A assinatura de Walter de'Silva, ex-Alfa Romeo, estava evidente na terceira geração do Ibiza; o Cupra R, ao lado, podia vir com motor de 180 cv a gasolina ou 150 cv a diesel, ambos com turbo

O Cordoba seguia o padrão de estilo e também ganhava algum aspecto de Alfa; a plataforma PQ24 era a mesma do Polo lançado no mesmo ano

Com desenho lateral distinto para três e cinco portas, o quarto Ibiza era apresentado em 2008 com linhas angulosas e forte caráter esportivo

Aproveitando a boa fase, a Seat lançou uma versão ainda mais quente do hatch. Chamado Cupra R, o esportivo com apenas 200 unidades produzidas tinha o mesmo motor 1,8 turbo a gasolina, retrabalhado para 180 cv e 24 m.kgf. Era mais vistoso e trazia mudanças como suspensão recalibrada e mais baixa, bitolas mais largas, freios Brembo, bancos e volante revestidos em couro e bolsas infláveis frontais e laterais. Com peso de 1.119 kg, acelerava de 0 a 100 em 7,2 s. O teste da revista espanhola Autopista o classificou como "um verdadeiro míssil", com potência em todas as faixas de rotações, em que já a 2.000 rpm "começa o espetáculo". Descrevia a publicação: "O Cupra R come os quilômetros em um ritmo endiabrado. (...) Permite acelerar sem preocupações na saída das curvas, graças a sua excelente tração; alcança velocidades vertiginosas em distâncias reduzidas, freia como se levasse uma âncora e mergulha na curva para começar o processo de novo".

As mudanças de direção e projeto fizeram bem ao Ibiza e à Seat. As vendas dessa segunda geração superaram as da primeira, com pouco mais de 1,5 milhão de carros.

O espírito é o mesmo   Um Ibiza repaginado chegava às ruas europeias em 2001. Sob a tutela do projetista Walter de'Silva, que se tornara o chefe de desenho do Grupo VW, o novo Seat, cujo projeto interno era 6L, assumia linhas bastante provocantes que coincidiam com seu DNA de sangue quente. O mote de sua campanha de publicidade — "os rituais são diferentes, mas o espírito é o mesmo" — mostrava a ideia de pessoas diferentes que, quando dentro do Ibiza, são todas tomadas pelo espírito da esportividade. Embora usasse a mesma plataforma PQ24 do novo Polo (e do Skoda Fabia, produzido pela marca checa do mesmo grupo), o Ibiza era diferente e recebia faróis de perfil curvo e atraente. Na frente o bico pronunciado, com a grade separada e o logo da marca, chamava a atenção. Abaixo, no para-choque, a entrada de ar para o motor estava presente. Nas laterais havia pequenos ressaltos sobre as caixas de rodas. Na traseira as lanternas agora eram horizontais e afiladas, lembrando modelos da Alfa Romeo que de'Silva havia desenhado — elemento visto também no renovado Cordoba, que já não oferecia a versão perua Vario.

O Ibiza media 3,95 m de comprimento, 1,69 m de largura, 1,44 m de altura e 2,46 m de entre-eixos; pesava de 1.015 a 1.250 kg, conforme a versão, e o Cx baixava para 0,31. Internamente a qualidade melhorava e o painel estava elegante, com saídas de ar circulares, console central levemente voltado para o motorista e volante de três raios de aspecto esportivo. A suspensão permanecia McPherson à frente e com eixo de torção atrás. Como de praxe, a linha de motores era um destaque. Começava por um pequeno três-cilindros (configuração inédita no modelo) com 1,2 litro e 63 cv; passava por um 1,2 de quatro cilindros com 54 cv, dois 1,4 com 74 e 100 cv (este com 16 válvulas), o 2,0 com 115 cv e dois 1,8 turbo com 150 e 180 cv, que equipavam as versões FR e Cupra, na ordem
todos a gasolina. A diesel havia o 1,4 TDI com 74 cv, o 1,9 SDI com 63 cv e três outros 1,9 com turbo para potências de 100, 130 (FR) e 160 cv (Cupra). No caso do Cupra R, lançado em 2003, os motores turbo podiam ser a gasolina, com 180 cv, ou a diesel com 150.

Ao testar a versão a diesel de 130 cv, a Quattroruote observou "um grande passo à frente em termos de potência, qualidade e equipamentos". Os aspectos mais elogiados foram desempenho, estabilidade, acabamento, consumo, freio e posição de dirigir, todos com nota máxima; apenas o conforto de marcha e o preço elevado foram apontados como crítica. O Salão de Genebra de 2008 mostrou pelo conceito Bocanegra (leia boxe abaixo) qual seria a realidade do novo Ibiza. Desenhada por Luc Donckerwolke, sua quarta geração chegava naquele mesmo ano na carroceria de cinco portas e logo em seguida com a versão de três, batizada de Ibiza SportCoupé ou ainda SC. Certamente um dos desenhos mais bonitos colocados sobre a nova plataforma PQ25, o Ibiza foi o primeiro modelo do grupo a chegar ao mercado com tal arquitetura, precedendo em alguns meses o novo Polo.

Seus faróis trapezoidais davam um ar intimidador. A grade agora mais discreta formava par com as grandes tomadas de ar no para-choque. Com vincos bem marcados no capô e nas laterais, o Seat passava a ideia de esportividade em cada traço. O para-brisa inclinado abria espaço para uma discreta janela fixa na porta dianteira. O perfil da janela lateral traseira mudava de acordo com a carroceria de três ou cinco portas (nesta, tinha linha de cintura ascendente). Na parte posterior, um "ombro" nas laterais criava um efeito musculoso que terminava em lanternas também trapezoidais. Por dentro a qualidade permanecia e a esportividade era evidenciada pelos instrumentos "saindo" do painel, alavanca de câmbio curta e volante de três raios. Suas medidas eram 4,05 m de comprimento, 1,69 m de largura, 1,44 m de altura e 2,47 m de entre-eixos. O peso variava de 974 a 1.125 kg. Os motores a gasolina disponíveis eram 1,2 de 70 cv, 1,4 de 85 e 1,6 de 105 cv; a diesel havia unidades 1,4 de 80 cv e 1,9 de 90 e 105 cv, todas com turbo. Continua

Em escala
Há algumas poucas opções de miniaturas para quem quer guardar as fases do Ibiza. O modelo 1984, da primeira geração, é produzido pela Edicola em vermelho em escala 1:43. Detalhamento razoável.
A terceira geração é representada pela Ixo (foto) com um hatch TDI azul de 2002, também em escala 1:43. A Ale-Fischer produz a última geração. O hatch de três ou cinco portas vem em várias cores em 1:43.
Os conceitos
O Salão de Genebra de 2008 serviu para a Seat monitorar o público a respeito da quarta geração do Ibiza ao apresentar o conceito Bocanegra. O nome fazia alusão à grande seção dianteira na cor preta, incluindo a entrada de ar e os faróis com leds. As linhas marcantes juntavam-se a rodas de 19 pol com pneus 235/35 e um interior esportivo, com bancos em duas cores e comandos do câmbio automatizado de sete marchas no volante. O motor era 1,4 com turbo. Outro conceito, desta vez apresentado em Frankfurt em 2009, foi o IBZ Sport Tourer, um prenúncio de como seria a versão perua da linha. A esportividade mais uma vez tomava conta do desenho, apresentado em um azul metálico forte e interior creme. Leds apareciam na iluminação e as portas traseiras tinham a maçaneta embutida nas colunas. O teto era um show à parte, todo envidraçado para aproveitar o sol nem sempre frequente na Europa.

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