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O espaço interno é apenas
mediano, mas a posição de dirigir evoluiu: acabou-se o desconforto de
banco, volante e pedais descentralizados


Power e Trend: maçanetas e
comandos de ventilação de ótimo aspecto

Mantendo a capacidade de 285
litros, o porta-malas tem a desvantagem da base de acesso elevada,
recurso para aumentar a rigidez estrutural |
O farol do Gol básico, à
esquerda, e o de duplo refletor que equipa o Trend e o Power, uma das
diferenças externas das versões superiores
No entanto, com diversos estudos e simulações e novos pontos de
amarração, a empresa garante ter conseguido manter alto nível de
rigidez.
A plataforma do Gol conta com algumas alterações em relação à do Polo e
Fox. A suspensão dianteira é a mesma usada na nova plataforma PQ25,
lançada este ano na Europa no Seat Ibiza.
Como a anterior, usa subchassi, mas
estabilizador vem apenas nas versões com direção assistida, item que é
opcional nos 1,0. A suspensão traseira segue o mesmo princípio de eixo
de torção do Polo e do antigo Gol, mas foi enrijecida. A coluna de
direção também é nova, igual à do Ibiza, e o sistema de ventilação e
ar-condicionado passou por reformulação. O tanque de combustível cresceu
de 51 para 55 litros.
Os motores, conhecidos de outros modelos VW, também são novos na linha
Gol. Como sua arquitetura de fixação mudou, foi adotado o 1,6-litro de
geração mais atual, lançado em 2001 no Golf e baseado no bloco de 1,0
litro da série EA, que já equipava o Gol desde 1997. Ambos
flexíveis em combustível e dotados de
acelerador eletrônico, adotam os
aprimoramentos da versão chamada de VHT, como
taxa de compressão mais alta na versão
1,6 e bielas mais longas na 1,0 (saiba
mais).
O de 1,0 litro produz potência de 72 cv com gasolina e 76 com
álcool e torque máximo de 9,7 e 10,6 m.kgf, na ordem. O 1,6 rende
101/104 cv e 15,4/15,6 m.kgf. Para que atendam ao novo limite de
emissões Proconve 5, que vigora a partir de janeiro, será necessário
apenas aumentar a carga de metais nobres do catalisador.
O câmbio agora é o MQ 200, também utilizado por Fox e Polo. Uma das
referências do mercado, possui engates macios, precisos e silenciosos,
com curso da alavanca beirando o ideal. As relações de marcha são, como
de hábito, bastante curtas no carro com motor de 1,0 litro, mas corretas
na versão 1,6. Viajando a 120 km/h em quinta marcha, o primeiro gira a
4.000 rpm e o segundo a 3.200 rpm. Atenua o desconforto no 1,0 o fato de
que o motor é silencioso e quase não vibra, o que permite uma condução
agradável em estradas.
Ao volante
A versão de 1,0 litro tem desempenho honesto. Evidente que não esbanja
potência, mas em comparação aos concorrentes se comporta muito bem. Com
três pessoas a bordo no percurso de avaliação, entre a capital paulista
e a fábrica de Taubaté, foi possível desenvolver boa velocidade na
estrada e, mais importante, retomá-la sem muito sacrifício. Além disso,
trabalhando-se bem o câmbio consegue-se boa desenvoltura do carro. Ele
também se mostrou econômico, pelos dados informados pelo computador de
bordo.
A versão 1,6 é muito agradável de dirigir. A resposta do motor é sempre
pronta em qualquer faixa de rotação e em qualquer marcha, o que confere
ao carro uma agilidade prazerosa. O Gol também está bem mais silencioso,
chegando ao nível de modelos de faixa superior de mercado e de preço.
Mesmo em altas rotações o ruído que invade o habitáculo é pequeno,
sobretudo na versão Power. O sistema de direção é preciso e eficaz e a
suspensão trabalha em harmonia, sendo possível sentir bem o que acontece
com as rodas.
A única ressalva é que ela ficou muito dura, sendo possível sentir toda
e qualquer imperfeição do asfalto. Com menor carga dos amortecedores o
conforto ganharia, sem prejuízo do comportamento dinâmico. Não foi
possível avaliar a versão 1,0 sem direção assistida, mas é lícito
esperar que seja ainda mais dura, pois a ausência de estabilizador
dianteiro implica o uso de molas mais firmes. No mais, o Gol desenvolve
altas velocidades mantendo-se neutro e sob controle. Em curvas — embora
o trajeto não trouxesse muitas delas — pôde-se perceber o comportamento
neutro que já é comum ao Polo. Contorna-se qualquer uma delas com pleno
controle e precisão.
A VW aposta alto no novo Gol, e nem poderia ser diferente. Este é o
principal carro da marca no Brasil e líder de mercado há 21 anos. Os
alemães não poderiam deixar que ele perdesse mais terreno — e parece que
fizeram bem a lição de casa. O carro é bonito, moderno, gostoso de
dirigir e tem preço pouco acima dos concorrentes, dentro da faixa de
mercado que ocupa. Apesar da simplicidade do interior — e não é
diferente em vários adversários —, ele tem tudo para se manter líder.
Continua |