Enquanto o polêmico motor V8 a diesel atendia aos ansiosos por economia, esse cupê Delta 88 Royale Brougham de 1980 oferecia mais requinte e conforto

No começo dos anos 80 a Olds fez poucas alterações visuais, mas a linha ganhou motores de menor cilindrada como o Rocket de 5,05 litros

Novos tempos para o 88: menores dimensões, tração dianteira e motor Buick V6 de 3,8 litros, que deixava para trás a época dos vigorosos V8

Ao lado de novas lanternas e grade, o modelo 1978 inaugurava a opção de um motor a diesel, o Olds V8 de 350 pol³ (5,75 litros) com modestos 120 cv e 30,4 m.kgf. Projetado a partir da versão a gasolina, que teve a taxa de compressão bem elevada (para 22,5:1) e os componentes internos reforçados, mostrou-se mais modesto em desempenho — acelerava de 0 a 96 km/h em 16 segundos, contra 12 do similar a gasolina — e um tanto problemático nas unidades iniciais, com tendência a superaquecer, situação que a GM demorou a sanar. Quando ele atingiu um grau aceitável de confiabilidade, a má reputação já estava solidificada.

Mas ele agradou no teste da Popular Science: "O Olds está bem adequado às necessidades. Uma vez que o motor esteja aquecido, o ruído peculiar do diesel mal é percebido, e pela cidade o rádio e o ar-condicionado mascaram-no totalmente. Em estradas, todos os traços do barulho do diesel desaparecem. Ele tem potência suficiente para ultrapassagens seguras, subidas de serra sem esforço e viagens confortáveis". Outra estreia era a do cupê Holiday 88, com bancos individuais, console central com alavanca de câmbio e rodas especiais. No ano seguinte vinha o Delta 88 Royale Brougham, de revestimento interno luxuoso, e saía do catálogo o motor 403, vítima da necessidade de reduzir o consumo médio dos carros da marca, conforme padrões do Cafe.

O desenho da gama 88 ficava um pouco mais suave para 1980, ano em que chegava o motor Rocket V8 de 307 pol³ (5,05 litros) com carburador quádruplo e 150 cv — os demais propulsores eram mantidos. Um ano mais tarde, o motor 350 da própria Olds era abandonado e todas as unidades a gasolina ganhavam um controle eletrônico: embora ainda não se tratasse de sistema de injeção, havia a leitura dos gases de escapamento para correções na mistura ar-combustível, a fim de reduzir as emissões. A caixa automática de quatro marchas chegava a mais versões com objetivo de menor consumo.

Concorrente de Buick LeSabre, Chevrolet Impala e Caprice, Ford LTD e Mercury Marquis, o grande Oldsmobile manteve-se sem grandes alterações nos modelos seguintes. A linha 1983 tinha nova grade e perdia o motor V8 260; um ano depois a gama compreendia o Royale e o Royale Brougham (sem o Delta). O modelo 1985 era o último Olds em que sedãs e cupês usavam tração traseira, motor Rocket V8 e carroceria sobre chassi — só a Custom Cruiser manteria essas características por mais cinco anos. Os tempos haviam mudado e os carros tinham de adotar técnicas mais favoráveis à economia. Não obstante, os norte-americanos continuavam a comprá-los em volume, levando a um novo recorde de 1,17 milhão de unidades em 1985.

Tração à frente   Os clientes tradicionais da marca não reconheceriam o 88 apresentado para 1986. Chamado apenas de Delta 88, ele adotava a plataforma H com tração dianteira e estava bem mais compacto — para os padrões dos EUA, claro —, com 5,02 m de comprimento e 2,81 m entre eixos. As linhas retas predominavam, mas alguns cuidados com a aerodinâmica podiam ser notados. Por dentro, interessante era o sistema de diagnose que emitia mensagens de voz para informar sobre faróis esquecidos acesos, motor superaquecido, freio de estacionamento acionado e outros pontos de atenção.

Apenas um motor estava disponível: o V6 3,8 da Buick, com injeção eletrônica, 150 cv e 29 m.kgf, associado a uma caixa automática de quatro marchas. A suspensão era independente McPherson tanto à frente quanto atrás. O conjunto foi elogiado em teste da Popular Mechanics: "O motor responde muito bem e o carro parece forte na estrada e pelas ruas. Além disso, a suspensão opcional deu ao carro um comportamento firme, estável que tornou o dirigir um prazer. (...) Este é um sedã familiar que não fica balançando em uma curva ou flutuando na estrada. E os grandes pneus entregam um nível de estabilidade com que alguns carros esporte apenas sonham".

A Popular Science colocou o Delta 88 lado a lado com o Buick LeSabre Custom e o Mercury Grand Marquis. Os dois modelos da GM superaram o do grupo Ford em estabilidade e frenagem, mas perderam em espaço interno, nível de ruído e conforto de marcha. Em aceleração o Olds, com o mesmo motor, perdeu por pouco para o Buick. A matéria definiu o Mercury como insubstituível para quem quisesse passear "numa manhã de domingo com toda a família e bagagem suficiente para uma viagem de três semanas", mas lamentou sua suspensão mole demais. Entre os "gêmeos" da GM, "a única razão para preferirmos o Buick seria seu rodar mais confortável. Se equipados com a mesma suspensão, não poderíamos fazer a escolha".

Já no ano seguinte os faróis do 88 evoluíam, abandonando o ultrapassado padrão de unidades seladas (sealed beam) que havia sido obrigatório no país por décadas. Pouco mais mudou no automóvel até 1989, quando o nome Eighty-Eight passou a ser grafado por extenso, a designação Delta foi abandonada e o motor ganhou potência, passando a 165 cv e 30,4 m.kgf. No ano seguinte mudavam grade de e lanternas traseiras. Agora havia as versões básica, Royale e Royale Brougham. Continua

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