

O furgão Electrovan da GM, de
1966 (junto de uma Zafira no alto), foi o primeiro carro com esse
sistema, que ocupava toda a parte traseira

Audi A2: boa velocidade máxima
de 175 km/h na versão com pilha

Hidrogênio líquido foi a opção
da BMW para o Hydrogen 7, já disponível

No Chrysler EcoVoyager, a pilha atua só para recarga caso necessário |
Contudo, tal eletricidade ainda precisa ser convertida em trabalho
mecânico em um dispositivo externo, como um motor elétrico, que tem
eficiência também ao redor de 80%. Ao fim, chega-se a uma eficiência
global de cerca de 65%. Uma bateria como a usada em carros elétricos tem
eficiência ainda maior, da ordem de 90%, e também passa pela eficiência
ao redor de 80% do motor elétrico, o que resulta em 72% — mas é preciso
considerar as perdas no processo de produção de energia elétrica feito
externamente e, já no veículo, em sua conversão de corrente alternada
para corrente contínua. Ambos os sistemas são, portanto, muito mais
eficientes que um motor a gasolina, cuja eficiência está na faixa de
20%.
Então — o leitor deve estar perguntando — por que ainda não usamos pilha
a combustível em nossos carros? Por causa de alguns obstáculos ainda a
ser vencidos.
O primeiro é o elevado custo. Do modo como é feita hoje, e supondo-se
produção em grande escala, a pilha tem preço estimado de 110 dólares por
kilowatt produzido, mas esse valor deveria cair para 35 dólares/kW para
que ela se tornasse competitiva. Um dos desafios é reduzir a quantidade
de metais nobres como platina, que encarecem muito o sistema, no
catalisador. Outra dificuldade refere-se à resistência e à
confiabilidade. As atuais pilhas sofrem muito com altas temperaturas e
com ciclos freqüentes de ligar e desligar.
Seria necessário obter estabilidade nesses ciclos e alta resistência a
mais de 100ºC, sem prejuízo da capacidade de funcionar abaixo de 0ºC.
Alta temperatura e baixa umidade do ar também dificultam manter
hidratada a pilha, condição para a transferência dos prótons de
hidrogênio. Há ainda os aspectos de infra-estrutura de distribuição do
hidrogênio e de seu armazenamento no veículo, em quantidade suficiente
para uma autonomia similar à dos carros a gasolina — ou maior, enquanto
a rede de postos de hidrogênio não se equiparar à dos combustíveis
tradicionais.
Como está cada
um
Entendido seu funcionamento, veremos como os principais fabricantes vêm
trabalhando para viabilizar a pilha a combustível. A maioria das grandes
marcas já apresentou ao menos um projeto com essa tecnologia e várias
delas mantêm pequenas frotas em testes, junto a órgãos governamentais ou
consumidores comuns, assim como aconteceu no passado com veículos
elétricos. E uma empresa — a Honda — começou em 2008 a vender o primeiro
carro de série assim equipado no mundo, o FCX Clarity.
Audi
O modelo A2, um compacto com carroceria de alumínio e formato
monovolume, recebeu a tecnologia na versão de conceito A2H2. Três
tanques armazenavam hidrogênio para alimentar o motor elétrico, cuja
potência equivalente a 90 cv permitia velocidade máxima de 175 km/h. A
autonomia estimada era de 220 quilômetros.
BMW
Ao contrário da maioria dos fabricantes, a marca de Munique prefere o
uso de hidrogênio em um motor de combustão interna, não na pilha a
combustível. O sedã Hydrogen 7, derivado do Série 7, foi lançado para
leasing em 2007 na Alemanha e nos EUA. O motor V12 trabalha com gasolina
ou hidrogênio em estado líquido, não comprimido, e produz 260 cv. O
reservatório de hidrogênio rende autonomia de 200 km, que se somam aos
480 km do tanque de gasolina. O carro pode ser usado mesmo em regiões
sem fornecimento de hidrogênio.
Chrysler
O grupo norte-americano já mostrou diversos conceitos com pilha a
combustível. Revelado no Salão de Detroit de 2008, o EcoVoyager é um
monovolume de desenho moderno e quatro lugares. As baterias de íon de
lítio fornecem energia para o motor elétrico de 268 cv, que move o carro
por até 64 km. Caso não possam ser recarregadas em fonte externa, a
pilha a combustível entra em funcionamento para estender a autonomia a
300 km. Seu desempenho é muito bom: aceleração de 0 a 100 km/h em menos
de oito segundos. Outras propostas com a pilha foram o Jeep Commander
II, em 2000, e o Jeep Treo em 2003.
Continua |