Na "12 Horas de Goiânia", em julho de 1974, prova de inauguração do autódromo da cidade para carros de Turismo, participei com um Maverick Quadrijet da equipe oficial de fábrica, em dupla com Marivaldo Fernandes, piloto e amigo que viria a falecer num acidente aeronáutico em março de 1977 (também estava no avião José Carlos
Pace, já piloto de Fórmula 1).
Com uma hora de corrida, passamos à liderança quando o outro carro da equipe, de Paulo Gomes e Antônio Castro Prado Neto, entrou para o box com problema na bomba de gasolina. Naquela mesma volta, ao passar da terceira para e quarta e última marcha, um ruído metálico forte e um pedal de embreagem de enfeite fez-me pensar que a corrida tinha acabado para nós.
Cheguei ao box "no tempo" e uma rápida análise detectou que o garfo de embreagem havia quebrado. Para consertar, o câmbio tinha de ser removido. |
Seria inútil, perda de tempo efetuar o conserto. O Greco, chefe da poderosa equipe, estava perplexo. Seus dois carros estavam no box com apenas uma hora de prova! Foi quando, aos gritos abafados pelo capacete integral, gritei "Abaixa o carro!!!", no que fui obedecido pelo mecânico-chefe Mariano, um exemplo de profissional.
Incrédulo, Greco viu-me dar a partida com a primeira engatada e o Maverick acelerar de volta à pista. Sem pedal de embreagem, as marchas foram sendo trocadas "no tempo" mais uma hora, duas, três, até sermos os primeiros a receber a bandeira quadriculada
-- 11 horas depois.
O outro Maverick oficial teve a bomba de gasolina trocada, recuperou posições e chegou logo atrás -- poderia ter-nos ultrapassado por estarmos mais lentos naqueles instantes finais, mas Greco ordenou que mantivesse posição. Foi uma bela dobradinha da Ford, e isso era o que importava para a marca. |