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"Numa viagem até
Ribeirão Preto o carro não rendia acima de 3.500 rpm e gastou quase um
tanque para percorrer 180 quilômetros. Descobri depois que os bicos
injetores estavam corroídos e que o antigo proprietário havia
misturado álcool no tanque", lamenta.
Como a maioria dos
motoristas não entende muito de mecânica, faz-se necessário levar o
veículo até uma oficina de confiança. Lá o mecânico pode descobrir
indícios de colisões, defeitos no motor e a necessidade de algum
reparo em câmbio e suspensão, em geral oneroso. Ainda assim, como
normalmente se examinam vários carros antes da compra, o consumidor
pode eliminar boa parte das opções até decidir que automóvel levar à
oficina.
Abrindo o capô, verifique o nível de óleo (sua falta prejudica a
lubrificação), as correias (devem estar em bom estado, sem fiapos,
lascas ou ressecamento e não devem apresentar folgas) e o reservatório
do sistema de arrefecimento: se tiver cor de ferrugem, sabe-se que há
muito tempo não é feita a troca da água e do aditivo. Não se
impressione com um motor limpo e brilhante: sua limpeza não precisa
ser regular e um carro mal conservado pode ganhar aspecto bem melhor
com uma rápida lavagem.
Amortecedores também podem ser avaliados, antes mesmo de dirigir.
Empurre o carro para baixo na altura de cada roda e solte-o. Se o
veículo oscilar mais que uma vez e meia, pode ser sinal de fim de vida
útil para o equipamento. Cheque se a altura do carro é constante entre
as quatro rodas: um desnível é sinal de molas arriadas, que exigem
troca — ou mesmo de uma colisão grave, que afetou a estrutura. |
Os
pneus também devem ser levados em conta. Desgastes irregulares podem
indicar desalinhamento de rodas ou amortecedores em mau estado.
Pneus gastos, com menos de 1,6 mm de profundidade nos sulcos, exigem
troca urgente, que costuma ser onerosa. Nesse caso peça um desconto.
Atenção também aos equipamentos obrigatórios e de segurança: triângulo
de sinalização, chave de roda, macaco, cinto de segurança e estepe
devem estar em boas condições. A validade do extintor de incêndio deve
ser verificada.

Para quem não acredita que é possível "conversar" com um automóvel e
entender seus problemas, algumas dicas: ao dar a partida, atente a
ruídos diferentes do usual, como batidas metálicas ou "algo solto"
dentro do compartimento do motor. Dê uma olhada na fumaça do
escapamento: se for preta, indica excesso de combustível na mistura, o
que pode exigir regulagem ou troca de componentes. Se azulada,
desista: é sinal de óleo sendo queimado e gasto substancial à vista.
Só compensa se o vendedor aceitar um polpudo desconto e você o levar
ciente disso. Continua
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A internet tem sido uma aliada na hora de comprar um carro.
Milhares de grupos de debate e sites de modelos específicos
oferecem aos usuários dicas sobre o que verificar e quais os
principais problemas de cada veículo. O BCWS mantém desde
1998 a seção Teste do Leitor,
onde proprietários opinam sobre os carros que possuem. Sem
dúvida, são ferramentas que auxiliam o futuro proprietário a
comprar sem medo.
O consumidor deve ter em mente, também, que carro — novo ou
usado — não é mais investimento. Mesmo que seu valor se mantenha
de ano para ano, uma aplicação bancária qualquer renderia mais.
Se ainda assim ele busca um veículo que seja "cheque visado" na
praça, é bom saber escolher. Dependendo da versão de determinado
carro ou dos opcionais presentes, a tarefa de passar o modelo
para frente pode se tornar árdua.
Quem procura um carro de luxo pode fazer questão de bolsas
infláveis, freios com sistema antitravamento (ABS) ou mesmo
revestimento dos bancos em couro. Em um carro médio, hoje, a
falta de ar-condicionado e controle elétrico dos vidros e travas
já traz grande dificuldade de revenda. Na maioria dos segmentos,
exceto o de entrada, versões de duas portas podem encontrar
barreiras na venda. |
E picapes médios e pesados que não sejam a diesel sofrem
rejeição, a não ser que tenham sistema de gás natural em regiões
com boa oferta desse combustível.
Automóveis a álcool são um caso à parte. Depois de sucessivos
altos e baixos no preço do litro e a falta do produto, em 1989 e
1990, a confiança do consumidor abalou-se de maneira quase
definitiva, o que pode tornar sua revenda difícil. O que tem
ótima procura são os modelos
flexíveis, lançados desde 2003 e que começam a ganhar
presença no mercado de usados. Já as "conversões" baseadas na
troca do módulo eletrônico são fontes de problemas (como a
corrosão da bomba de combustível) e devem ser evitadas.
A cor prata, como se sabe, é hoje a preferida pelo mercado,
sendo bem cotados outros tons de cinza, o preto e — com exceção
da capital paulista, onde identifica os táxis — o branco. Tons
chamativos, como amarelo, laranja e roxo, agradam a poucos
compradores e não são indicados para quem procura fácil revenda.
Cuidado também com acessórios de gosto discutível, como grandes
aerofólios e defletores, rodas enormes, películas coloridas nos
vidros e carrocerias modificadas. Para não perder dinheiro mais
tarde, você pode ter no mínimo de retirar esses itens. |
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