


Retrovisores, aerofólio e
saias laterais estavam entre as novidades da versão, que por dentro
mantinha o acabamento sofisticado e o exotismo



Agora com 6,0 litros, o motor do
W8 fornecia 633 cv para uma máxima declarada de 350 km/h -- compatível
com seu preço de até US$ 250 mil |
As
rodas especiais, com medidas 9 x 15 pol nas dianteiras e 12 x 15 pol na
traseira, calçavam pneus Pirelli P7. No interior, os bancos Recaro
revestidos em couro tinham ajustes elétricos e ficavam bem juntos um do
outro, no centro do carro, pois a alavanca da caixa automática estava à
esquerda do motorista, deixando o piso do carro plano. Os cintos eram de cinco pontos. O painel tinha sistema Head-Up Display (HUD),
semelhante ao dos caças da força aérea, que projetava as informações de
velocidade e rotações no para-brisa, na altura da visão, de modo que o
motorista não tivesse que desviar seu olhar da pista para ter acesso a
esses valores.
Barras horizontais de leds forneciam
informações como temperatura dos gases de escapamento, pressão do
coletor de admissão, temperatura e pressão do óleo da transmissão. A
partida se dava por meio da inserção de um código em um teclado à
esquerda do banco do motorista, ao lado das largas soleiras. O sistema
de áudio Blaupunkt tinha 24 alto-falantes, vários deles nas portas. O
carro ainda tinha ar-condicionado e sistema de navegação por satélite.
Apesar de todo o refinamento — ou por causa dele —, o W2 permaneceu em
uma única cópia, tendo sido o protótipo modificado, redesenhado e
repintado diversas vezes em diferentes cores, tais como branco, cinza,
prata e vermelho.
Terra do
Nunca
Em 1984,
Wiegert reorganizou sua empresa com o nome de Vector Cars International.
Para tentar levantar dinheiro permitiu que o carro fosse contratado para
fotografias, algo que também aumentava sua exposição ao público e à
mídia. Como resultado, o Vector apareceu em publicidades para os
relógios Timex, silenciadores Midas, óleo Chevron, pneus Bridgestone e
cigarros Vantage. Três anos depois, mais uma vez o empresário
reorganizou as operações, desta vez como Vector Aeromotive Corporation e
sediada em Wilmington, também na Califórnia.
A tradicional revista Autoweek cobriu o Vector em uma reportagem
de capa de oito páginas. Contudo, o autor comparou a fábrica à Terra do
Nunca de Peter Pan. Na sequência do artigo, Wiegert e a Vector abriram
um processo legal contra os editores cobrando US$ 5 milhões por
difamação. A ação, bem-sucedida, foi o primeiro de uma série de casos
que acabaram ajudando a financiar a Vector. Outras ações incluíram uma
contra a RJ Reynolds (uso indevido do Vector em publicidade de cigarro)
e a Goodyear (infração de marca registrada com seu pneu Vector).
Para aumentar o capital, Wiegert buscou com sucesso a emissão de ações
na bolsa norte-americana Nasdaq, tendo sido o primeiro fabricante de
carros esportivos listado em uma bolsa do país. O código de negociação
aparecia em todo o material promocional da marca: VCAR. Com dinheiro em
caixa, passou a desenvolver, junto de seu braço direito David Kostka,
uma versão atualizada do W2: o W8 Twin Turbo, cujo primeiro protótipo
foi na verdade o W2 com carroceria transformada.
Para a transformação, as três persianas de cada farol foram
transformadas em uma única, o aerofólio foi trocado por um mais baixo —
quase em linha com a traseira do carro —, os espelhos retrovisores foram
para o lado de fora e foram aplicados novas lanternas traseiras em dois
filetes de cada lado, novas saias laterais, para-choque dianteiro mais
largo e janelas laterais de correr. A largura saltou para 2,08 m. Já o
comprimento ficou em 4,37 m para uma distância entre eixos de 2,62 m,
com a altura bem reduzida de 1,08 m. O peso do carro passou a cerca de
1.500 kg. A capacidade do porta-malas, dividido em dianteiro e traseiro,
totalizava cerca de 300 litros, ao passo que a do tanque era de 106
litros.
O motor passou a usar bloco Rodeck com novos pistões, bielas,
virabrequim, válvulas, varetas e cabeçotes de alumínio. A cilindrada
passou a 6,0 litros. Abrindo o capô, a primeira visão que se tinha eram
os enormes resfriadores de ar polidos. O carro agora tinha seu próprio
sistema de injeção com injetores Bosch. O desempenho divulgado era um
pouco mais "modesto" do que o do W2: com 633 cv e torque de 87 m.kgf,
prometia 350 km/h.
As revistas que testaram esse Vector obtiveram dados de desempenho
consideráveis, como 4,2 segundos para a aceleração de 0 a 96 km/h, 12 segundos no quarto-de-milha
e aceleração lateral de 0,97 g (97% da gravidade). Os pneus estavam maiores ainda: Michelin XGT 255/45 ZR
16 na frente e 315/40 ZR 16 atrás, em rodas 9,5 x 16 pol e 12 x 16 pol,
na ordem. Os freios mediam 330 mm.
Por dentro, as novidades eram bolsas infláveis frontais,
carpete de lã Wilton e toca-CDs Sony para 10 discos. O
painel com barras gráficas foi trocado por uma tela com mais funções, à
esquerda do volante, que tinha inclinação ajustável. Os instrumentos
englobavam até mesmo uma bússola e um horímetro do motor, que contava as
horas de funcionamento. O carro foi posto à venda em série no início dos
anos 90. Mas seu preço, mais uma vez foi ajustado, ia de 180 a 250 ml
dólares, dependendo das opções. A primeira unidade foi entregue, em Paris, ao
príncipe saudita Khalid em setembro de 1990 com mais de três anos de
atraso em relação à data que Wiegert havia inicialmente prometido.
Continua
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