A conhecida caixa de quatro marchas não compromete o desempenho, mas insiste em usar primeira marcha em momentos que dispensariam

O indicador digital da marcha em uso aparece no lado direito do quadro de instrumentos; no teto, um espelho convexo para monitorar crianças

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As rodas de 16 pol com pneus 195/55 produzem belo efeito visual; no entanto, o rodar seria mais confortável com a opção por perfil mais alto

Até aqui a Citroën parece ter acertado ao adicionar essa conveniência à menor de suas minivans vendidas no Brasil. No entanto, dois aspectos incomodam e merecem ser corrigidos. O primeiro é a insistência da caixa em usar primeira marcha. A fábrica definiu 20 km/h como velocidade mínima para colocação da segunda: abaixo desse patamar, apenas a primeira é usada, seja em modo automático ou em manual, em programa normal ou esportivo.

Passou devagar por uma lombada ou valeta? Primeira marcha. Reduziu para acessar ou cruzar uma via com mais segurança sem que fosse preciso parar? Primeira. O trânsito está mais lento, caindo abaixo de 20? Primeira. Desacelerou até que o semáforo abrisse ou alguém pudesse passar à frente? Primeira. Com isso, ao voltar a acelerar a resposta do carro é um pouco abrupta, típica da colocação de uma marcha inadequada, pois a 20 km/h a primeira já supera 2.000 rpm. E certamente não contribui para a economia.

Para quem se incomodar com isso, a única saída é o uso do programa de inverno, que tira essa marcha de ação (até mesmo a saída é feita em segunda), mas leva a uso mais intenso do conversor de torque, o que aumenta o consumo. Caberia uma revisão pela Engenharia para que a segunda marcha pudesse ser mantida em velocidade inferior a 20 km/h, mas o ideal seria mesmo haver mais uma marcha no câmbio, para que o intervalo entre as relações fosse menor.

O outro inconveniente notado na C3 Picasso, e que não existia na versão manual avaliada antes, é a atuação abrupta dos freios: toca-se o pedal e o sistema retém a velocidade mais do que o esperado, com consequente desconforto aos passageiros. Em geral isso acontece quando é excessiva a calibração do servofreio, parâmetro que a Citroën informa ter sido alterado na versão automática. Com o tempo o motorista se adapta, mas é fácil voltar a "frear em excesso" tão logo dirija outros carros por alguns dias e volte à Picasso.

À parte esses fatores de fácil correção, a minivan preserva os bons atributos revelados em comparativo da versão manual com a Idea e a SpaceFox, como espaço interno muito bom para quatro pessoas (para cinco, a largura no banco traseiro é insatisfatória), adequado compartimento de bagagem para 403 litros, visibilidade favorecida pelas colunas dianteiras delgadas, suspensão bem acertada em termos de conforto e comportamento e ampla dotação de itens de conveniência. O navegador opcional, que aquela C3 não trazia, funciona muito bem e sua tela de 7 pol é bem legível sob qualquer condição, mas a inserção de endereço letra a letra, por botão, não é nada prática — uma tela sensível ao toque seria preferível, embora tivesse de ser reposicionada.

Permanecem também críticas feitas na oportunidade, como alavanca de freio de estacionamento muito baixa, tampa traseira sem local adequado para ser erguida (só por cima da placa, o que acentua seu peso), uso de chave para abrir o bocal de abastecimento e falta de itens como cinto de três pontos para o passageiro central do banco traseiro, fixações Isofix para cadeiras infantis e repetidores laterais de luzes de direção. Além disso, a opção por pneus de perfil baixo mostra-se inadequada a nosso padrão viário, pois faz transmitir mais os impactos do piso.

Uma das vantagens da C3 Picasso sobre a Aircross é a aerodinâmica mais eficiente; outra, o preço inferior em cerca de R$ 6 mil com o mesmo conteúdo. Por R$ 61.400, a versão Exclusive automática sem opcionais é competitiva às adversárias Meriva, Idea e SpaceFox, que usam caixas manuais automatizadas. Mas se torna algo cara quando confrontada a modelos maiores e mais potentes, até mesmo com sete lugares, como a nacional Nissan Grand Livina SL (R$ 62.290 com caixa automática e motor 1,8 de 126 cv) e a chinesa JAC J6 (R$ 57.900 com motor de 2,0 litros e 136 cv, mas só com câmbio manual).

Ficha técnica
MOTOR - transversal, 4 cilindros em linha; duplo comando no cabeçote, 4 válvulas por cilindro. Diâmetro e curso: 78,5 x 82 mm. Cilindrada: 1.587 cm3. Taxa de compressão: 11:1. Injeção multiponto sequencial. Potência máxima: 110 cv (gas.) e 113 cv (álc.) a 5.800 rpm. Torque máximo: 14,5 m.kgf (gas.) e 15,8 m.kgf (álc.) a 4.000 rpm.
CÂMBIO - automático, 4 marchas; tração dianteira.
FREIOS - dianteiros a disco ventilado; traseiros a tambor; antitravamento (ABS).
DIREÇÃO - de pinhão e cremalheira; assistência hidráulica.
SUSPENSÃO - dianteira, independente McPherson; traseira, eixo de torção.
RODAS - 16 pol; pneus, 195/55 R 16.
DIMENSÕES - comprimento, 4,092 m; largura, 1,723 m; altura, 1,634 m; entre-eixos, 2,54 m; capacidade do tanque, 55 l; porta-malas, 403 l; peso, 1.317 kg.
Dados do fabricante; desempenho e consumo não disponíveis
 



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