Ao lado da reforma visual do modelo 1999, o esportivo Cupra esbanjava desempenho: com turbo e 156 cv no motor de 1,8 litro, acelerava de 0 a 100 em 7,9 segundos

Grandes lanternas acompanhavam as mudanças na dianteira de toda a linha Ibiza; na foto inferior está o Cupra R, ainda mais potente -- 180 cv

Cordoba e Vario passavam pelas mesmas alterações; o motor 1,6 com bloco de alumínio e 101 cv já estava disponível desde os modelos 1996

Já a Quattroruote elogiou o novo 1,8 16V de 129 cv, que deixou o Ibiza um "esportivo de sangue quente". Ela assim descrevia o motor capaz de levá-lo a 218 km/h e com torque de 16,3 m.kgf: "Sobe de giros que dá prazer, especialmente em média rotação, nos quais responde com uma prontidão apreciável, mas faz sentir um pouco demais sua voz rouca". O carro foi considerado "um clássico GTI, com tudo o que essa sigla significa: ótimo desempenho e estabilidade previsível, mas também um conforto de marcha um tanto relativo, aceitável apenas pelos que amam acelerar fundo sem pensar em nada mais".

A Seat promovia em 1996 uma reforma discreta em grade e faróis. O Cordoba ganhava a opção de duas portas, que trazia rodas de 15 pol e aerofólio traseiro no acabamento esportivo SX, e estava disponível o motor 1,6 de nova geração do Grupo VW, com bloco de alumínio, coletor de admissão variável, 101 cv e 14,3 m.kgf. Junto a essas mudanças nascia um nome de peso no segmento dos pequenos esportivos: o Ibiza Cupra, com um propulsor de 2,0 litros dotado de duplo comando e 16 válvulas, com os quais obtinha 152 cv e 18,4 m.kgf. Aceleração de 0 a 100 km/h em menos de 9 s e máxima de 200 km/h eram marcas muito interessantes para sua categoria. Completavam o conjunto rodas, anexos aerodinâmicos e bancos diferenciados. Clio Williams, Corsa GSi e Punto GT Turbo estavam entre os adversários, diante dos quais o espanhol não fazia feio.

Os outros motores também mudavam. O de entrada agora deslocava 1,0 litro, mas estava pouco mais potente, com 50 cv. O 1,3 saía de linha, dando espaço para os 1,4 de 8 e 16 válvulas com 59 e 100 cv, na ordem. O 1,8 16V saía do catálogo, mas junto ao antigo 2,0 de oito válvulas estreava outro de mesma cilindrada, com 16 válvulas, 150 cv e 18,4 m.kgf, para o GTI. A diesel havia o 1,9 com 63 cv e duas versões com turbo, de 89 e 110 cv — esta para a versão GT. A nomenclatura dos acabamentos seguia novo padrão: básico, E, S, SE, SXE, Sport, GT, GTI e GTI Cupra Sport, em ordem crescente de preço. A mesma Auto Motor fazia um comparativo em 1998 com a Cordoba Vario Sporty 1,4 ao lado da Fiat Palio Weekend de 1,25 litro, importada do Brasil, e da checa Skoda Felicia Break 1,3. Os pontos altos da perua Ibiza foram espaço, estabilidade e qualidade de fabricação; as críticas focaram o acesso ao compartimento de bagagem e o apoio lombar dos bancos. Embora com menor espaço para as malas (390 litros) e desempenho inferior ao das concorrentes, a Seat mostrou menor consumo em autoestrada, maior conforto de marcha e bom padrão de segurança, o que a levou ao primeiro lugar no confronto, seguida de perto pela Palio.

Em 1999 o Ibiza se distanciava do primo Polo no que dizia respeito ao desenho. A frente recebia faróis mais arredondados e a grade agora era dividida em três partes, sendo que a seção central vinha evidenciada com um ressalto no capô — essa seria a assinatura da Seat em todos os modelos. Na traseira as lanternas estavam maiores. O desenho começava no fim da janela lateral e havia um prolongamento na tampa do porta-malas que ficava mais lisa. A placa descia para o para-choque e sumia o refletor que unia as lanternas. Por dentro a evolução era ainda maior: painel todo remodelado com curvas que "abraçavam" mais o motorista, assim como os painéis de portas. Mais agradável e moderno, o ambiente interno recebia equipamentos como ar-condicionado automático e uma tela multifuncional que mostrava informações como a estação de rádio.

