Ao dirigir, com o carro engrenado, experimente tirar o pé do acelerador. Um freio-motor (situação onde o próprio funcionamento do motor "segura" o veículo em desaceleração) fraco demais pode significar falta de compressão nos cilindros e necessidade de retífica em último caso. Segure o volante levemente e pise forte no freio, em uma rua plana e sem movimento. Veículo puxando para um dos lados sinaliza problemas no freio ou na suspensão. Em um piso irregular ou de paralelepípedos, avalie se o nível de ruído interno é adequado e se não há barulhos estranhos na suspensão.

A documentação   Tudo certo com o carro? É hora de proceder à compra. Comprovante de pagamento do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e do seguro obrigatório (DPVAT), Certificado de Registro e Licenciamento de Veículos e Certificado de Transferência, datado, preenchido e com firma reconhecida (recibo ou contrato de venda), são os documentos exigidos na hora de fechar o negócio.

Para transferir o carro para seu nome, sem que a placa seja modificada, o Detran vai exigir os comprovantes do IPVA, do seguro obrigatório e das multas; o certificado de registro e licenciamento e o recibo de venda ou contrato. Se for preciso trocar a placa do carro ou a tarja do município, você vai precisar ainda de Certidão de Prontuário (histórico do carro), Certidão Negativa de Multa (do município de origem), Certidão de Furto (com origem de outro Estado) e vistoria.

Se mesmo com todos esses cuidados o carro apresentar problemas, ainda há solução. De acordo com o Procon, o Código de Defesa do Consumidor brasileiro assegura, em caso de compras efetuadas em estabelecimentos comerciais, um prazo de 90 dias para reclamação de problemas de fácil constatação. Caso esses problemas não sejam resolvidos em 30 dias, o proprietário pode exigir a troca do veículo, o cancelamento da compra ou o abatimento proporcional do preço. O prazo de 90 dias vale também para problemas ocultos ou de difícil constatação.

Algumas concessionárias oferecem o serviço de usados revisados e com garantia estendida, mas geralmente os preços dos carros à venda são maiores que a média de mercado. Nesse caso trata-se de uma garantia contratual e que não é obrigatória. Exija um termo escrito especificando as condições da garantia oferecida. Para saber se a loja possui alguma ocorrência junto ao órgão de defesa do consumidor, visite o site do Procon.

Ainda de acordo com o órgão, a compra direta de um automóvel de pessoa física não constitui uma relação de consumo e, por isso, a fica fora do Código de Defesa do Consumidor. Ainda assim, o antigo proprietário pode ser acionado judicialmente, com base no Código Civil, conforme os prejuízos que sua conduta provocar.

O Administrador Público Alexandre Tayama, de São Paulo, enfrentou problemas dessa ordem. Seu pai havia comprado um Kadett 1993 do namorado de uma amiga. Mesmo com multas, ficou com o carro e recebeu a promessa de ter o assunto resolvido em um mês. "Depois de dois meses começou o martírio. O carro começou a dar problemas seguidos na bomba de combustível. Somada à questão das multas, fez com que meu pai perdesse a paciência, pagasse a transferência e as multas e ajuizasse ação contra meu amigo, que a partir daí deixou de sê-lo", completa.

O Procon dá outra dica: nunca efetue sua compra impulsivamente. Verifique se o veículo foi furtado ou apresenta multas pendentes. O Detran de cada estado informa a situação cadastral do veículo, como multas, alienação ou bloqueios administrativos. Só aceite documentos originais; recuse papéis com rasuras ou fotocópias, mesmo que autenticadas.

Tomando essas providências, a chance de levar um "mico" para casa é bem menor. Afinal de contas, aquilo que foi a alegria de quem o comprou zero-quilômetro ainda tem como agradar a muitos outros proprietários.

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