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Com linhas mais
arredondadas, o WX-3 lembrava um protótipo esporte do Grupo C; a
primeira unidade trazia um único banco com três lugares


A versão Roadster do
Avtech aparecia em Genebra em 1993, mas esse foi mais um Vector
em exemplar único, vítima das crises do fabricante |
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Se o Vector já é uma raridade nas ruas, nas pistas consegue ser
mais ainda. Somente um exemplar para competição foi feito, a
partir de um M12 de rua. A carreira foi curta, assim como a do
carro que lhe deu origem. Ele correu na categoria IMSA GTS em
1998, participando das 12 Horas de Sebring, de Las Vegas e da
Road Atlanta. O Vector não concluiu nenhuma das corridas, tendo
como melhor posição o 19º lugar na Road Atlanta, quando
abandonou por problemas de câmbio. Melhor sucesso o carro de
corrida teve virtualmente, por ser incluso entre os veículos
disponíveis no jogo eletrônico para PC e Playstation Sports Car
GT, da EA (Electronic Arts). |
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Problemas de administração dos custos elevaram ainda mais o
preço do carro, já em 1991, para US$ 283.750 — e no ano seguinte para
incríveis US$ 489.800, algo como o dobro do preço de dois anos antes. Os
custos subiam, entre outros, devido ao processo de homologação, que
incluiu a destruição de um exemplar do carro em um teste de colisão.
Entre as histórias de quem encomendou os carros, nem todos os finais
foram felizes. O astro do tênis Andre Agassi insistiu na compra de um
dos primeiros W8, em 1991. Foi vendido para ele sob a condição de que o
mantivesse guardado até que a empresa pudesse homologá-lo quanto às
emissões poluentes. Agassi concordou com os termos, mas acabou usando o carro — e em ritmo
forte. Depois de apenas 10 dias, com o Vector danificado e com problema
de superaquecimento, Agassi exigiu que Wiegert levasse o carro de volta
e lhe devolvesse o dinheiro.
Por medo da má publicidade, o empresário concordou. Com o aumento
absurdo que se seguiu do preço, o prejuízo acabou se transformando em
lucro: o esportivo usado foi vendido por mais do que Agassi havia pago
por ele novo. Foram produzidas 19 unidades do W8 de 1989 a 1992,
incluindo dois protótipos originais e não o protótipo feito a partir do
W2. Dos carros produzidos, três foram para o príncipe Khalid. Dois W8
foram vendidos para clientes da Europa, um na Alemanha e um na Suíça.
Todos os demais ficaram com compradores norte-americanos.
Mais de
400 km/h
Em 1992, no Salão de
Nova York, foi feita a apresentação do próximo Vector: o Avtech WX-3. Se
os dados técnicos dos W2 e W8 já eram assustadores, os anunciados para o
WX-3 beiravam o inacreditável: seus motores teriam até 1.000 cv e a
velocidade atingiria a barreira dos 400 km/h. O preço do modelo mostrado
era anunciado como de US$ 765 mil, embora Wiegert tivesse planejado
também para esse carro uma versão de US$ 200 mil com motor aspirado de
300 cv, com base no LT1 V8 do
Chevrolet Corvette, que nunca chegou a ser realizada.
Precisando de uma nova injeção de dinheiro, o dono da Vector vendeu
parte da empresa a um grupo indonésio com sede na ilha Bermuda, o
MegaTech Pty Ltd., com atividade em áreas como
navegação e mineração. A MegaTech era chefiada por Setiawan Djody e
Hutomo "Tommy" Suharto. Djody era um novo-rico que queria ser o primeiro
magnata da indústria automotiva da Indonésia; e Suharto, um entusiasta
de carros de corrida e filho do ditador daquele país. Esse dinheiro
ajudou Wiegert e seus engenheiros a desenvolver o carro. Também levou a um motor V12, construído por Ryan Falconer,
empregando grande parte da estrutura básica do Chevrolet V8.
Mas, enquanto fotos e detalhes do motor foram publicados, o Vector nunca
foi apresentado com ele. O WX-3 apareceu mesmo com um motor V8
central-traseiro transversal biturbo de 6,0 litros. Com a ajuda dos
recursos financeiros, Wiegert permaneceu com a idéia de usar no WX-3
nada que não fosse o melhor, com componentes concebidos e construídos em
função do carro.
O
WX-3 era na essência uma versão atualizada do W8, com
características mais modernas e estilo menos angular — linhas retas
estavam ficando muito fora de moda —, mas continuava a ter as marcantes
portas com abertura vertical. A carroceria agora era toda construída em
fibra de carbono e utilizava Nomex, material especial contra incêndio,
similar a náilon, mas com maior resistência. O estilo lembrava os dos
protótipos esporte do Grupo C. As entradas de ar laterais ganhavam perfis arredondados. O aerofólio
traseiro, em forma de arco integrado à carroceria, tinha pequenas abas
ajustáveis pelo motorista que permitia escolher entre menor arrasto e
menor sustentação.
As superfícies de vidro cobriam as colunas
dianteiras, para a sensação visual de que os vidros laterais e o
para-brisa formavam uma peça só. As rodas eram de 18 pol e discos
ventilados de 345 mm freavam dianteira e
traseira. Toda a instrumentação tinha origem em fornecedores de aviação,
com especificações militares. Um banco de três lugares revestido em
couro foi empregado no protótipo, embora no modelo de produção desse
lugar a dois individuais. O sistema de áudio, constante
preocupação de Wiegert, vinha com 10 alto-falantes. O empresário resumia o novo
modelo da seguinte maneira: "O WX-3 não é
apenas o carro mais poderoso do momento. Ele incorpora uma tecnologia
tão avançada que nenhum fabricante no mundo se arriscaria a usá-la por
medo de assustar o cliente".
Uma nova versão do Avtech, a WX-3 Roadster, com capota aberta, foi a
novidade do Salão de Genebra do
ano seguinte, junto da estreia da versão cupê na Europa. Foi anunciado que o W8 estava sendo tirado de linha.
Como no salão do ano anterior a empresa não havia
quitado o aluguel de seu espaço, Wiegert — pego de surpresa pouco antes
da abertura do evento —, para não ficar de fora e correr o risco de ter
os carros apreendidos, teve que pagar o US$ 20 mil em seu cartão de
crédito. O investimento, no entanto, não foi compensado pois o preço
proibitivo dos carros, para a crise que se vivia à época, levou a
nenhuma venda. Ambas as versões do WX-3 restaram em exemplares
únicos.
Continua
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