Sob a tutela da VW, o passado duvidoso do Ibiza ficara mesmo para trás. Com qualidade construtiva adequada ao rigor dos europeus, o pequeno espanhol se tornava uma das melhores opções no segmento. Na área esportiva o Cupra ganhava turbo e cinco válvulas por cilindro no motor de 1,8 litro para chegar a 156 cv e 21,4 m.kgf, que o levavam a 218 km/h e de 0 a 100 em 7,9 segundos. Foi o primeiro do segmento a oferecer de série o controle de estabilidade e vinha com pneus 195/45 R 16. Comparado a seis oponentes (Citroën Saxo VTS, Punto HGT, Corsa GSi, Peugeot 206 GTI, RenaultSport Clio e VW Lupo GTI) pela Quattroruote, em 2000, esse Ibiza esportivo foi elogiado pelo motor potente, o desempenho e a direção segura, com freios e estabilidade muito bons, mas criticado pelo comando de câmbio e o alto consumo. Foi o segundo mais veloz, atrás do Clio, e o terceiro mais rápido de 0 a 100 km/h, perdendo para o Citroën e o Renault. Continua

No Brasil
A Seat também aproveitou o boom de marcas no Brasil nos anos 90 e trouxe a linha Ibiza inteira para ser vendida, de início, nas concessionárias Volkswagen entre 1995 e 2002. Os carros — Ibiza, Cordoba, Vario e o utilitário Inca, clone do VW Van — vinham inicialmente da Espanha e não demorou para a marca criar uma rede própria, mas discreta, de distribuição. Tudo começou pelo Cordoba com motor de 1,8 litro, oito válvulas e 90 cv (o mesmo do Golf GL trazido da Alemanha), seguido pelo Ibiza de mesma motorização. Contudo, o aumento do Imposto de Importação pegou a empresa de surpresa e, antes mesmo do início de vendas, o preço dos carros perdeu condições de competir com os nacionais.

Nos modelos 2000, que receberam uma remodelação frontal, o motor 1,8 deu espaço ao 1,6 de alumínio com 101 cv, o mesmo usado pelo então novo Golf e o Audi A3. Havia opção de caixa automática de quatro marchas, algo incomum na categoria, para o sedã e a inédita perua Cordoba Vario. Em busca do importante segmento de 1,0 litro, a marca aplicou o motor 1,0 16V do Gol ao hatch (só que em posição transversal, o que permitiu potência de 72 cv) quando este passou a vir da Argentina, também em 2000. A novidade, porém, não surtiu muito efeito nas vendas e durou pouco.

A VW mantém os direitos sobre a marca, mas nada tem feito sobre ela desde então — a não ser montar um discretíssimo estande de apenas um carro no Salão do Automóvel de São Paulo. O que é uma pena, já que a atual linha Seat, com o Ibiza e demais modelos, seria um belo complemento aos carros vendidos aqui pela marca alemã.

Nas pistas
A esportividade do pequeno Seat ficou ainda mais explícita com a participação da marca no Campeonado Mundial de Rali da FIA (WRC) na categoria de 2,0 litros. O carro, chamado Ibiza Kit Car, tinha o motor preparado para 260 cv e venceu as temporadas de 1996, 1997 e 1998. Isso estimulou o Grupo VW a investir em um novo competidor, o Cordoba WRC (foto), que fazia a estreia em 1998 na classe World Rally Car, a de carros mais sofisticados do Mundial.

Apesar da aparência semelhante à do sedã de duas portas de rua, o carro tinha amplas modificações: motor de 2,0 litros com turbo, caixa manual sequencial de seis marchas, tração integral permanente, diferenciais ativos, suspensão reprojetada com sistema independente na traseira. Contudo, os resultados foram modestos e em 2000 o grupo decidiu encerrar o programa, retirando a marca Seat do WRC.

No Brasil o Ibiza também fez sucesso como carro oficial da marca no Rali de Velocidade, categoria A7, sendo tricampeã nos anos 2001, 2002 e 2003.

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