Com câmbio manual de quatro marchas, todo sincronizado, e tração traseira, o veículo recebeu suspensões independentes de automóvel, coerentes com sua proposta: na frente, braços sobrepostos e molas helicoidais; atrás, semi-eixos oscilantes (mesmo conceito do Fusca e da maioria dos Mercedes da época) com molas helicoidais e barras de torção auxiliares. Freios a tambor de comando hidráulico — o melhor que havia então — desaceleravam com certa rapidez seus 2.100 kg de peso, associados a um freio a disco interno entre a árvore de transmissão e o diferencial. As rodas de 5,5 x 15 pol recebiam pneus 7,60-15.

Suspensões de automóvel, potentes freios e um motor de seis cilindros, com injeção direta de gasolina e 192 cv: um conjunto adequado para o transporte rápido e seguro de carros preciosos

O Transporter ficou em atividade entre 1954 e o final de 1955, quando a empresa novamente retirou-se das pistas. A cada prova, era uma sensação nos boxes maior do que os próprios carros de corrida — sobretudo depois de ter sido pintada nos pára-lamas traseiros uma indicação de sua velocidade máxima de 105 milhas por hora. O veículo retornou à fábrica só em 1957, um tanto usado, mas ainda em boas condições.

Seu destino parecia definido: repousar junto a um 300 SLR no Museu Mercedes-Benz para a posteridade. No entanto, constatou-se que ele era muito pesado para o piso do museu e a marca preferiu mantê-lo em serviço, no departamento de testes, até que não tivesse mais condições de uso. Em dezembro de 1967 o único exemplar era descartado, para decepção de muitos.

Os responsáveis por veículos antigos da Mercedes, porém, não tiveram paz: inúmeros foram os pedidos para que o Transporter voltasse a ser visto e mesmo dirigido. Uma ampla consulta nos arquivos da empresa levou a algumas fotos e informações, mas se descobriu que não havia sido feito qualquer desenho do projeto, algo comum em veículos especiais da marca na época.

O único exemplar do Transporter foi usado até seu limite, em 1967, quando a Mercedes o descartou; 33 anos depois renascia, cuidadosamente restaurado

Em 1993 a Messrs. MIKA GmbH, empresa especialista em restauração de antigos no norte da Alemanha, recebia a incumbência de recolocar o utilitário em condições de uso, a partir das escassas referências disponíveis. Foram precisos sete anos para refazer toda a carroceria, a mecânica, os detalhes de acabamento. Apenas uma alteração no original foi admitida — o uso de freios dianteiros a disco do conversível SL de 1989, com a eliminação do antigo freio junto ao diferencial. E o curioso caminhãozinho renasceu, para ser admirado pelos que apreciam veículos únicos.

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