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Nos últimos anos têm aparecido evoluções do sistema. Um recurso aplicado
a utilitários esporte — caso do Volvo XC 90 — e veículos de transporte é
a análise da tendência a capotar por meio de sensor de rolagem
(inclinação da carroceria). Em caso de risco de capotagem, a central
pode comandar os freios, reduzir a potência e provocar subesterço, de
modo que o veículo retorne a uma posição segura.
Alguns modelos também levam em conta se o carro traciona um reboque. Em
outros, a assistência elétrica da direção é alterada em condições
extremas conforme orientação da central do ESP. Com isso, um movimento
do motorista que leve à correção da trajetória é facilitado e, de outro
lado, uma atitude incorreta ao volante se torna mais difícil pelo maior
peso da direção.

O gráfico da Mercedes-Benz mostra duas
correções de trajetória promovidas pelo sistema: na esquerda, a
tendência de escapar de frente é corrigida pela frenagem da roda
traseira interna; na direita, o carro tende a sair de traseira e tem a
roda dianteira externa freada, o que produz estabilização
É importante saber que o sistema não aumenta a aderência dos pneus nem
garante a estabilidade de forma absoluta. O que ele faz é garantir que,
dentro dos limites de aderência, o carro se comporte da maneira mais
neutra possível para que siga a trajetória desejada pelo motorista. Se
mesmo com a ação do ESP os limites de aderência forem atingidos, o carro
sairá do rumo pretendido e pode se acidentar.
Histórico
O controle de estabilidade tem sua origem no controle de tração,
destinado apenas a evitar a patinação das rodas motrizes sob aceleração.
Em 1959 a alemã Mercedes-Benz patenteou um sistema para esse fim que
atuava sobre os freios, o motor e a transmissão. No fim da década de
1980, quase ao mesmo tempo, a Mercedes e a também germânica BMW
apresentaram ao mercado os primeiros controles de tração.
Desenvolvido em parceria da Mercedes com a Robert Bosch GmbH, o sistema
chamado Elektronisches Stabilitätsprogramm (programa eletrônico de
estabilidade em alemão) ou ESP foi concluído em 1992 e chegou às ruas
três anos depois. A BMW e a sueca Volvo introduziram dispositivos
semelhantes na mesma época, enquanto outros fabricantes passaram a
desenvolvê-los.
O maior impulso para a popularização do ESP foi, curiosamente, um
acidente. No chamado "teste do desvio de um alce", realizado pela
imprensa em países nórdicos para avaliar o comportamento dos carros em
manobras de emergência sem uso de freios, um jornalista capotou o então
novo Mercedes Classe A em 1996. Em meio a alterações em suspensão e
pneus para aumentar sua estabilidade, a empresa decidiu adotar o ESP
como item de série no pequeno modelo, além de aplicá-lo às unidades já
vendidas. |

A capotagem do
Mercedes Classe A, em testes da imprensa, levou a fábrica a adotar ESP
de série no modelo, algo então inédito na categoria
O ESP e a direção esportiva
Se para os motoristas
comuns o controle de estabilidade é bem-vindo, há quem não o veja com
bons olhos: os mais experimentados na direção esportiva, que têm amplo
controle do carro em situações extremas e não gostam da intervenção de
sistemas eletrônicos. Foi pensando nesse público que os fabricantes
desenvolveram novos meios de atuação do ESP.
O Mercedes C 63 AMG
de 457 cv é um bom exemplo. Por meio de um botão no painel, seu
motorista pode selecionar entre três modos de funcionamento: normal,
esporte e desligado. No modo normal o ESP entra rapidamente em ação ao
detectar saída da trajetória.

Em países com neve e
gelo o controle de estabilidade assume especial importância, sobretudo
em áreas com possível travessia de animais
O
modo esportivo, porém, é bem mais permissivo. O ESP continua a monitorar
o que o motorista faz, mas ao acelerar forte durante uma curva, por
exemplo, é possível fazer a traseira escapar de forma considerável até a
intervenção do sistema, que nesse caso é mais discreta que no modo
normal. Há ainda o modo desligado, em que o controle não atua. No modo
esporte ou no desligado, porém, se o motorista usar os freios o ESP
interpreta que sua ajuda é necessária e retoma o modo normal. Após a
frenagem o sistema volta à posição selecionada.
No Chevrolet Corvette, com mais
de 400 cv, é usado o Active Handling ou estabilidade ativa. O que ele
tem de especial é o fato de analisar não só a trajetória do carro, mas
também as ações do motorista que a produziram. Um condutor que dê
comandos excessivos no volante e no acelerador — por falta de
habilidade, por exemplo — terá a atuação do ESP mais cedo que um outro
que explore com suavidade os limites de aderência. O Active Handling tem
quatro modos de uso: normal, sem controle de tração (a potência deixa de
ser cortada), direção competitiva (permite mais desvio da trajetória e
patinação das rodas motrizes) e desligado. |