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Antes de mais nada, vale a pena entender a difícil situação do caminhoneiro. Em regra é um motorista mal remunerado, pressionado pelos prazos de entrega e pelos custos cada vez menos cobertos pelo frete. Muitos passam semanas longe de casa, dormem nas cabines ou mal chegam a descansar (veja boxe), sem falar no contínuo temor dos assaltos e roubos de carga. Se você não tem culpa de nada disso, ao menos pode tentar compreender para que todos saiam ganhando.

Em um país tão dependente do transporte rodoviário, não há como evitar a presença maciça de caminhões nas estradas e também nas cidades. Mas você pode conviver melhor com eles

Muitas das dificuldades, porém, são de ordem técnica. Veículos pesados têm, naturalmente, reações mais lentas tanto para acelerar como para frear. Por isso, manter distância é fundamental. Como caminhões não permitem visão traseira próxima, faça-se notar. Procure usar o farol baixo mesmo de dia e posicione-se de modo que o motorista possa ver seu carro pelos retrovisores laterais sempre que possível. Evite a tentação de ultrapassá-lo quando, na cidade, abrem uma curva -- aquela "brecha" pode estar fora da visão do motorista e logo será fechada.

Sinalizar seus movimentos também é básico para a segurança de todos. Luz de direção nas mudanças de faixa ou conversões, um piscar de farol alto ao ultrapassar para mostrar sua presença (à noite, prefira a luz de direção, que incomoda menos) e luzes de freio funcionando bem são fundamentais para evitar acidentes.

Para evitar colisões frontais, seja com veículos leves ou pesados, só ultrapasse com total visibilidade e certeza da ultrapassagem segura (leia outras dicas sobre o tema). Muitos caminhoneiros e motoristas de ônibus sinalizam para o condutor que vem atrás, com luz de direção, para que ele ultrapasse no momento mais seguro. Não confie cegamente nessa ajuda: por melhor que seja a intenção, confie apenas em seu campo visual da pista contrária. Para isso, mantenha distância suficiente para ver de longe os veículos do outro sentido, mas não tanto que aumente muito o espaço total a ser percorrido na ultrapassagem.

Fique atento a caminhões com caçamba aberta, carga exposta ou mal acondicionada. Mantenha maior distância para ter tempo de reagir caso algo venha a cair do caminhão. Lembre-se também que os pneus de ônibus e caminhões têm sulcos mais largos, que podem lançar pedras grandes o bastante para quebrar o pára-brisa de um carro próximo ou, no mínimo, causar um susto.

O problema de caminhões velhos e sem segurança cabe às autoridades: um perigo que requer fiscalização mais eficiente

Caminhões e ônibus são veículos longos e, numa eventual emergência, não têm a mobilidade de um carro. Não pressione: gerar tensão não é bom para ninguém na estrada. Procure ajudar ao caminhoneiro que muda de faixa à sua frente para não perder um embalo, que seu carro recupera em segundos. Dirija de forma compatível com a estrada, as condições do tempo, do veículo à sua frente e até conforme o comportamento dos outros motoristas. E fique longe de possíveis problemas.

Por fim, se necessário, avise a Polícia Rodoviária ou a concessionária da rodovia caso veja algo potencialmente perigoso na estrada, seja você um motorista de carro ou um caminhoneiro. Isso é dever de todo bom motorista.

Resumindo, a regra que todos devemos seguir no trânsito é uma só: respeitar para ser respeitado. Quando nossa realidade mudar, tudo ficará melhor em nossas estradas, com o respeito mútuo e a segurança que todos merecemos.

A questão do "rebite"
Com todas estas dicas, a convivência entre carros e caminhões pode ficar bem melhor. Mas resta resolver um grave problema: a sobrecarga de trabalho dos motoristas. Como ganham por viagem -- e muito mal, por sinal --, quanto mais rápida for a viagem e quanto mais viagens fizer, mais o motorista recebe de frete. Portanto, o caminhoneiro tende a correr demais, dormir pouco, dirigir cansado e usar os chamados "rebites" (medicamentos para inibir o sono, que alteram sua percepção e tempo de reação). E muitas vezes dorme ao volante.

Em nome da segurança, ninguém deve dirigir cansado, com sono ou sob efeito de drogas -- muito menos um motorista profissional e de um veículo difícil de conduzir. Levar uma vida dura não justifica pôr ninguém em risco. Nas transportadoras esses problemas são menores, pois os prazos são um pouco mais realistas e as viagens têm intervalos maiores.

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