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Com o advento da injeção de combustível e das
modernas ignições, quase não se fala mais nas velas de ignição --
elas duram cada vez mais e são trocadas ainda em bom estado, na
maioria dos casos. Mas esses elementos, responsáveis pela centelha
(faísca) que causa a explosão da mistura ar-combustível, dando
início ao processo que movimenta o veículo, merecem atenção quanto
à especificação correta, inclusive em motores preparados.
Trabalho pesado
As velas trabalham em
condições severas: emitem milhares de centelhas por minuto, sob uma
pressão de até 15 kg/cm2 no interior dos cilindros, e atingem
temperaturas extremas da ordem de 2.500°C!
É normal um pequeno consumo de seus eletrodos, o que aumenta o
espaço entre eles e os torna mais arredondados -- em ambos os casos
prejudicando a descarga de corrente elétrica. Por isso as velas devem
ser substituídas no prazo recomendado pelo fabricante do automóvel,
que varia de 10 a 40 mil km, em média.
Para durar mais
O principal fator que afeta a
vida útil das velas é a regulagem dos parâmetros de alimentação e
ignição. Mas o consumo de óleo, seja por desgaste dos anéis ou por
vedadores de válvulas com defeito, tende a carbonizar (deixar
resíduos de óleo) nas velas, reduzindo sua eficiência. Enquanto o
problema não puder ser resolvido -- às vezes com retífica --, limpe
as velas com maior frequência.
Um mecânico experiente sabe "ler" nas velas o resultado de
problemas ou desregulagens do motor: conforme o estado e a cor dos
depósitos dos eletrodos, constata se a regulagem de carburação
está correta ou se uma alteração na taxa de compressão, por
exemplo, foi bem-sucedida.
Fria ou quente?
As velas possuem um grau térmico, indicado por um
número -- por exemplo, o "5" em BP5ES. Esse fator relaciona-se
à dissipação de calor na câmara de combustão.
Chamam-se de velas frias as que possuem grau térmico inferior às
recomendadas pelo fabricante, e de quentes as com grau térmico
superior. Uma vela mais quente aumenta a temperatura da câmara de
combustão, o que pode melhorar o rendimento em algumas situações,
mas expõe o motor ao risco da detonação
e pode até derreter o eletrodo central.
Com velas muito frias o desempenho piora, o consumo aumenta e surgem
depósitos de carbonização nas velas e nas câmaras de combustão.
Mas esta alteração pode ser necessária ao rebaixar o cabeçote ou
instalar um turbocompressor, para reduzir a tendência à detonação.
A mudança deve ser analisada e acompanhada por um preparador
experiente, que se certificará de que o novo grau é o mais adequado
ao motor.
Quatro eletrodos As
velas de quatro eletrodos, relativamente recentes, aumentam um pouco a
chance de a centelha ocorrer em condições difíceis, como alta pressão
na câmara ou muito calor. Em condições perfeitas, criam um cone
(como é chamado o volume atingido pela centelha) de maior área -- na
realidade são quatro cones pequenos, de volume maior que só um
grande. Isso dá origem a uma frente de chama maior e a queima se
realiza mais rápido, mas são diferenças pequenas e imperceptíveis
para o motorista.
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