e para Ipod e o ar-condicionado de duas zonas inclui dois
modos automáticos, um mais suave e outro mais rápido no resfriamento.
Pontos positivos são o retrovisor esquerdo
biconvexo, luzes de cortesia nas portas que servem também ao
assoalho dianteiro, porta-óculos de teto e opção de teto solar, embora
ele seja menor que o habitual. Falha: não há faixa degradê no
para-brisa.
No banco traseiro, dois adultos ficam bem acomodados, mas há restrições
quanto à altura, sobretudo ao entrar: a linha de teto típica de um cupê,
que traz elegância ao perfil, cobra seu preço ao exigir atenção para não
bater a cabeça. Ombros e pernas não encontram tanto espaço quanto seria
esperado pelas dimensões externas, entre as maiores da categoria, e o
passageiro central tem posição desconfortável. Por outro lado, há
difusores de ar e tomada de 12 volts para tais ocupantes. Lá atrás, o
porta-malas destaca-se pelo espaço para 530 litros, mas deveria manter
as articulações pantográficas do Mégane.
E o estepe não segue a medida dos demais pneus.
Coração de
Sentra
Até aqui o Fluence mostrou pouca ligação com a Nissan, mas basta abrir o
capô para ela se fazer presente: em vez do motor que o segundo Mégane
havia herdado do primeiro, é usada a mais moderna unidade lançada aqui
em 2007 pelo Sentra, com vantagens como bloco de alumínio e substituição
da correia dentada de distribuição pela corrente. Esse 2,0-litros, como
o anterior, conta com variação do tempo de
abertura das válvulas de admissão. Da potência de 138 cv e do torque
de 19,2 m.kgf do Mégane, passa-se a ter 140/143 cv e 19,9/20,3 m.kgf com
gasolina e álcool, na ordem.
A caixa automática tradicional com quatro marchas também se foi. O
Fluence traz a X-Tronic do Sentra, de variação contínua, com uma
novidade: a alavanca seletora permite trocas manuais entre seis "marchas
virtuais", isto é, pontos de parada das polias do sistema de variação. O
objetivo é evitar a monotonia habitual das CVTs, em que o crescimento de
velocidade não é acompanhado de variação das rotações — e do ruído — do
motor. A versão manual tem, como no Mégane, seis marchas.
Continua |