




O motor V8 de 6,0 litros e 400
tem um som tão encorpado que nem precisava fazê-lo andar... Mas anda, e
muito. Embaixo, três raios-X mostram o trem-de-força, o chassi (que
recebe a carroceria de plástico) e o Corvette completo |
Esperávamos uma desconcertante queda de rotação do V8, mas ela não chega
a incomodar, tamanho o torque disponível em regimes bem baixos. Não
fosse o ponteiro do conta-giros "despencando", muitos nem perceberiam o
que aconteceu. A sexta, por sua vez, é uma
sobremarcha, que pára em 4.200 rpm a 265 km/h, bem abaixo da máxima
de 300 km/h informada pela GM em quinta. Em contrapartida, permite
cruzar a 120 km/h com apenas 1.900 rpm...
O Vette é peculiar também na suspensão, independente por braços
sobrepostos à frente e atrás, com feixes de molas transversais em
material plástico. O C6 oferece três opções: suspensão básica, F55 (com
amortecedores que se ajustam automaticamente às condições da pista) e
Z51 (com calibragem mais firme, freios e pneus redimensionados, câmbio
manual com relações mais curtas e radiador para o óleo do câmbio). Em
qualquer delas, as rodas estão uma polegada maiores — 18 pol à frente,
19 pol atrás.
Seria ideal experimentar esse conjunto em um percurso sinuoso, como o da
pista D1 do campo da GM, mas não foi possível. Ficamos então com as boas
sensações de segurança que o carro transmite bem acima dos 200 km/h,
indicação de projetos aerodinâmico e de chassi impecáveis. A visão da
pista circular sendo rapidamente devorada, com o longo capô de laterais
salientes à frente, é coisa para ficar muito tempo na memória.
Estima-se que o Corvette custaria cerca de R$ 250 mil se fosse vendido
aqui. A nosso ver, um preço plenamente competitivo diante dos US$ 169
mil do Porsche 911 Carrera básico (de 325 cv) ou mesmo dos R$ 228 mil do
Nissan 350Z, que tem apenas 280 cv e perde longe em carisma e tradição.
Claro que seria preciso algum investimento em assistência técnica e
peças de reposição, mas a ousadia da GM nesse sentido faria a felicidade
dos muitos apreciadores desse mito americano. E, por menor que fosse o
volume de vendas, traria um ganho imensurável em imagem para a marca.
Picape ou
roadster?
Enquanto o Corvette aposta em linhas modernas, sem grande ligação com o
passado, outro Chevrolet avaliado — o picape-roadster SSR —
recorre claramente ao saudosismo, com linhas inspiradas nos utilitários
da marca de 1947 a 1953. Apresentado como carro-conceito no Salão de
Detroit de 2000, foi colocado em produção três anos depois, com
alterações mecânicas e dimensionais, mas não de estilo básico.
E que estilo: o picape chama atenção como poucos, com suas formas
arredondadas, pára-lamas salientes, pára-choques que mal aparecem,
faróis e lanternas ovalados. O teto, também arredondado, rebate-se por
um sistema eletroidráulico que o guarda em menos de 30 segundos atrás
dos dois únicos bancos, sob a cobertura rígida.
Continua |